quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

No espaço ou na Terra: ESA cria ultrassom operado à distância

Um assistente segura o aparelho e controla a pressão contra o paciente, enquanto um especialista, que pode estar a milhares de quilômetros de .... Foto: ESA/Divulgação

Um assistente segura o aparelho e controla a pressão contra o paciente, enquanto um especialista, que pode estar a milhares de quilômetros de distância, controla o exame com um joystick

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) um novo sistema de ultrassom robótico que pode ser operado à distância. Segundo a agência, o aparelho poderia ser utilizado em naves espaciais, mas também serviria para o uso aqui na Terra.

Segundo a agência, o exame é extremamente útil para os médicos, mas pequenas clínicas têm dificuldade em conseguir profissionais capacitados para operar o equipamento. Durante o exame, um assistente segura um aparelho e controla a pressão no corpo do paciente, enquanto o especialista, que pode estar a milhares de quilômetros de distância, controla o exame com um joystick.

Segundo Arnaud Runge, engenheiro e biomédico da ESA, o uso de equipamentos de emergência médica operados à distância é vital para missões espaciais. "Mas Artis (sigla em inglês para Serviço de Tele-Ecografia Robotizada Integrada Avançada) também pode beneficiar uma grande comunidade de usuários terrestres, melhorando o acesso ao serviço de saúde em áreas carentes ou isoladas", diz o pesquisador.

Os pesquisadores estudam a criação de outros exames à distância, mas, segundo a agência, o ultrassom é prioridade, já que fornece muitas informações ao médico e necessita de operadores experientes e bem treinados.

Descoberto 4º planeta na estrela mais próxima do Sistema Solar

Astrônomos canadenses localizaram um quarto planeta que orbita ao redor da estrela HR 8799, a mais próxima do Sistema Solar, segundo os detalhes da observação publicada no último número da revista Nature.

O planeta tem aproximadamente a mesma massa que os outros três planetas que orbitam ao redor da citada estrela, mas os astrônomos ainda não puderam explicar a formação dos quatro. Segundo o cientista Christian Marois, do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, centenas de planetas fora de nosso sistema foram detectados, mas poucos são suficientemente grandes e brilhantes para que seja possível obter imagens diretas.

Há dois anos, Marois e seus colegas divulgaram imagens em infravermelho de três planetas gigantes que orbitavam em torno da estrela HR 8799, que de alguma maneira lembravam os três planetas mais afastados do nosso sistema solar, mas muito maiores, assinala a revista científica.

Marois e seus colegas obtiveram novas imagens, feitas em um período de 15 meses, que revelam a presença deste quarto planeta gigante no sistema HR 8799, mas está mais perto da estrela que os outros três. Estes quatro planetas parecem ter cinco vezes a massa de Júpiter, agregam os astrônomos.

EFE
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Sonda japonesa não consegue entrar na órbita de Vênus

A sonda espacial japonesa Akatsuki fracassou na tentativa de entrar na órbita de Vênus. Foto: AFP

A sonda espacial japonesa Akatsuki fracassou na tentativa de entrar na órbita de Vênus

A sonda espacial Akatsuki fracassou na tentativa de entrar na órbita de Vênus, informou nesta quarta-feira a Agência de Exploração Espacial Japonesa (Jaxa). "Tentamos manobrar para colocar a sonda em órbita, mas chegamos a conclusão de que não foi possível", lamentou a agência em um comunicado oficial.

Segundo a agência Jiji Press, a Jaxa planeja tentar novamente a manobra quando a sonda voltar à posição adequada, entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017.

Lançada no dia 20 de maio pelo foguete H-DA, a Akatsuki - que significa 'alvorada', em japonês - percorreu sem problemas o longo trajeto até Vênus, mas fracassou na tentativa de entrar em uma órbita elíptica, o que lhe permitiria se aproximar a 300 km do planeta.

A missão Akatsuki (ou Venus Climate Orbiter PLANET-C), preparada desde 2001, pretendia completar as informações obtidas pelo Venus Express, o satélite lançado no fim de 2005 pela Agência Espacial Europeia e que chegou ao destino no primeiro semestre de 2006. Os cientistas esperam que a observação do clima de Vênus ajude na compreensão da formação do meio ambiente da Terra.

