quarta-feira, 17 de março de 2010

Satélite descobre exoplaneta semelhante aos do Sistema Solar

Imagem artística divulgada pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) mostra o planeta extra-solar denominado Corot-9b Foto: ESO/AFP

Imagem artística divulgada pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) mostra o planeta extra-solar denominado Corot-9b

Um planeta do tamanho de Júpiter que orbita ao redor de uma estrela semelhante ao Sol e que é semelhante aos planetas do Sistema Solar foi descoberto na constelação de Serpente, a 1,5 mil anos-luz da Terra, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira pelo Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC, na sigla em espanhol). O exoplaneta, batizado de Corot-9b, foi detectado pelo telescópio espacial CoRoT, construído pela agencia francesa Cnes em parceria com a ESA, agência espacial europeia.

Os exoplanetas são chamados assim por serem planetas extra-solares e pertencerem a um sistema planetário distinto do qual a Terra faz parte. O gigante e gasoso Corot-9b mantém uma distância relativamente grande de sua estrela central em uma órbita parecida com a realizada por Mercúrio ao redor do Sol.

Segundo os cientistas, este é o primeiro planeta do tipo que pode ser estudado detalhadamente, a partir da combinação de imagens do satélite Corot e de instrumentos do observatório. Os astrônomos acrescentaram que o exoplaneta representa ainda um valioso modelo para identificar novos corpos jovens com temperaturas moderadas pelo espaço.

Os resultados das observações foram publicados na última edição da revista científica Nature.

EFE
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terça-feira, 16 de março de 2010

Nasa encontra vida a 200 m sob camada de gelo da Antártida

O crustáceo  Lyssianasid amphipod  é semelhante a um camarão e mede cerca de 8 cm Foto: EFE

O crustáceo Lyssianasid amphipod é semelhante a um camarão e mede cerca de 8 cm

A Nasa, agência espacial americana, detectou a existência de dois seres vivos a quase 200 m sob a camada de gelo da Antártida, em plena escuridão, uma descoberta que altera as teorias sobre as condições nas quais pode se desenvolver a vida. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, a agência americana assegura ter encontrado um Lyssianasid amphipod, um crustáceo semelhante a um camarão e de aproximadamente 8 cm. Além disso, a entidade encontrou o que parecia ser o tentáculo de uma água-viva, de cerca de 30 cm.

Uma equipe da Nasa introduziu uma pequena câmara de vídeo através da espessa camada de gelo e a fez descer na profundidade marinha, onde reina a escuridão. A cerca de 190 m, a equipe detectou e fotografou o crustáceo que, apesar de seu pequeno tamanho, rompe os princípios estabelecidos até hoje sobre as condições extremas nas quais pode haver vida. Até agora, os cientistas acreditavam que apenas alguns poucos micróbios eram capazes de viver nessas condições.

A descoberta da Nasa pode motivar expedições na busca de vida a locais até agora descartados no espaço, como planetas ou luas congeladas. "Estávamos trabalhando com o pressuposto de que não íamos encontrar nada", disse o cientista da Nasa Robert Bindschadler, que apresentará o vídeo da descoberta na reunião de amanhã da American Geophysical Union.

"É um camarão que você gostaria de ter no prato", brincou. O cientista ressaltou que o Lyssianasid amphipod não é exatamente um camarão, mas um primo distante desta espécie.

EFE
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Nasa divulga imagem de nebulosa captada pela sonda WISE

  Foto: Nasa/Divulgação

O aglomerado está localizado na constelação de Cepheus

A agência espacial americana, Nasa, divulgou imagem do aglomerado de estrelas NGC 7380, também conhecido como Nebulosa do Wizard. O aglomerado está localizado na Constelação de Cepheus. As nebulosas são nuvens de poeira, hidrogênio e plasma, com intensa formação de estrelas, e podem ter vários formatos e cores.

A sonda WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) entrou em operação no dia 14 de janeiro e os cientistas da Nasa já receberam mais de 250 mil imagens, indicou a agência espacial americana em comunicado. A missão de WISE deverá terminar em outubro deste ano, quando deve acabar o combustível que alimenta seus instrumentos para funcionar.

"WISE funcionou de maneira fabulosa", disse Ed Weiler, administrador adjunto do Diretório de Misiones Científicas da Nasa em Washington. "Estas fotografias estão demonstrando que a missão secundária da sonda de localizar asteroides, cometas e outros objetos será tão importante como observar todo o céu sob luz infravermelha", acrescentou.

Cristo Redentor apagará as luzes em Hora do Planeta

Edifícios emblemáticos e monumentos no mundo todo, como o Cristo Redentor, o Empire State de Nova York e a Torre Eiffel de Paris, apagarão as luzes no próximo dia 27 durante a Hora do Planeta, uma campanha anual de combate à mudança climática. Convocada pela ONG ambiental WWF, a iniciativa já conta com a adesão de 1.690 cidades de 105 países.

A Hora do Planeta busca mobilizar cidadãos, empresas, governos e organizações do mundo todo para que apaguem a luz durante uma hora, o que deverão fazer às 20h30 local de cada país, pelo futuro do meio ambiente. Para apoiar o movimento, a modelo Gisele Bundchen gravou um vídeo no qual aparece em uma sala iluminada à luz de vela encorajando as pessoas a participarem da campanha.

No ano passado, 4.088 cidades de 88 países participaram do ato simbólico. Este ano a campanha contará também com a adesão do Portão de Brandemburgo (Berlim), as Pirâmides de Giza (Egito), a Opera House (Sidney), a CN Tower de Toronto (Canadá) e o prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa (Dubai). Outros monumentos que participarão neste ano são o Coliseu de Roma e o Obelisco de Buenos Aires, em uma iniciativa que os organizadores consideram como a maior demonstração pública da história contra a mudança climática.

A primeira edição da Hora do Planeta, em 2007, mobilizou 2 milhões de pessoas. Já no ano passado, o movimento contou com 1 bilhão de pessoas. Entre os países que aderiram à campanha neste ano estão: Paraguai, Equador, Panamá, Camboja, Tanzânia, Arábia Saudita, Omã, Laos, Lituânia, Bangladesh, Catar, Nepal e Mongólia.

O diretor-executivo da Hora do Planeta, Andy Ridley, manifestou em comunicado que a convocação "demonstra a determinação dos cidadãos do mundo para um mundo mais saudável".

EFE
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Restos de Copérnico são transferidos para castelo na Polônia

Os restos do astrônomo Nicolau Copérnico (1473-1543) serão transferidos nesta terça-feira da catedral de Olsztyn (norte da Polônia) para o castelo dessa mesma cidade, onde permanecerão até maio, quando o caixão do astrônomo voltará a viajar pela última vez, até seu destino definitivo, a catedral de Frombork.

O castelo de Olsztyn, onde Copérnico viveu parte de sua vida, oferece melhores condições de segurança que o templo e evita o risco de ataques de vandalismo, explicaram as autoridades locais. Os restos mortais do astrônomo foram encontrados em 2005 por arqueólogos poloneses durante tarefas de escavação realizadas nos arredores da catedral de Frombork, no litoral polonês do Mar Báltico.

Três anos depois, os exames de DNA determinaram que esses restos pertenciam ao astrônomo e, em seguida, foi feita a reconstrução facial do crânio encontrado, coincidindo com as pinturas que se conservam de Copérnico. O cientista foi um divisor de águas da Astronomia com a teoria de que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário, como se pensava até então.

Durante as últimas três semanas, o sarcófago de Copérnico estava na catedral de Olsztyn, mas motivos de segurança e conservação recomendaram agora a mudança de localização. A viagem dos restos de Nicolau Copérnico terminará em 22 de maio, quando eles ficarão definitivamente na catedral de Frombork.

EFE
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Tiroteio é registrado em centro espacial na Índia

Os agentes de segurança de um centro espacial no sul da Índia trocaram tidos com dois homens em atitude suspeita nas imediações da instalação nesta terça-feira.

O tiroteio aconteceu no Deep Space Network, centro espacial que fica a 40 quilômetros de Bangalore.

O diretor da Organização de Pesquisas Espaciais da Índia (ISRO), S Satish, afirmou à AFP que os seguranças responderam aos tiros dos suspeitos, que conseguiram fugir.

AFP
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segunda-feira, 15 de março de 2010

ESO divulga imagem de nebulosa semelhante à "chama de vela"

O Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) divulgou nesta segunda-feira uma imagem captada pelo telescópio espacial Vista que mostra a nebulosa Flame, batizada com este nome pela semelhança com a chama de uma vela. A formação também está registrada com o código NGC 2024 e se localiza na constelação de Órion, um grupo estelar reconhecido em todo o mundo por incluir estrelas brilhantes e visíveis de ambos os hemisférios.