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Nasa: engorda de plantas com CO2 retardaria aquecimento global

Em um mundo com o dobro de CO2 na atmosfera, as plantas poderiam crescer melhor e auxiliar no esfriamento do planeta, mas não conseguiriam deter ou reverter as mudanças climáticas, anunciou a Nasa esta terça-feira.

Um dos maiores mistérios que os cientistas enfrentam no que diz respeito às mudanças climáticas é como projetá-las no tempo, particularmente em conta da reação da Terra a temperaturas mais quentes, um fenômeno conhecido como "feedback" (retroalimentação).

Sabe-se há tempos que as plantas - que usam dióxido de carbono (CO2), luz solar e água para crescer através da fotossíntese - são capazes de se adaptar a níveis maiores de dióxido de carbono (CO2), ao usar nutrientes de forma mais eficiente e gerar folhas de maior tamanho.

"Este processo é chamado ''regulação para baixo''. Este uso mais eficiente da água e dos nutrientes tem sido observado em estudos experimentais que podem conduzir a um crescimento maior das folhas", explicou a agência espacial americana em um comunicado.

Um estudo da Nasa, descrito na edição desta terça-feira da revista Geophysical Research Letters, calculou que as plantas conseguem reduzir a temperatura planetária em até 0,3º C.

No entanto, esta cifra fica muito abaixo da elevação de 2º a 4,5º C, prevista em diversos modelos sobre o aquecimento global.

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Nasa registra erupção solar de 1 milhão de km

A Nasa - a agência espacial americana - divulgou nesta terça que um filamento solar que estava "serpenteando" em volta do Sol entrou em erupção. O observatório Solar Dinâmico da Nasa registrou a ação em detalhes com luz ultravioleta.

O filamento possui quase 1 milhão de km de comprimento (a circunferência da Terra, no equador, é 40.075 km) e sua proeminência estava visível há duas semanas antes de começar a sair do campo de visão. Filamentos são nuvens de gases suspensas acima do Sol por forças magnéticas e são de movimentação instável.

Sonda japonesa "Akatsuki" se aproxima da órbita de Vênus

A sonda "Akatsuki", a primeira missão espacial japonesa a Vênus, chegou ao seu destino e prepara-se para entrar na órbita do planeta, informou nesta terça-feira a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA).

A entrada em órbita da "Akatsuki" ("Aurora") é uma operação crucial para o êxito da missão japonesa, que tem o objetivo de estudar durante dois anos o clima e os fenômenos atmosféricos do planeta considerado "gêmeo" da Terra.

A sonda já realiza o procedimento para diminuir sua velocidade, o último passo antes de tentar entrar na órbita de Vênus, segundo fontes da JAXA citadas pela agência local "Kyodo". A previsão é a de que os especialistas confirmem no fim desta terça-feira, se a "Akatsuki", agora a cerca de 550 km da superfície de Vênus, teve sucesso na operação. Se o projeto tiver sucesso, será a primeira vez que o Japão colocará uma sonda na órbita de um planeta - excetuando a Terra -, após duas tentativas fracassadas, em 1998 e 2003, de pôr uma sonda na órbita de Marte.

A "Akatsuki" percorreu 520 milhões de km desde seu lançamento a bordo de um foguete, em 21 de maio, desde o Centro Espacial de Tanegashima, no sul do Japão. No início desta terça-feira, o centro de controle da JAXA em Sagamihara chegou a perder contato com a sonda por alguns momentos, informou a agência "Kyodo". Uma vez em órbita, a sonda ajustará sua posição e dará uma volta completa em Vênus em 30 horas, a uma altitude que irá variar entre 550 e 80 mil km sobre a superfície do planeta.

O "Akatsuki" está equipado com cinco câmeras, entre elas uma capaz de filmar além das espessas nuvens sulfúricas e observar a superfície de Vênus, normalmente imersa na escuridão. Assim, entre outros objetivos, deve examinar a possível atividade vulcânica neste planeta rochoso, similar à Terra em tamanho e massa mas com uma pressão 90 vezes maior e uma temperatura de mais de 400ºC.