O núcleo da nebulosa fica completamente escondido sob a poeira cósmica da formação quando visto sob luz natural. No entanto, as câmeras em infravermelho do Vista permitiram que o aglomerado de estrelas jovens no coração da Flame fosse observado.

Dentro da foto também é possível enxergar o brilho refletido pela nebulosa NGC 2023 (pouco abaixo do centro da imagem) e o contorno obscuro da nebulosa Cabeça de Cavalo (próximo ao canto inferior direito), ou Barnard 33. O objeto grande com brilho azulado no canto superior direito é uma das três estrelas brilhantes que formam o Cinturão de Órion.

As nebulosas são nuvens de poeira, hidrogênio e plasma, com intensa formação de estrelas, e podem ter vários formatos e cores.

Empresa privada dos EUA procura astronautas com experiência

Para astronautas preocupados sobre seu futuro na Nasa, agência espacial americana, boas notícias: uma empresa privada está contratando. A Bigelow Aerospace, empresa de Las Vegas presidida pelo empresário do setor hoteleiro Robert Bigelow, dono do Budget Suites of America, publicou uma nota de recrutamento de astronautas em seu site.

Somente profissionais com experiência em voos espaciais podem se oferecer, o que limita o número de candidatos no mundo todo a pouco mais de 500. A frota de naves da Nasa vai ser aposentada no fim deste ano. Sem nenhum sucessor no horizonte, milhares de trabalhadores devem perder seus empregos.

A Bigelow procura uma equipe para seu planejado complexo orbital e protótipos dele já estão em órbita. A empresa planeja uma série de ambientes espaciais infláveis que possam ser usados para pesquisa, turismo e outras atividades. Como parte do trabalho no complexo espacial Bigelow, astronautas poderão ser escalados para caminhadas espaciais, afirma o aviso de oferta de emprego.

O anúncio não menciona salário e a descrição do emprego inclui trabalho junto ao departamento de marketing para assegurar clientes empresariais e governamentais. A abertura para um número não específico de astronautas está entre as 45 posições que a Bigelow quer preencher. A maior parte é para engenheiros e postos técnicos. A empresa está contratando também para construir sua equipe de manutenção em terra.

Reuters
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Publicidade proporcionava visão extravagante do futuro espacial

Os anos entre 1957 e 1962 foram uma era de ouro da ficção científica, bem como de paranoia e entusiasmo em escala cósmica. O futuro ainda era o futuro, então, e alguns dentre nós sonhavam com fazendas na Lua e foguetes de aletas heroicas decolando de paisagens extraterrestres. Já outros se preocupavam com a possibilidade de bases russas na Lua.

Os cientistas estavam debatendo se a exploração espacial deveria ser realizada por robôs ou seres humanos. Satélites e transistores eram emblemas moderninhos de tecnologia do pós-guerra, e estávamos a ponto de deslindar os segredos do universo e domar o átomo (se ele não nos matasse primeiro).

Algumas das mais extravagantes dessas visões de futuro não vinham de romances baratos, mas de empresas que desejavam lustrar suas credenciais tecnológicas e recrutar engenheiros de talento, nos inspiradores dias em que orçamentos cada vez mais altos para a defesa e a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) propiciavam uma corrida do ouro espacial.

Nas páginas de revistas como Aviation Week, Missiles and Rockets e até mesmo Fortune, empresas, algumas das quais famosas e outras hoje obscuras, se envolviam em um duelo de sonhos. Assim, por exemplo, a Republic Aviation, de Farmingdale, Nova York, "projetista e fabricante do incomparável Thundercraft", usou a revista "Aviation Week and Space Technology" para um anúncio sobre experiências de jardinagem lunar que estava realizando em 1959 para uma futura base da força aérea na Lua.

Ou podemos citar a American Bosch Arma, que exibiu na Fortune a sua ¿borboleta cósmica¿, um veículo elétrico carregado por energia solar que poderia transportar passageiros e cargas por todo o Sistema Solar.

A maioria dos americanos jamais viu essas engenhocas ou sua publicidade, mas agora os anúncios foram recolhidos e dissecados por Megan Prelinger, historiadora independente e entusiasta da exploração espacial, em um novo livro, "Another Science Fiction: Advertising the Space Race 1957-1962", que chegará às livrarias em 25 de maio.

Prelinger e seu marido, Rick, são proprietários da Prelinger Library, uma biblioteca privada de pesquisa em San Francisco, cujo acervo enfatiza a história da mídia, tecnologia e paisagismo.

Em mensagem de e-mail, Prelinger diz que cresceu "sob uma dieta cultural de ficção científica e exploração espacial", e que lembranças das missões lunares e da série "Jornada nas Estrelas" se misturam em sua mente. "Como resultado", afirma, "cresci acreditando ser integrante juvenil de uma sociedade tecnologicamente avançada".

O livro, ela conta, foi inspirado por uma carta de velhas publicações que foi adquirida pela biblioteca, incluindo revistas como Aviation Week & Space Technology e Missiles and Rockets. "Eu não imaginava que a publicidade em suas páginas despertaria minha atenção, se comparada aos artigos", ela escreve na introdução do livro. Os anúncios estão repletos de energia modernista e de uma iconografia rica, e Prelinger parece se divertir muito ao discorrer sobre os temas associados.

O final da década de 50 foi a era do chamado "Organization Man". A ilustração de capa do livro, extraída de um anúncio de seguros, mostra um homem de terno cinzento que parece sósia perfeito de Dan Draper, o publicitário confuso existencialmente da série "Mad Men", flutuando com expressão de susto e admiração em meio a planetas e estrelas. As montanhas e vales da Lua são repetidamente retratados como se fossem as montanhas, cânions e desertos do oeste dos Estados Unidos, o que tornava o programa espacial simplesmente um novo capítulo na marcha do progresso americano.

Em uma das ilustrações, as mãos de Deus e de Adão, extraídas dos afrescos de Michelangelo para a Capela Sistina, se transformam em um par de gigantescas luva espaciais que se aproximam para contato. Em outro, a silhueta de uma espaçonave forma uma cruz.

"Essas imagens sugerem que a dimensão mais ampla daquilo que a humanidade esperava encontrar no espaço era a essência mesma do infinito", escreve Prelinger. Folhear o livro é como um passeio pelas minhas memórias pessoais.

Cresci em Seattle, na época uma cidade industrial dominada pela sua maior empresa, a Boeing. Quase todo mundo trabalhava para a companhia, mais cedo ou mais tarde. O pai do meu melhor amigo ajudou a projetar o foguete Saturn V, que levou os seres humanos à Lua.

Depois de conquistar aos trancos e barrancos o meu diploma em Física pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), no final dos anos 60, eu também trabalhei para a empresa por um ano, jogando uma espécie de guerra espacial - minha função era disparar bolas de alumínio em alta velocidade contra estruturas de alumínio montadas para simular aviões ou espaçonaves, para descobrir que danos eram causados em cada conjunto de circunstâncias.

No final do dia, minha mesa de trabalho terminava soterrada sob pilhas de chapas de alumínio retorcidas e amassadas, e eu tinha de contar o número de buracos em cada uma. É difícil determinar o que deveria causar mais nostalgia, se todos aqueles sonhos infantis de uma ópera espacial ou se o otimismo de uma era na qual a imaginação e a tecnologia estavam florescendo e metade dos anúncios terminava com um convite para que o leitor procurasse emprego em uma próspera "companhia do futuro".

"Se você deseja avançar profissionalmente, deveria se tornar membro de uma dessas equipes. Escreva aos cuidados de N. M. Pagan", diz um anúncio típico, publicado pela Martin, hoje parte do grupo Lockheed Martin. Não é mais o tipo de convite que estejamos acostumados a ouvir.

Na época, qualquer um podia ser herói espacial, mesmo que passasse o dia sentado a uma prancheta, em uma baia perdida entre dezenas de baias idênticas, desenhando antenas ou parafusos autovedantes. E os anúncios, é claro, mostravam quase que exclusivamente figuras masculinas. Uma exceção é um anúncio da NCR para uma nova máquina eletrônica para encaminhar cheques -"e o que a Post-Tronic faz de modo eletrônico, a operadora não pode fazer errado - simplesmente porque ela não faz coisa alguma!", afirma o anúncio, que mostra uma mulher flutuando no espaço diante do console de comando de uma máquina.

Naturalmente, todos esses anúncios de recrutamento tinham lá seus truques, como Prelinger revela. O negócio real de todas essas companhias aerospaciais não era viajar pelo espaço, mas sim a produção de equipamentos de defesa - caças, bombardeiros, mísseis e outros artefatos da guerra fria, e também, claro, jatos comerciais de passageiros. Para muitas dessas empresas, o programa espacial mais atrapalhava que ajudava em termos de lucros, e servia como um projeto vistoso, ainda que deficitário, usado para atrair os maiores talentos.

Ocasionalmente, como reporta Prelinger, o lado negro desse trabalho se deixava entrever em anúncios publicados em revistas especializadas, como por exemplo quando a Marquardt, que fabricava pequenos foguetes de controle para satélites, mostrou um satélite espião com a câmera apontada para a Terra.

Se a febre espacial começou em 1957 com o Sputnik, por volta de 1962, quando o plano básico para as missões lunares Apollo já estava definido, a situação já se havia aclamado e não restava tanto espaço para imaginação descontrolada. Além disso, àquela altura, o orçamento da Nasa já tinha deixado de crescer furiosamente a cada ano.

Prelinger afirma que, durante esse período, cerca de meio milhão de engenheiros, cientistas, desenhistas técnicos e outros profissionais atenderam ao convite e dedicaram seus talentos à nova era, participando de um avanço que engordou em mais de um milhão de pessoas as fileiras de trabalhadores do setor aerospacial.

Algumas dessas pessoas podem ter acabado da mesma maneira que eu. Quando o grupo de "mecânica de impacto" foi eliminado devido a um corte de custos, fui transferido ao grupo de "pesos e medidas". Nosso trabalho era estudar as plantas de foguetes e determinar a posição e peso de cada parafuso, porca, rebite e qualquer outro item presente em um pequeno propulsor de estágio superior que teria por missão colocar em órbita uma cara desconhecida. A informação era inserida em um programa de computador que calculava o centro de gravidade e outras propriedades dinâmicas do pacote de propulsão.

Era um trabalho importante, mas imensamente tedioso, e aprendi muito sobre guerras de elástico, porque travávamos uma delas quase todas as tardes.

Mas foram homens e mulheres como esses, trabalhando em baias, que salvaram os astronautas da Apollo 13 em 1969, ao descobrir como trazê-los de volta da Lua vivos, em uma espaçonave semidestruída. Depois das missões lunares e do final da guerra fria, muitos desses empregos - inspiradores ou não - desapareceram, e o mesmo se aplica a muitas das empresas que os ofereciam. O que não desapareceu, ao longo de todos esses anos e décadas, foi o anseio pelo espaço, e a discussão sobre ele.

Continuamos a debater o que a Nasa deveria fazer, em termos de exploração tripulada do universo, e, em modo coletivo, estamos cada vez mais parecidos com o executivo atônito que flutua pelo espaço na capa do fascinante livro de Prelinger. É uma discussão que durou minha vida inteira. Depois que aqueles anúncios foram publicados, a guerra do Vietnã foi decidida, a União Soviética desabou e a China ascendeu; e os Estados Unidos inteirinhos deixaram de fumar. Mas nunca encontramos a essência do infinito - pelo menos não até agora.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
The New York Times

sábado, 13 de março de 2010

Cratera rara que forma cerro no RS foi formada por meteorito

Cerro do Jarau, localizado no município gaúcho de Quaraí, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai Foto: Prefeitura Municipal de Quaraí/Reprodução

Cerro do Jarau, localizado no município gaúcho de Quaraí, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai

Pesquisadores do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp confirmaram que a origem geológica do Cerro do Jarau, localizado no município gaúcho de Quaraí, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, é meteorítica. Os pesquisadores, que estudam a cratera desde 2007, estão buscando material rochoso com características próprias para datação geocronológica, o que eventualmente poderá fornecer informações mais precisas sobre a época do impacto do meteorito.

"Com base na idade das rochas mais jovens afetadas pelo impacto, podemos dizer que o impacto ocorreu há várias dezenas ou até uma centena de milhões de anos", diz o pesquisador Álvaro Crósta, que atualmente coordena uma equipe composta por vários especialistas internacionais.

De acordo com o pesquisador, com essa descoberta, o número de crateras meteoríticas no Brasil subiu para seis, o que nos permite começar a desvendar um pouco melhor o nosso passado geológico. Além disso, trata-se da quarta cratera formada em rochas basálticas em todo nosso planeta, sendo que três delas encontram-se no sul do Brasil: Vargeão, em Santa Catarina; Vista Alegre, no Paraná, e agora Cerro do Jarau, no Rio Grande do Sul.

"Esse tipo de rocha é bastante comum na superfície de outros corpos planetários, mas não na Terra. A análise dos processos de deformação relacionados à formação das crateras basálticas do sul do Brasil pode eventualmente auxiliar na compreensão da evolução da superfície de muitos outros corpos planetários, como a Lua, Marte, Vênus e outros corpos sólidos", diz o professor.

Segundo o pesquisador, as evidências que comprovam a origem meteorítica de Cerro do Jarau são estruturas de deformação que ficam gravadas de forma permanente nas rochas e minerais existentes no local do impacto. De acordo com Álvaro Crósta, algumas dessas estruturas são visíveis apenas ao microscópio. Essas deformações são decorrentes da quantidade muito elevada de energia liberada no processo, quantidade essa muito superior à energia de quaisquer outros tipos de eventos geológicos (terremotos, erupções vulcânicas, etc.). Por esse motivo, elas são utilizadas como evidências diagnósticas de eventos de impacto.

"Como o acesso direto a essas superfícies é difícil, pode-se inferir informações importantes usando as crateras basálticas terrestres como análogos das suas similares lunares ou marcianas", explica.

Durante algum tempo, os cientistas suspeitavam da ligação entre impactos meteoríticos e a extinção de formas de vida, mas há cerca de 15 anos, a comprovação dessa relação em pelos menos um desses eventos de extinção foi feita com a descoberta da cratera de Chicxulub, no Golfo do México. A idade dessa cratera é de 65 milhões de anos, exatamente a mesma da grande extinção que eliminou da Terra, entre outras formas de vida, os dinossauros.

No Brasil, não há nenhuma cratera meteorítica suficientemente grande para provocar um evento de extinção em massa da vida. De todo modo, é possível que as crateras brasileiras tenham produzido efeitos regionais com relação à extinção de formas de vida existentes na época do impacto.

"Estamos apenas no início dos estudos de Cerro do Jarau, e temos a expectativa de que informações novas e interessantes venha surgir dos resultados que esperamos obter nos próximos anos", declara o professor.

A comprovação rendeu a produção de um artigo que deverá compor a próxima edição do livro Large Meteorite Impacts IV a ser lançada, em março, pela Sociedade Geológica da América (GSA).

sexta-feira, 12 de março de 2010

Jatos de partículas de gelo são observados em Saturno

Jatos, Tiger Stripes, todos Foto: Nasa/Divulgação

As "Tiger Stripes" são jatos formados por partículas de gelo, vapor de água e compostos orgânicos

A agência espacial americana, Nasa, apresentou nesta sexta-feira a imagem das famosas "Tiger Stripes", ou listras de tigre, próximas ao pólo sul de Enceladus, uma das luas de Saturno. As "Tiger Stripes" são jatos formados por partículas de gelo, vapor de água e compostos orgânicos.

A imagem é o resultado da sobreposição de duas imagens em alta resolução capturadas por uma câmera de ângulo fechado durante um vôo da sonda Cassini por Enceladus, em 21 de novembro de 2009. As imagens das "Tiger Stripes" permitirão que os cientistas estudem sua ação.

A sonda Cassini-Huygens é parte de um projeto da Agência Espacial Européia (ESA) e da Nasa para estudar Saturno e as suas luas em uma missão espacial não tripulada. A nave é formada por dois elementos principais: a Cassini orbiter e a sonda Huygens. Ela foi lançada em 15 de Outubro de 1997 e entrou na órbita de Saturno em 1° de julho de 2004. É a primeira sonda a orbitar Saturno.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Possível redução na atividade solar não conterá aquecimento

Uma redução na atividade solar equivalente à da "Pequena Era do Gelo" do século XVII causaria apenas uma pequena diminuição no ritmo do aquecimento global, indicou um estudo nesta quarta-feira.

Uma diminuição da atividade solar nos últimos anos, relacionada a um número menor de manchas solares, cortaria em no máximo 0,3 grau Celsius o aumento previsto das temperaturas até 2100, caso ela se transforme no longo "Grande Mínimo" de intensidade, afirmaram eles.