A nave japonesa irá compartilhar a órbita de Vênus com a sonda Vênus Express, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), que está há mais de quatro anos explorando a atmosfera deste planeta. Para o desenvolvimento da "Akatsuki", de 500 kg, a JAXA investiu 25,2 bilhões de ienes (cerca de 230 milhões de euros).

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Empresa privada dos EUA tentará pôr em órbita cápsula espacial

A empresa americana SpaceX tentará pôr em órbita, na quinta-feira, sua primeira cápsula espacial e trazê-la de volta, em uma prova chave para o futuro dos voos comerciais espaciais. A nave Dragon, que não irá tripulada, tem assentos para sete pessoas e um amplo compartimento de carga. Na viagem, terá como objetivo alcançar a órbita terrestre, retornar e pousar no oceano Pacífico cinco horas depois, informou a companhia.

O lançamento estava oficialmente previsto para esta terça-feira, mas problemas técnicos com o foguete Falcon 9 forçaram a empresa a adiar a decolagem de teste para quinta-feira, segundo o presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell.

"Parece que a primeira tentativa deste voo não acontecerá antes da quinta-feira", disse Shotwell em entrevista coletiva. A cápsula em forma de bala, que algum dia poderá transportar provisões para Estação Espacial Internacional (ISS), será lançada do centro espacial Kennedy, em Cabo Cañaveral (Flórida, sudeste).

A operação tem como objetivo mostrar a habilidade da cápsula de decolar e se separar do foguete Falcon 9, orbitar a Terra, transmitir sinais, receber ordens e em seguida reingressar na atmosfera do planeta para ser recuperada no oceano. Nunca antes uma nave espacial privada realizou esta façanha com sucesso e a operação traz riscos importantes.

Entre eles, a nave deve manobrar em órbita a velocidades de mais de 27 mil km/h, sobreviver a uma abrasadora volta ao planeta e manobrar um pára-quedas de segurança para o pouso no mar. A SpaceX informou em um comunicado que a Dragon, que não tem asas, diferentemente dos ônibus espaciais, controlará seu retorno através de seus "propulsores Draco a bordo, que permitem à nave aterrissar em um local muito preciso, a poucas centenas de metros de seu objetivo".

O presidente americano, Barack Obama, espera que o setor privado ajude a preencher o vácuo deixado assim que a frota de ônibus espaciais da Nasa for retirada de circulação no ano que vem, e até que seja desenvolvida a próxima geração de naves espaciais. Durante este período, os Estados Unidos dependerão das naves russas Soyuz para chegar à ISS.

AFP
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CERN dá novo passo para revelar segredos da antimatéria

O Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) deu um novo e grande passo no desenvolvimento de técnicas que permitam comparar a matéria e a antimatéria e com isso revelar alguns dos segredos melhor guardados do universo.

Desta vez o experimento revolucionário foi o Asacusa, que desenvolveu uma inovadora técnica para estudar a antimatéria, graças a uma armadilha magnética de partículas que conseguiu produzir uma quantidade significativa de átomos de anti-hidrogênio em voo. A ideia é produzir o máximo número possível de átomos de anti-hidrogênio e mantê-los separados da matéria o maior tempo possível para poder estudá-los.

A antimatéria, ou a inexistência dela, é uma das grandes incógnitas do universo, dado que no momento do Big Bang, o início do mundo, a matéria e a antimatéria se produziram da mesma forma. No mundo atual, a antimatéria parece ter desaparecido, e um dos desafios dos cientistas é conseguir entender o que ocorreu há 14 bilhões de anos, no momento da criação do universo.

Os cientistas pretendem comparar a matéria e a antimatéria para determinar se existe alguma pequena diferença entre elas e se esta é a causadora do suposto desaparecimento da segunda. A matéria e a antimatéria são idênticas exceto que têm carga elétrica oposta e se aniquilam quando entram em contato.