"A noção de que estamos nos dirigindo a uma nova Pequena Era do Gelo caso o Sol de fato tenha entrado num Grande Mínimo é errada," disse Georg Feulner, autor principal de um estudo do Instituto Postdam para Pesquisa sobre o Impacto do Clima, em um comunicado.

As temperaturas mundiais provavelmente subirão entre 3,7 e 4,5 graus Celsius até 2100, caso as emissões de gases-estufa continuem aumentando - muito mais que o impacto de mudanças conhecidas na atividade solar, informou o estudo.

O Sol passou por quatro Grandes Mínimos desde o século XIII, incluindo o Mínimo de Maunder, de 1645 e 1715, que se sobrepôs à Pequena Era do Gelo. O Rio Tâmisa congelou em Londres, por exemplo, entre 1683 e 1684.

As temperaturas mundiais aumentaram 0,7 grau Celsius desde que a Revolução Industrial levou ao maior uso de combustíveis fósseis, que liberam gases-estufa quando queimados, de acordo com um painel da Organização das Nações Unidas de cientistas que estudam o clima.

Reuters
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Cientistas captam rara imagem de coroa solar

Na imagem, a radiação da superfície solar aparece como uma densa  fumaça formando uma coroa em volta da sombra da Lua Foto: Universidade  de Tecnologia de Brno /Divulgação

Na imagem, a radiação da superfície solar aparece como uma densa fumaça formando uma coroa em volta da sombra da Lua, no momento em que esta encobre completamente o Sol

Cientistas divulgaram nesta quarta-feira uma rara imagem capturada durante um eclipse total do Sol ocorrido em julho de 2009 nas Ilhas Marshall, na Micronésia, no Oceano Pacífico. Na imagem, a radiação da superfície solar aparece como uma densa fumaça formando uma coroa em volta da sombra da Lua, no momento em que esta encobre completamente o Sol. As informações são do Telegraph.

A imagem é resultado de um estudo organizado pela Universidade de Tecnologia de Brno, na República Checa, que monitorou a sombra em volta da Lua para observar as mudanças ocorridas no plasma formado pela radiação. Dez vezes mais denso que o centro do Sol, o material que forma a coroa só produz cerca de um milionésimo da Luz do astro rei, o que significa que só pode ser visto quando é "iluminado" durante um eclipse.

A coroa misteriosa, que tem intrigado os cientistas há anos, se estende por mais de um milhão de quilômetros do Sol e é 200 vezes mais quente que a superfície visível da estrela. A fonte de calor da coroa ainda é objeto de debates, mas é provável que seja derivada do campo magnético e de ondas de pressão sonora abaixo do Sol.

Em entrevista concedida ao Telegraph, o professor Miloslav Druckmuller, autor das fotos, afirma que ficou encantado com os resultados. "Mesmo que o motivo para tirar as fotografias tenha sido a ciência, o resultado mostra a enorme beleza da natureza", disse.

No próximo eclipse solar, em julho, a equipe focará novamente as suas lentes e olhos para a coroa.

China quer fazer primeiro pouso na Lua em 2013

A China pretende lançar em 2013 a nave "Chang''e-3", seu terceiro módulo lunar e o primeiro aparelho do programa aeroespacial chinês que deve pousar na superfície da Lua. A agência oficial Xinhua informou nesta quarta que a "Chang'e-3" - que leva o nome de uma deusa lendária chinesa - fará uma alunissagem controlada sem tripulação e liberará um veículo motorizado que percorrerá a superfície lunar.

O projetista-chefe do primeiro satélite lunar chinês, Ye Peijian, assegurou que a missão está fazendo "bons progressos" com o desenho de um protótipo que atualmente está em fase de desenvolvimento.

No entanto, antes do lançamento da "Chang''e-3", a China ainda tem pela frente o envio de sua segunda sonda, a "Chang''e-2", previsto para outubro deste ano.

Este satélite estudará as condições da Lua e fará fotos de alta resolução do local onde a China quer que sua missão seguinte pouse.

O programa espacial chinês se desenvolve principalmente em duas ramificações. Uma cuida de missões tripuladas para o estabelecimento de uma estação espacial permanente, e a outra, do estudo da Lua.

Esta última começou em outubro de 2007 com o lançamento da primeira sonda, a "Chang''e-1", que fez um mapa tridimensional da Lua.

EFE
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Cern desmente problemas de segurança em Colisor de Hádrons

As atividades do acelerador de partículas do Laboratório Europeu de Física Nuclear (Cern), que voltou a ser ligado há 12 dias, transcorrem sem inconvenientes, afirmou nesta quarta o porta-voz James Gillies, que desmentiu qualquer problema de segurança.

"Sabemos que o acelerador é perfeitamente seguro para operar com a energia prevista para os próximos dois anos", assegurou Gillies em declarações à Agência Efe. "Começamos o ciclo de funcionamento mais longo do LHC", destacou.

Espera-se que daqui a duas semanas o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) atinja a energia necessária para começar as colisões de prótons em um túnel circular de 27 quilômetros construído a 100 metros abaixo da terra.

Quando a energia de sete teraeletronvolts (TeV) tiver sido alcançada, o acelerador se manterá funcionando a essa potência entre 18 e 24 meses, "o que oferecerá um grande potencial para novas descobertas", afirmou o porta-voz.

Gillies explicou que o desligamento do acelerador, que está previsto para depois desse período, responde em primeiro lugar ao modo de funcionamento de todos os aceleradores que o CERN construiu e que "tradicionalmente funcionaram entre sete e oito meses, para depois serem desligados entre quatro e cinco meses".

"Desligá-lo não é nada de novo", esclareceu, frente às versões de que os motivos dessa pausa seriam novas preocupações com segurança. Para o LHC, se decidiu "por bom senso" prolongar tanto os períodos em atividade como de desligamento (entre oito e dez meses).

Segundo o porta-voz, "o objetivo do (primeiro) desligamento será preparar a máquina para que funcione com sua mais alta energia", de 14 TeV. "Sabemos que podemos fazer o acelerador funcionar agora e de maneira totalmente segura com metade da energia para o qual foi criado", explicou.

No entanto, apontou que os cientistas do CERN são conscientes de que existem "problemas com algumas das conexões elétricas", e que por isso haverá revisões gerais antes que o sistema alcance sua energia máxima, o que deve acontecer em 2013.

"Se queremos fazer o acelerador funcionar sem riscos de danos, temos que fazer algumas remodelações", declarou Gillies. O LHC teve problemas em algumas de suas conexões em 2008, a poucos dias de começar a funcionar pela primeira vez, o que levou ao seu desligamento durante 14 meses e a gastos de mais de 20 milhões de euros.

EFE
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terça-feira, 9 de março de 2010

China seleciona mães em treinamento de astronautas

Primeiro pelotão feminino de pilotos marcha na base aérea de  Pequim Foto: AFP

As astronautas podem permanecer até cinco anos em treinamento intensivo

Além de estarem em ótimas condições físicas e terem todas as habilidades de voo exigidas pela Força Aérea, as primeiras astronautas da China enfrentaram um desafio extra: elas também deveriam ser mães para se qualificarem para o programa espacial do país. As informações são do jornal britânico The Guardian.

O fato de que elas deveriam ser também esposas e mães não está relacionada às suas diversas capacidades. Os oficiais estão preocupados que o vôo espacial possa afetar a fertilidade delas. "Está fora de cogitação sermos responsáveis por elas", disse Xu Xianrong, especialista do Hospital Geral na Força Aérea. "Ainda há pouca evidência de como a experiência do espaço irá afetar a fertilidade feminina, temos que ser extremamente cautelosos".

Duas mulheres e cinco homens foram selecionados como a próxima geração a viajar ao espaço, de acordo com um jornal de Hong Kong, que cita uma fonte militar desconhecida. Xu Xianrong disse que mulheres tinham vantagens em relação aos astronautas homens porque elas eram mais estáveis mentalmente, mais aptas a suportar a solidão e melhores para comunicação.

As autoridades ainda não divulgaram os nomes dos futuros astronautas, mas todos têm entre 27 e 34 anos. O jornal de Hong Kong, Wen Wei Po, identificou 5 das 15 mulheres finalistas. Todas seriam da província de Shandong.

Qi Faren, um delegado do órgão político de aconselhamento chinês, disse à imprensa estatal que uma ou duas mulheres estavam aptas para receber formação para o programa espacial, mas não teve nenhum calendário para o lançamento. As astronautas podem permanecer até cinco anos em treinamento intensivo.

No ano passado, Sui Guosheng, um oficial encarregado pelo recrutamento junto a Força Aérea, disse que espera ver uma mulher no Espaço em 2012 - nove anos depois que Yang Liwei se tornou o primeiro cidadão chinês a decolar.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Imagem de Titã se assemelha a superfície da Terra primitiva

tita, sonda, todos Foto: ESA/Divulgação

Na imagem artística, a Sonda Huygens mostra pedras lisas, possivelmente contendo água gelada

A sonda Huygens posou em Titã, a enigmática lua de Saturno, em 2005, e agora trouxe de volta a primeira imagem das suas camadas de nuvens. Essa impressão foi baseada nas fotos enviadas pelo carro por mais de 90 minutos antes de ficar sem bateria.

A paisagem exibe pedras lisas, possivelmente contendo água gelada. Análises das imagens de Huygen e os dados coletados mostram que a superfície de Titã, hoje, tem mostrado semelhanças intrigantes com a superfície da Terra primitiva.

A sonda Cassini-Huygens é um projeto colaborativo entre a ESA e a NASA para estudar Saturno e as suas luas através de uma missão espacial não tripulada. A nave espacial consiste de dois elementos principais: a Cassini orbiter e a sonda Huygens.

Experiência do Big Bang poderá revelar universo escuro

A matéria escura, que os cientistas acreditam que forme até 25% do universo, mas cuja existência nunca foi provada, poderá ser detectada pelo acelerador de partículas gigante da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), disse nesta segunda-feira o diretor-geral do centro de pesquisas.

Rolf-Dieter Heuer afirmou em uma entrevista coletiva que alguma evidência da matéria poderá surgir até mesmo no curto prazo a partir do acelerador de partículas destinado a recriar as condições do Big Bang, o nascimento do universo ocorrido há cerca de 13,7 bilhões de anos.

"Não sabemos o que é a matéria escura", disse Heuer, diretor do Cern que fica na fronteira entre Suíça e França, nas proximidades de Genebra. "Nosso Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) poderá ser a primeira máquina a nos dar um insight sobre o universo escuro", disse ele. "Estamos abrindo a porta para a Nova Física, para um período de descobertas."

Astrônomos e físicos afirmam que apenas 5% do universo é conhecido atualmente e que o remanescente invisível consiste de matéria escura e de energia escura, que formam cerca de 25% e 70%, respectivamente. "Se formos capazes de detectar e compreender a matéria escura, nosso conhecimento vai se expandir para abarcar 30 por cento do universo, um enorme passo adiante", afirmou Heuer.

O LHC, a maior experiência científica do mundo centralizada num túnel subterrâneo oval de 27 quilômetros, está atualmente em atividade para, até o final do mês, colidir partículas com a maior energia já alcançada.

Reuters
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sexta-feira, 5 de março de 2010

Nasa divulga imagem de galáxia brilhante com buraco negro

Dados captados pelos raios-X do Chandra aparecem em vermelho na  imagem, dados recolhidos pelo  Telescópio Hubble aparecem em verde e  dados de ondas de ... Foto: Nasa/Divulgação

Dados captados pelos raios-X do Chandra aparecem em vermelho na imagem, dados recolhidos pelo Telescópio Hubble aparecem em verde e dados de ondas de rádio do Very Large Array, em azul

A Agência Espacial Americana (Nasa) divulgou nesta sexta-feira a imagem da galáxia NGC 1068, uma das galáxias mais próximas e brilhantes que contêm um buraco negro supermassivo de crescimento rápido. Segundo a Nasa, a NGC 1068 está localizada cerca de 50 milhões de anos-luz da Terra e seu buraco negro tem cerca de duas vezes a massa do buraco negro presente no meio da Via Láctea.

A imagem é uma sobreposição de fotos obtidas pelo observatório de raios-X Chandra, pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo Very Large Array. A composição mostra um forte vento está sendo lançado para a periferia da NGC 1068 a uma taxa de cerca de um milhão de milhas por hora. Esse vento é provavelmente gerado com um gás acelerado e aquecido que gira em direção ao buraco negro.

Uma parte do gás é puxado para dentro do buraco negro e a outra parte dele é levada pelo vento. Raios-X de alta energia produzida pelo gás perto do buraco negro aquecem o gás que está sendo dispersado pelo vento fazendo-o brilhar.

Dados captados pelos raios-X do Chandra aparecem em vermelho na imagem, dados recolhidos pelo Telescópio Hubble aparecem em verde e dados de ondas de rádio do Very Large Array, em azul. A estrutura de espiral NGC 1068 está demonstrada tanto pelos raios-X quanto por dados ópticos, e um jato alimentado pelo buraco negro central é mostrado pelos dados de rádio.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Fim da discussão: asteroide extinguiu os dinossauros

A colisão de um asteroide gigante contra a Terra é a única explicação plausível para a extinção dos dinossauros, disse uma equipe de cientistas na quinta-feira, esperando encerrar uma discussão que há décadas divide os especialistas.

Um grupo de 41 pesquisadores de todo o mundo reviu 20 anos de pesquisas para tentar confirmar a causa da chamada extinção do Cretáceo-Terciário (KT), que criou um "ambiente infernal" há cerca de 65 milhões de anos e extinguiu mais de metade de todas as espécies da época. Além do asteroide, outra possibilidade cogitada era a atividade vulcânica na atual Índia, onde uma série de supererupções durou 1,5 milhão de anos.

O novo estudo, publicado na revista Science, mostrou que a culpa pelo fim dos dinossauros é de um asteroide de 15 quilômetros de diâmetro que caiu em Chicxulub (México). "Isso desencadeou enormes incêndios, terremotos medindo mais de 10 na escala Richter e deslizamentos continentais, que criaram tsunamis", disse Joanna Morgan, do Imperial College londrino, coautora do estudo.

A colisão teria liberado uma energia 1 bilhão de vezes mais poderosa que a bomba atômica de Hiroshima.

Segundo Morgan, "o último prego no caixão dos dinossauros" ocorreu quando o material da explosão voou para a atmosfera, envolvendo o planeta na escuridão e causando um inverno global ao qual muitas espécies não conseguiram se adaptar.

Os cientistas analisaram o trabalho de paleontólogos, geoquímicos, climatologistas e geofísicos. Com base nos registros geológicos, eles descobriram que na época da grande extinção houve uma rápida destruição dos ecossistemas marinhos e terrestres, e que o asteroide "é a única explicação possível para isso".

Peter Schulte, também autor do estudo, da universidade alemã de Erlangen, disse que os registros fósseis mostram claramente uma extinção em massa há cerca de 65,5 milhões de anos - época conhecida como fronteira K-Pg.

Apesar das evidências de vulcanismo ativo na Índia, os ecossistemas marítimos e terrestres só mostraram mudanças limitadas nos 500 mil anos prévios à fronteira K-Pg, sugerindo que a extinção não ocorreu antes e não foi motivada pelas erupções.

Gareth Collins, outro coautor do Imperial College, disse que a colisão do asteroide criou um "dia inferno" que marcou o fim do reinado de 160 milhões de anos dos dinossauros - mas também acabou sendo um grande dia para os mamíferos.

"A extinção KT foi um momento-chave na história da Terra, o que acabou abrindo caminho para que os humanos se tornassem a espécie dominante na Terra", escreveu ele no estudo.

Reuters
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Rússia enfrenta escassez de candidatos a cosmonautas

A Rússia sofre com a escassez de candidatos a cosmonautas, pois um número cada vez menor de russos demonstram interesse em visitar o espaço, informaram fontes oficiais à imprensa russa. Seguir os passos de ícones como Yuri Gagarin sempre foi um antigo sonho dos jovens russos, mas agora este interesse está diminuindo, reclama Sergei Krikalyev, diretor do centro de treinamento de cosmonautas, situado na Cidade das Estrelas, arredores de Moscou.

"Agora, temos cerca de 40 cosmonautas nas fileiras russas. Planejamos recrutar novos candidatos, mas há menos gente interessada do que gostaríamos", afirma Krikalyev, citado pela agência de notícias Interfax.

Krikalyev lamenta que o interesse diminuiu nas duas décadas que se seguiram à derrocada da União Soviética e também se mostra preocupado de que entre todos os cosmonautas russos haja apenas uma mulher. De acordo com o especialista, isto contrasta com o número de mulheres trabalhando como astronautas na Nasa (agência espacial americana).

Krikalyev também reclama de que o financiamento para o centro de treinamento - uma instalação lendária, da época do início da era espacial - precisa ser "dobrado para poder continuar funcionando adequadamente".

"Para que o centro se desenvolva, ele precisa ser ampliado", explica, em declarações à agência RIA Novosti. O financiamento, acrescenta, se faz necessário para fazer reparos no centro, onde algumas partes "não passaram por reformas em 20 anos, dando a impressão de que foram bombardeadas".