O CERN tem uma longa trajetória neste tipo de estudos - a primeira produção de átomos de anti-hidrogênio remonta a 1995 - e é o único no mundo que tem um laboratório que pode recrear este tipo de experimentos.

EFE
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domingo, 5 de dezembro de 2010

Rússia perde 3 satélites do sistema GLONASS lançados no domingo

A Rússia perdeu os três satélites que lançou neste domingo a partir da base de Baikonur, no Cazaquistão, para completar seu sistema de posicionamento global GLONASS, informaram fontes da indústria espacial russa.

"Dados preliminares, o foguete ''Protón-M'' colocou o bloco acelerador com os três satélites em uma trajetória incorreta", disse um representante da indústria espacial russa à agência "Interfax". Em consequência disso, "o bloco acelerador não conseguiu situar os satélites na órbita prevista e com eles entrou na atmosfera".

Outra fonte disse à agência oficial russa "RIA Novosti", que informações preliminares indicam que o bloco acelerador e os satélites caíram em uma região do oceano Pacífico próxima ao Havaí e afastada das rotas de navegação.

"Os especialistas em balística verificaram tudo: o bloco acelerador DM-3 com os equipamentos espaciais não estão na órbita principal", indicou.

O GLONASS, semelhante ao GPS americano, entrou em operação em 1999, mas só agora teria cobertura global.

Em sua composição definitiva, o GLONASS contará com 24 satélites operacionais, oito em cada plano de órbita, além de vários equipamentos reservas em órbita.

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sábado, 4 de dezembro de 2010

Pesquisadora: nova bactéria pode ser forma primitiva da vida

Descoberta também muda a maneira de pensar sobre o que são ambientes habitáveis no universo. Na imagem, o micro-organismo que usa arsênio no lugar de .... Foto: Nasa/Reprodução

Na imagem, o micro-organismo que usa arsênio no lugar de fósforo na constituição de seu DNA

A astrobióloga do Centro Goddard, da Nasa, Pamela G. Conrad, acredita que a nova forma de vida descoberta por cientistas americanos pode ser uma espécie de vida primitiva, uma das primeiras "tentativas" para os seres vivos que se desenvolveram depois. Pamela esteve presente no anúncio oficial da descoberta, na quinta-feira, na sede da Nasa. Em entrevista ao Terra, a astrobióloga afirma que nas primeiras biomoléculas, tanto o DNA quando outras moléculas básicas dos seres vivos, podem ter "experimentado" diversos elementos químicos para sua formação básica.

"Por exemplo, o composto de arsênio não é apenas o metal arsênio, mas é arsênio com oxigênio. Chamamos de arseniato. É muito menos estável quimicamente do que o típico grupo de elementos químicos que se encontra no DNA, chamado fosfato. Portanto, é possível que tenhamos começado por fazer biomoléculas com elementos químicos instáveis como o arseniato e outros. Mas, conforme as moléculas foram aleatoriamente formadas, se degeneraram, e foram novamente formadas, aquelas com elementos mais estáveis foram as que persistiram. Assim, é possível que este micro-organismo seja uma molécula mais primitiva. Mas pode ser uma de muitas", disse a pesquisadora.

A bactéria descoberta pelos pesquisadores é considerada diferente de todos os demais seres vivos conhecidos. Carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre são os seis elementos básicos de todas as formas de vida na Terra. Fósforo é parte da estrutura do DNA e do RNA, as estruturas que transportam as instruções genéticas da vida e é considerado um elemento essencial para todas as células vivas. A bactéria encontrada tem no lugar do fósforo o arsênio, um elemento químico tóxico para os demais seres vivos.

Questionada se os pesquisadores criaram ou alteraram de alguma forma a bactéria, Pamela diz que não. "Ninguém criou nada novo. É algo que já existia neste lago incomum e foi agora observado. Nada foi alterado, foi apenas observado algo que já existia na natureza."