Os jovens também se esquivam de trabalhar no centro, um lugar onde "muitos trabalham mais por idealismo do que pelo dinheiro", acrescenta. O programa espacial russo tem visto seu financiamento minguar desde o fim da União Soviética, que no início da era espacial lançou o primeiro satélite na órbita terrestre e enviou o primeiro homem ao espaço.

Para sobreviver, tem levado turistas espaciais dispostos a pagar milhões de dólares para passar curtas estadas na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Mas com o ônibus espacial prestes a se aposentar, a Nasa dependerá, nos próximos anos, das naves russas Soyuz para manter funcionando seu próprio programa espacial tripulado.

Krikalyev é, ele próprio, uma lenda entre os cosmonautas. Veterano com seis voos espaciais no currículo, ele ficou famoso em 1991, quando a União Soviética ruiu, ao retornar à Terra no ano seguinte como cidadão da nova Rússia, após concluir uma longa missão espacial.

AFP
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quarta-feira, 3 de março de 2010

Nasa lançará satélite para observar clima da Terra

Os Estados Unidos lançarão nesta quinta-feira o último de sua série de satélites meteorológicos de alta tecnologia, que observará o desenvolvimento de tempestades e as condições climáticas na Terra a partir do espaço.

A janela de lançamento para o Geostationary Operational Environmental Satellite-P (GOES-P) será aberta às 27H17 GMT de quinta-feira e se fechará uma hora depois, indicou a agência espacial americana em um comunicado.

Um foguete Delta IV levará o satélite até sua órbita, a cerca de 35.406 km da superfície terrestre. A partir do espaço, o GOES-P coletará e enviará à Terra dados que serão utilizados por cientistas para controlar o clima, realizar previsões e emitir advertências sobre incidentes meteorológicos.

O primeiro satélite GOES foi lançado em 1975. GOES-P é o último em uma recente geração de satélites meteorológicos americanos.

AFP
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Plataforma de observação da estação espacial entra em operação

As sete janelas da cúpula foram abertas integralmente pela  primeira vez Foto: Nasa/Divulgação

As sete janelas da cúpula foram abertas integralmente pela primeira vez

Ao primeiro olhar, pode parecer que a Agência Espacial Americana(Nasa) está tentando construir uma espaçonave igual ao Millenium Falcon, mas a nova "cabine de pilotagem" na verdade funciona como uma varanda da frente para os astronautas que estão a bordo da Estação Espacial Internacional.

A parte frontal tem uma cúpula que integra um novo módulo montado na estação espacial durante a atual missão do ônibus espacial Endeavour. As sete janelas da cúpula foram abertas integralmente pela primeira vez na manhã da última quarta-feira, oferecendo aos astronautas vistas deslumbrantes do deserto do Saara (ou será que são do planeta Tatooine?)

Essa nova plataforma de observação oferecerá aos passageiros da estação espacial vistas panorâmicas da Terra, bem como de astronautas que estejam realizando caminhadas espaciais em torno da estação, espaçonaves em rota de aproximação ou corpos celestes.

A cúpula também servirá como estação robotizada de controle para a estação espacial. Os tripulantes nela posicionados serão capazes de operar braços robotizados a fim de conduzir atividades do lado de fora da estação em modo remoto, ou auxiliar os astronautas envolvidos em caminhadas pelo espaço.

Tranquilidade na estação espacial
A nova cúpula de observação da estação espacial é parte de um módulo mais amplo chamado Tranquility. O módulo Tranquility, de US$ 380 milhões, oferece mais espaço à tripulação da estação espacial e abrigará muitos sistemas de controle ambiental e de serviços essenciais da estação.

O Tranquility também servirá de base para o sistema Colbert, ou "correia externa de resistência e transporte combinado de carga", cujo nome é tanto um acrônimo quanto uma homenagem ao apresentador de TV Stephen Colbert. Ainda que o astro de televisão tenha vencido no voto popular o concurso que valeu ao sistema o seu nome, a Nasa mesmo preferiu batizar o módulo de Tranquility, em referência ao Mar da Tranquilidade, o local do primeiro pouso lunar humano, na missão Apollo 11.

Com o Tranquility firmemente fixado à estação espacial, a Nasa reporta que o observatório orbital está agora 90% completo.

Abrindo as persianas da estação espacial
Nicholas Patrick e Robert Behnken foram os astronautas da Nasa que removeram as 'persianas' das sete janelas da cúpula. Durante uma missão externa de cerca de dois horas de caminhada espacial, os dois removeram mantos isolantes e rebites de fixação, que protegeram "a maior janela do espaço" durante o lançamento do Endeavour, em 8 de janeiro.

Kathryn Hire, uma das especialistas a bordo do ônibus espacial, congratulou os dois astronautas "por terem aberto a cortina de uma nova janela para o mundo", de acordo com a rede de notícias CNN.

A Argélia vista da cúpula
Uma das primeiras imagens observadas por meio da cúpula recentemente instalada da estação especial foram as águas azuis do Mar Mediterrâneo ao largo da costa da Argélia.

Também na quarta-feira, o presidente Barack Obama falou por rádio com a tripulação da estação espacial e com os astronautas visitantes do ônibus espacial, para lhes dizer que seu "compromisso para com a Nasa não vacilará", e, acompanhado por um grupo de crianças de escolas locais, lhes fazer perguntas sobre o voo espacial.

"O trabalho maravilhoso que está sendo realizado na Estação Espacial Internacional é testemunho da engenhosidade humana e testemunho da extraordinária coragem e competência que vocês oferecem", disse Obama em sua conversa com os tripulantes, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

Em troca, os astronautas confirmaram, a pedido do presidente, que era mesmo possível ver a Muralha da China do espaço; e disseram que o mesmo valia para a ponte Golden Gate e o Grand Canyon.

The New York Times
The New York Times

China lançará módulo espacial não-tripulado em 2011

A China planeja lançar um módulo espacial não-tripulado em 2011, passo que considera fundamental para a construção de uma estação própria no espaço. Segundo a agência oficial Xinhua, no módulo Tiangong-1 serão acopladas outras partes de uma futura estação.

Qi Faren, ex-desenhista-chefe das naves Shenzhou, disse que o Tiangong-1, que em mandarim significa Palácio Celestial, virará laboratório e píer de aterrissagem para três expedições espaciais futuras. No ano passado, porta-vozes do programa espacial chinês anunciaram que o Tiangong-1 seria lançado no fim de 2010. No entanto, Qi disse que a operação teve que ser adiada devido a problemas técnicos.

Com 8,5 toneladas de peso, o módulo foi projetado para operar de forma autônoma por um longo período de tempo, característica essencial para a construção de uma estação espacial. O objetivo da plataforma, destacou Qi, é estabelecer um "lugar seguro" para que os futuros astronautas da China realizem experimentos científicos e façam pesquisas em um local com gravidade zero.

No entanto, o atraso no lançamento do módulo vai retardar o envio da nave "Shenzhou VIII" ao espaço. Inicialmente, o ônibus seria lançado em 2011, mas a previsão agora é que o primeiro acoplamento no "Tiangong-1" só aconteça no ano seguinte.

EFE
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terça-feira, 2 de março de 2010

Nasa divulga as fotos 'mais detalhadas' da Terra até hoje

A imagem, batizada de Blue Marble (Mármore Azul, em português), foi obtida com a colagem de milhares de fotografias de satélite de regiões do planeta Foto: BBC Brasil

A imagem, batizada de Blue Marble ("Mármore Azul", em português), foi obtida com a colagem de milhares de fotografias de satélite de regiões do planeta

A Nasa, a agência espacial americana, divulgou o que descreveu como as detalhadas imagens da Terra feitas até hoje. As imagens são composições, batizadas Blue Marble ("Mármore Azul", em português) obtidas com a colagem de milhares de fotografias de satélite de regiões do planeta.

Os astrônomos usaram fotografias tiradas do satélite Terra, que orbita a cerca de 700 km acima da superfície do planeta. A Nasa vem fotografando a Terra do espaço desde que os primeiros satélites equipados com câmeras foram lançados, na década de 1960.

Desde então, todo ano a agência americana vem publicando imagens do planeta. As imagens mais famosas até hoje foram as capturadas pelos astronautas da Apollo 17 em 1972.

BBC Brasil
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Considerada ícone cósmico, nebulosa tem filamentos misteriosos

A agência espacial americana, Nasa, divulgou nesta terça-feira informações sobre a composição da nebulosa Caranguejo (nuvem de poeira, hidrogênio e plasma), localizada na constelação de Touro. Segundo estudos recentes, a nebulosa está repleta de filamentos misteriosos.

A nebulosa é um poderoso gerador cósmico capaz de produzir energia equivalente a 100 mil vezes a taxa do Sol. Um dos objetos mais estudados do espaço, ela é considerada pelos astrônomos como um "verdadeiro ícone cósmico".

No interior da formação estelar é registrada intensa atividade. Os cientistas explicaram que, há mil anos, a morte de uma estrela (também conhecida como supernova) criou uma gigantesca explosão que culminou com o nascimento de um objeto denso, chamado estrela de nêutrons. As partículas expelidas por este corpo cósmico possibilitaram o surgimento da nebulosa Caranguejo.

Terremoto do Chile encurtou os dias na Terra, diz Nasa

Reações químicas entre partículas de carbono e oxigênio podem  explicar por que a Terra tem muito menos carbono em suas rochas do que  seria esperado Foto: Getty Images

O terremoto chileno aconteceu nas latitudes abaixo do equador, o que o torna mais eficaz na mudança do eixo do planeta

Cientistas da Agência Espacial Americana (Nasa), afirmam que o terremoto de magnitude 8,8 que atingiu o Chile no dia 27 pode ter reduzido a duração dos dias na Terra. Segundo a Nasa, o terremoto deve ter encurtado a duração de um dia a Terra por cerca de 1,26 microssegundos (um microssegundo é a milionésima parte de um segundo). Os responsáveis pelo estudo fazem parte da equipe do cientista Richard Gross e realizaram um cálculo por meio de complexo modelo computadorizado sobre como o abalo teria modificado a rotação do nosso planeta.

O dado mais impressionante levantado no estudo é sobre o quanto o eixo da Terra foi deslocado pelo terremoto. Gross calcula que o abalo sísmico deve ter movido o eixo do planeta (o eixo imaginário sobre o qual a massa da Terra se mantém equilibrada) por 2,7 milisegundos (cerca de 8 centímetros). Esse eixo da Terra não é o mesmo que o eixo norte-sul.

O cientista afirma que o mesmo modelo computadorizado foi usado para estimar que o terremoto de magnitude 9,1 que atingiu Sumatra em 2004 deve ter reduzido a duração do dia de 6,8 microsegundos e deslocado do eixo da Terra em 2,32 milisegundos (cerca de 7 centímetros).

Segundo o cientista, apesar do terremoto chileno ter sido muito menor do que o terremoto de Sumatra, prevê-se que ele tenha alterado mais a posição do eixo da Terra por dois motivos. Primeiro, ao contrário do terremoto de Sumatra localizado perto do equador, o terremoto chileno aconteceu nas latitudes abaixo dele, o que o torna mais eficaz na mudança do eixo do planeta. Em segundo lugar, a falha responsável pelo terremoto Chileno foi mais profunda e em um ângulo ligeiramente mais acentuado do que a falha responsável pelo terremoto de Sumatra. Isso faz com que a falha no Chile seja mais eficaz para deslocar verticalmente a massa da Terra e, portanto, mais eficaz na sua mudança de eixo.

Os cientistas afirmam, porém, que devem aguardar maior refinamento dos dados para que ter resultados definitivos.

Sonda descobre depósitos de gelo no polo norte da Lua

A sonda lunar indiana Chadrayaan-1, equipada com um radar americano, identificou depósitos de gelo em mais de 40 crateras no polo norte da Lua, informou a Nasa durante uma conferência de ciência planetária no Texas, Estados Unidos.

Outros compostos, como hidrocarbonetos, estão misturados ao gelo lunar, segundo os resultados de uma missão da Nasa ao satélite chamada LCROSS.

As crateras contendo gelo têm diâmetro entre 2 km e 15 km, mas a quantidade de gelo em cada uma delas varia. A Nasa, no entanto, afirma que as camadas de gelo devem ter pelo menos dois metros de espessura para terem sido identificadas pelo radar Mini-Sar, da agência americana, a bordo da sonda indiana.

O cientista Paul Spudis, do Instituto Lunar e Planetário de Houston, estimou que haja pelo menos 600 milhões de toneladas de gelo nessas crateras.

Na sombra
Em comum, as crateras têm grandes áreas onde a luz do sol nunca chega. Em algumas delas, a temperatura pode chegar a 25 Kelvin (248ºC negativos) - mais frio do que a superfície de Plutão - permitindo que o gelo permaneça estável.

"Na sua maioria, é puro gelo", disse Spudis, que "pode estar sob alguns centímetros de regolito (camada de material solto que cobrem a superfície) lunar seco". Esta camada protetora de solo poderia evitar que blocos de puro gelo evaporassem, mesmo em áreas expostas à luz do sol, explicou ele.

Em fevereiro, o presidente americano Barack Obama cancelou o programa criado para levar os americanos de volta à Lua até 2020. Mas, segundo Spudis, "agora podemos dizer com alguma confiança que uma presença humana sustentável na Lua é possível. É possível usando os recursos que encontramos lá".

"Os resultados dessas missões, que vimos nos últimos meses, estão revolucionando totalmente nossa visão da Lua".

Sondas não tripuladas
A Chandrayaan-1 foi a primeira contribuição da Índia para a frota de sondas não tripuladas lançadas à Lua nos últimos anos. O Japão, a Europa, a China e os Estados Unidos também enviaram missões com equipamentos para explorar o satélite em detalhes sem precedentes.

Os cientistas também descobriram que o gelo encontrado na Lua tem procedências e características variadas. Um dos meios mais importantes de formação de água na Lua é pela interação com o vento solar, o fluxo de partículas que se move rápida e constantemente para fora do Sol.

A radiação espacial detona uma reação química na qual átomos de oxigênio já encontrados no solo adquirem núcleos de hidrogênio, formando moléculas de água e a molécula mais simples de hidrogênio e oxigênio (HO). Esta água "adsorvida" pode estar presente em finas camadas cobrindo o solo lunar.

A missão da LCROSS ainda identificou a presença, no solo lunar, de hidrocarbonetos, como etilenos. Segundo o cientista chefe da missão, Anthony Colaprete, do Centro de Pesquisas Ames, da Nasa, os hidrocarbonetos podem ter chegado à superfície lunar trazido por cometas e asteroides - outra fonte vital de água lunar.

Mas, ele acrescentou, algumas dessas formações poderiam ter surgido através de reações químicas entre grãos de poeira inter-estelar acumulados na Lua.

BBC Brasil
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Rússia coloca três novos satélites em órbita

A Rússia coloco em órbita três novos satélites do sistema de navegação por satélite Glonass, que foram lançados na madrugada desta terça-feira da base de Baikonur (Cazaquistão).

Os três satélites, que pesam 1,4 tonelada cada, se soma aos 20 aparelhos do sistema Glonass que já estão em órbita.

AFP
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segunda-feira, 1 de março de 2010

Espanha: telescópio capta rara imagem de estrela de nêutrons

A imagem exibe uma representação artística de um magnetar, que  depois da quebra da superfície, libera energia armazenada em seu potente  campo ... Foto: EFE

Na imagem, uma representação artística de um magnetar, que depois da quebra da superfície, libera energia armazenada em seu campo magnético

O grande Telescópio Canárias (GTC), instalado no Observatório Del Roque de los Muchachos, localizado na Ilha de La Palma, na Espanha, registrou imagens com profundidade sem precedentes de uma estrela de nêutrons, do tipo magnetar. O episódio foi informado pelo Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC), nesta segunda-feira, dia 1.

O GTC, o maior e com tecnologia mais avançada do mundo, foi lançado no dia 24 de julho de 2009, e permitirá aos pesquisadores conhecerem os mistérios da formação do universo através de seu espelho.

A Universidade Autônoma do México, o Instituto Nacional de Astrofísica, Óptica e Eletrônica do país, além da Universidade da Flórida e a União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder) participaram da construção da grande estrutura.

O telescópio é uma ferramenta refletora, com um espelho primário de 10,4 metros de diâmetro, o maior do mundo. Trata-se de um projeto avaliado em 104 milhões de euros, financiado em 90% pela Espanha e 10% com o apoio do México e dos Estados Unidos.

O GTC permitirá revelar segredos ocultos do universo, por captar a luz formando imagens diretas (detectadas pelo olho humano) e imagens espectroscópicas (através de espectrógrafos, que selecionam uma parte da imagem, separando-a nas diferentes longitudes de uma onda).