Segundo a Nasa, a descoberta amplia o escopo de busca por vida fora da Terra e vai mudar os livros de Ciência. "Ao procurarmos por vida, tentamos reconhecer a química e a estrutura que basicamente definem a vida. (...) Há seis elementos que normalmente vemos associados à vida: hidrogênio, carbono, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre. Estes seis elementos são universalmente constantes na vida. Mas, quando vemos um organismo com um elemento como o arsênio, pensamos que o arsênio é tóxico e, portanto, provavelmente, não pode haver vida. A partir de agora, quando vermos arsênio, teremos de pensar que pode haver um tipo de vida que use esse elemento químico", diz a astrobióloga.

Por outro lado, teorias já indicavam a possibilidade de que outros elementos químicos poderiam se combinar para formar vida. "A novidade é que agora temos algo específico que podemos observar, e podemos tentar aprender com a estratégia que esse tipo de vida usa a fim de determinar que tipo de caminhos químicos ela pode usar para processar o que está disponível no meio ambiente."

"Nunca havíamos observado algo que incorporasse um elemento químico alternativo ao DNA, a molécula que grava instruções para que os organismos se reproduzam. Se o que foi descoberto se provar estável e pudermos observar isso de forma reproduzível, veremos que esse tipo de molécula não é tão exclusiva, e que talvez possa incorporar outros elementos químicos. Portanto, ao estudarmos poderemos ver os métodos pelos quais as biomoléculas usam outros elementos, o que pode nos proporcionar ideias para maneiras diferentes de procurar por vida", diz a pesquisadora.

Pamela descarta a possibilidade de que a bactéria tenha origem extraterrestre, já que tem várias semelhanças com outros seres na Terra. "Não é um organismo que é feito de algo diferente, mas que incorpora algo que é geralmente tóxico. (...) A diferença é que ele é capaz de sobreviver à presença deste metal tóxico (o arsênio)".

Sobre a possibilidade de o organismo ter uma origem diferente das demais formas de vida da Terra, ela também acha improvável, "mas é difícil saber com certeza". "A maneira pela qual sabemos isso é estudando a composição química hereditária, o DNA, e daí vemos o quão parecido o organismo é com outros micróbios. O organismo descoberto é suficientemente semelhante a outros micróbios, portanto temos bastante certeza de que a sua origem é terrestre", diz.

Por que estudar um lugar onde quase não há vida?
Com uma grande quantidade de arsênio em suas águas, o lago Mono, na Califórnia - onde foi descoberta a bactéria-, tem pouca vida. Apenas algumas plantas sobrevivem presas às suas rochas. Então, por que os pesquisadores foram a esse lugar morto? Segundo Pamela, os poucos seres que vivem lá podem dar pistas de como pode ter sido a vida em outro local do Sistema Solar.

"Este lago é interessante por que é uma bacia que evapora água. Sabemos que Marte costumava ter água estagnada. Portanto, conforme a água foi desaparecendo de Marte, a última porção de água ficava em uma bacia que evaporava. Tentamos entender a química e a mineralogia associadas a uma bacia que está evaporando e procuramos compreender a estratégia de sobrevivência que os organismos encontrados em tal bacia podem usar."

Pamela ainda acredita que a descoberta indica que sabemos muito pouco sobre o nosso próprio planeta. "Muitas pessoas especulam que pode haver metabolismos ou estratégias de vida estranhos ou alternativos que ainda não foram observados. Acho que seria muito pretensioso se algum cientista acreditasse que já observamos tudo que a natureza tem a oferecer. Prevejo que ainda observaremos muitas coisas incomuns com relação à vida."

Pesquisadora: vida extraterrestre pode ser irreconhecível

Um time de quatro pesquisadores, liderados por Felisa Wolfe-Simon (à esq.), que descobriu o micro-organismo, liderou a coletiva de impresa da Nasa .... Foto: Divulgação

Pamela (dir.) participa de anúncio de descoberta na sede da Nasa, na quinta-feira

Pamela G. Conrad, astrobióloga do Centro Goddard, da Nasa, disse em entrevista ao Terra que acredita que a descoberta de uma nova forma de vida, baseada em arsênio, indica que os seres vivos fora da Terra podem ser tão diferentes que poderemos nem reconhecê-los quando estudamos outros astros. Pamela esteve presente no anúncio oficial da descoberta, na quinta-feira, na sede da Nasa. Questionada se conseguiria reconhecer um ser extraterrestre, Pamela afirma:

"Acho que seremos capazes de reconhecer algo que não é material terrestre. Se a vida for tão diferente da encontrada na Terra ao ponto de não sabermos quais são as pistas que devemos procurar, podemos não reconhecê-la. Se pensarmos da maneira mais ampla possível sobre como a vida pode parecer e desconsiderarmos as observações de tudo que temos certeza de que não é vida, é possível que encontremos vida extraterrestre. Mas grande parte da Ciência é sorte, e temos que contar com isso também."

Para a astrobióloga, a Nasa tem um alvo, bem próximo da Terra (em escala astronômica), para procurar vida. "Estamos, é claro, muito interessados em Marte, pois é nosso vizinho mais próximo. Foi 'feito' na mesma época que a Terra. Como tem um ambiente muito diferente do ambiente terrestre atual, gostaríamos de saber se já houve vida lá. Estudaremos isso com a Missão do Laboratório de Ciência de Marte, que será lançada em março de 2011", diz.

Pamela, além de astrobióloga, é mineralogista e estuda as moléculas e minerais estáveis da superfície de Marte para comparar a evolução primitiva do planeta vermelho com o nosso. Ela já participou de sete expedições às zonas polares, duas a águas profundas do oceano Atlântico e uma ao Pacífico para estudar os seres que sobrevivem nos extremos da Terra. Sobre as pesquisas desses seres encontrados em locais inóspitos, como desertos, gelo e lagos tóxicos, ela explica:

"Queremos entender ambientes extremos por que na Terra temos uma variação de temperatura relativamente moderada, mas em Marte a variação é bem maior. O mesmo acontece em Titã (uma das luas de Saturno), onde é bem mais frio; cerca de -140° C. Logo, ao estudarmos outros lugares do Sistema Solar que apresentem condições bem mais extremas em temperatura, pressão ou composição química do que a Terra, precisamos entender como aquele lugar se desenvolveu de modo diferente e o que isso significa para uma possibilidade de existir vida em tal lugar."

Outra forma de procurar vida fora da Terra é pesquisar ondas de rádio. Nesse caso, os pesquisadores estão procurando inteligência extraterrestre e esperam captar alguma comunicação entre esses seres. "A maneira pela qual eles examinam o espectro é ampla. Eles sabem que alguns dos comprimentos de ondas são parecidos com raios cósmicos galácticos de plano de fundo e de outros fenômenos astronômicos e tentam localizar sinais que não pareçam ser estas radiações de plano de fundo", diz Pamela.

Sobre os relatos de objetos voadores não identificados (ovnis), abduções e outros casos que envolveriam a presença de vida alienígena na Terra, a pesquisadora disse que não há provas, mas nada pode ser desconsiderado. "Ainda não temos nenhuma prova concreta. Um bom cientista nunca desconsidera nada, mas avalia e verifica se há prova que suporte uma alegação. Até agora, na literatura científica, não há prova de que ETs tenham visitado a Terra. Mas acredito que todos os cientistas estão abertos para encontrar evidências disso."

Por fim, a pesquisadora, ao ser questionada qual seria sua maior realização como astrobióloga, afirma: "gostaria de encontrar um tipo de vida que não exista na Terra."

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Lançamento do Discovery é adiado para o ano que vem

A Nasa alterou a data do lançamento da nave Discovery nesta sexta-feira para 3 de fevereiro de 2011, após sete adiamentos devido a diferentes erros técnicos, o último por conta de fendas detectadas no tanque de combustível externo.

O administrador adjunto para Operações Espaciais da Nasa, Bill Gerstenmaier, anunciou nesta sexta-feira que a equipe de técnicos trabalhou contra o tempo nas últimas semanas, mas não poderá cumprir os prazos para que o Discovery parta em 17 de dezembro, como estava previsto.

As fendas foram detectadas no dia 5 de novembro durante o processo de abastecimento do tanque de combustível, quando a nave já estava na plataforma de saída.