Acelerador de partículas alcançará potência total em 4 semanas

O Grande Colisor de Hádrons é a maior máquina já construída Foto:  The New York Times

O Grande Colisor de Hádrons é a maior máquina já construída

Após uma curta pausa, os feixes de partículas voltaram a circular na "máquina do Big Bang" que existe sob a fronteira França-Suíça e devem alcançar sua velocidade máxima dentro de duas a quatro semanas, disse uma porta-voz da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (Cern) na segunda-feira. "Tivemos uma parada técnica no Natal e isso acabou. Os feixes estão circulando novamente", afirmou Barbara Warmbein à Reuters.

As colisões com a máxima energia possível, imitando as condições no momento seguinte à criação do universo, 13,7 bilhões de anos atrás, devem ocorrer quando o chamado colisor de hádrons alcançar sua velocidade máxima.

Cientistas de todo o mundo vão vasculhar os resultados em busca da elusiva partícula chamada bóson de Higgs, cuja existência foi prevista há três décadas pelo cientista escocês Peter Higgs para explicar como a matéria se juntou e formou o universo.

"O plano é funcionar com essas energias por 18 a 24 meses, para dar aos experimentadores os dados que eles precisam para trabalhar", disse Warmbein. O Grande Colisor de Hádrons é a maior máquina já construída. Ele chegou a despertar temores infundados de que poderia criar buracos negros capazes de destruir a humanidade, e foi citado também no best-seller "Anjos e Demônios", de Dan Brown.

O aparelho foi ativado pela primeira vez em setembro de 2008, mas parou dez dias depois por causa do superaquecimeento no túnel circular de 27 quilômetros. O projeto atrai milhares de físicos do mundo todo e custa cerca de 10 bilhões de dólares.

Reuters
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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Acelerador de partículas mais potente do mundo volta a funcionar

O LHC, acelerador de partículas mais potente do mundo, capaz de recriar as condições da origem do universo, foi reativado neste domingo, informou a Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN), que o opera. "O LHC voltou a funcionar", anunciou a CERN neste domingo em seu site, indicando que a reativação ocorreu às 04h10 no horário local (03h10 GMT).

O LHC (Large Hadron Collider, ou Grande Colisor de Hádrons) está enterrado a 100 metros de profundidade sob a fronteira franco-suíça, perto de Genebra, e custou 3,9 bilhões de euros. Provocando o choque de prótons em sentido oposto, os cientistas esperam recriar as condições do universo logo após o Big Bang, antes que as partículas elementais se associassem para formar núcleos de átomos.

O LHC foi lançado com grande pompa no dia 10 de setembro de 2008. Pouco tempo depois, sofreu uma avaria, e não voltou a operar até 20 de novembro de 2009, quando funcionou por algumas semanas até parar de novo em dezembro.

No fim de novembro, o LHC alcançou um nível inédito de aceleração, segundo a CERN, com mais de um milhão de colisões de partículas. Os cientistas conseguiram acelerar feixes de prótons a um nível sem precedentes de 2,36 teraeletrovolts (TeV).

Em 2010, o CERN planeja obter colisões a 7 TeV, para recriar as condições dos instantes que se seguiram ao Big Bang, e manter este nível entre 18 e 24 meses.

AFP
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Divulgada imagem do mais brilhante berço de estrelas

A NGC 346 é a região de formação estelar mais brilhante na nossa  vizinhança galática  Foto: ESO/Divulgação

A NGC 346 é a região de formação estelar mais brilhante na nossa vizinhança galática

O Observatório Europeu (ESO) divulgou nesta quarta-feira a imagem da NGC 346, a região de formação estelar mais brilhante na nossa vizinhança galática. Na imagem, aparece a Pequena Nuvem de Magalhães, situada a cerca de 210 mil anos-luz na direção da constelação de Tucano. As informações são da ESO.

A radiação, vento e calor emitidos por estrelas de grande massa dispersam o gás brilhante no interior e em redor deste grupo estelar, formando uma estrutura nebular que se assemelha a uma teia de aranha. Tal como outros cenários astronómicos de igual beleza, a NGC 346 encontra-se em permanente mutação. Nesse berço estelar, à medida em que mais e mais estrelas se formam a partir da matéria dispersa na região, elas começam a brilhar e alteram a imagem desta região reluzente.

A NGC 346 tem cerca de 200 anos-luz de comprimento, ocupando uma região no espaço que é cerca de cinquenta vezes a distância entre o Sol e as suas companheiras estelares mais próximas.

Segundo a ESO, a NGC 346 é classificada como um enxame estelar aberto, o que indica que toda esta ninhada estelar teve origem na mesma nuvem de matéria em colapso. A nebulosa associada, que contém um grupo de estrelas brilhantes, é conhecida como uma nebulosa de emissão, o que quer dizer que o gás no seu interior foi aquecido pelas estrelas até o ponto de emitir a sua própria radiação, da mesma forma que o gás néon utilizado nos sinais luminosos das lojas.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Apesar do mau tempo, Endeavour aterrissa na Flórida

EUA - 0h20  - A nave  Endeavour  aterrissa no Centro Kennedy, em  Cabo Canaveral, na Flórida, após cumprir missão na Estação Espacial  Internacional. A ... Foto: AFP

A nave aterrissou no Cabo Canaveral apesar do mau tempo

A tripulação da nave Endeavour conseguiu aterrissar nesta segunda no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, apesar do mau tempo que chegou a ameaçar o desvio da aterrissagem para a base aérea de Edwards, na Califórnia.

A nave, que desenvolveu uma missão de 14 dias na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), para onde viajou carregada com um novo módulo, pôde aterrissar no centro Kennedy após a Nasa (agência espacial americana) constatar que a situação meteorológica, que ameaça com chuvas e céu encoberto na Flórida, era mais estável do que estava previsto.

A aterrissagem aconteceu às 22h20, na hora local (0h20 de segunda-feira de Brasília), como estava previsto. Nesta missão viajaram o comandante da nave George Zamka, de origem colombiana, acompanhado pelo piloto Terry Virts, e os especialistas Nicholas Patrick, Robert Behnken, Stephen Robinson e Kathryn Hire.

A missão que a Endeavour acaba de concluir serviu para levar e instalar na ISS um novo módulo, o Tranquility, de construção europeia e dotado de um pequeno luxo, um mirante panorâmico com uma vista privilegiada da Terra e do Espaço.

O Tranquility acrescentou ao complexo orbital um volume de 800 metros cúbicos e nove dormitórios, além da cúpula de seis janelas dos lados e uma em seu extremo superior. A Estação Espacial Internacional, que orbita a Terra a quase 400 quilômetros de altura, fica assim 90% completa depois da instalação do módulo.

EFE
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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Apesar do tempo, Nasa continua com planos para retorno do "Endeavour"

A Nasa (agência espacial americana) mantém os planos para a aterrissagem hoje do ônibus espacial "Endeavour", embora reconheça que há possibilidades de que as condições do tempo alterem o retorno.

Inicialmente, está previsto que a nave, que volta de uma missão de 14 dias na Estação Espacial Internacional (ISS), chegue às 22h20 locais (0h20 de segunda-feira em Brasília) no centro espacial Kennedy, no estado americano da Flórida.

Existe uma segunda oportunidade de aterrissagem no mesmo local às 23h55 locais (1h55 de segunda-feira em Brasília).

Além disso, a Nasa preparou as instalações da base aérea de Edwards, na Califórnia, para que o "Endeavour" pouse ali caso não possa fazê-lo na Flórida. Esta aterrissagem ocorreria já na madrugada de segunda-feira pelo horário local.

O diretor de voos da Nasa, Norm Knight, quis incentivar a tripulação do "Endeavour" ao assegurar que já havia visto condições meteorológicas piores.

Segundo a imprensa americana, a previsão do tempo aponta que as condições piorarão na Flórida, enquanto devem melhorar na Califórnia nas próximas horas.

Caso necessário, o "Endeavour" pode ficar na órbita terrestre até a próxima terça-feira.

EFE
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Tempo ruim ameaça retorno do Endeavour

Os seis astronautas a bordo do ônibus espacial Endeavour têm a previsão de concluir neste domingo a missão de duas semanas na Estação Espacial Internacional (ISS), mas uma tempestade ameaça adiar o retorno à Terra.

O retorno do Endeavour está previsto para este domingo às 22H16 locais (0H16 de Brasília, domingo) no Centro Espacial Kennedy, perto de Cabo Canaveral, Flórida, mas a previsão de chuva e tempo nublado pode provocar o fechamento da pista de pouso.

Condições meteorológicas similares foram previstas para a Base Edwards da Força Aérea na Califórnia, pista alternativa da Nasa para o pouso do ônibus espacial.

A Nasa também pode desviar os astronautas para a pista de White Sands, Novo México.

AFP
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