Desde então, o tanque foi submetido a inúmeras revisões, mas não foi possível determinar a causa das fendas.

Os especialistas temem que a espuma que protege o tanque, construído com uma liga de metais de alumínio e lítio, saia por alguma dessas fendas e danifique a parte exterior da nave quando estiver no espaço.

Segundo Mike Suffredini, diretor do programa da Estação Espacial Internacional (ISS) no Centro Johnson de Voos Espaciais da Nasa em Houston (Texas), foram especuladas outras datas em janeiro mas se optou por fevereiro porque é necessário ajustar o calendário com outras missões.

Inicialmente estava previsto que o Discovery partiria para a ISS no dia 1º de novembro, o que seria sua última missão antes de ser retirado de circulação pela Nasa.

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Colisões a 10 trilhões de °C no LHC devem ser estendidas

Novos dados sobre as origens do universo estão sendo lançados com tanta rapidez que os físicos talvez estendam a fase inicial atual do projeto "Big Bang" até o fim de 2012, afirmaram os diretores do centro de pesquisas Cern. O experimento, que ocorre no Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), tem alcançado temperaturas recordes de 10 trilhões de °C.

A extensão, a ser decidida no final de janeiro, poderá levar a uma descoberta precoce sobre o mistorioso bóson de Higgs, que se acredita tenha transformado a massa amorfa de partículas em matéria sólida no nascimento do cosmos.

"Há uma grande janela para novas descobertas se abrindo e queremos garantir que a oportunidade desses últimos meses seja mantida," disse o diretor-geral do Cern, Rolf Heuer, supervisor dos experimentos no Grande Colisor de Hádrons (LHC).

"Este ano confirmamos tudo o que pensávamos que sabíamos sobre o universo físico e agora estamos nos movendo para um território novo," acrescentou o diretor de pesquisas do centro, Sergio Bertolucci. "Estamos nos voltando para os desconhecidos sabidos e também para coisas sobre as quais talvez nem tenhamos pensado."

Heuer e Bertolucci falaram enquanto os engenheiros do Cern começavam a desligar o LHC e seu enorme detector de magnetos - que fazem as partículas colidirem à velocidade da luz e formam o maior projeto científico do mundo. A máquina gigante e subterrânea ficará desligada até fevereiro para ajustes finos durante o inverno.

Os especialistas do Cern relataram na quinta-feira a um auditório lotado de pesquisadores - jovens, em sua maioria - a recriação de um "plasma quark-glúon" que se acredita ter sido a totalidade do cosmos uma fração de segundo depois do Big Bang, há 13,7 bilhões de anos.

Pela primeira vez, a atividade das duas partículas elementares dentro do plasma foi rastreada e um fenômeno chamado "atenuação de jatos," observado, dando pistas sobre como a matéria se transformou nas estrelas, nos planetas e, por fim, na vida na Terra.

Os resultados foram obtidos após apenas alguns dias de colisão de íons no LHC a energias ultra-elevadas produzindo temperaturas por vezes 500 mil vezes mais altas do que o núcleo do sol.

Reuters
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Arma que mata sem destruir: morre inventor da bomba de nêutrons

Samuel T. Cohen, inventor da bomba de nêutrons, transformada em uma arma capaz de matar pessoas e deixar edifícios intactos, faleceu aos 89 anos de idade, informou seu filho, Paul. Cohen morreu no último domingo enquanto dormia.

Samuel Cohen defendeu sua bomba - fabricada depois de receber o aval do presidente americano Ronald Reagan durante a Guerra Fria e em seguida desmontada - até o fim. A bomba de nêutrons "é a arma mais sã e moral" que há, costumava afirmar.

"É a única arma nuclear da história que faz sentido", já que "quando a guerra termina, o mundo continua intacto", disse Cohen ao jornal The New York Times pouco antes de sua morte. A bomba emite partículas diminutas que atravessam muros, blindagens e outras barreiras físicas e destróem as células, matando rapidamente os seres vivos.

AFP
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CORREÇÃO: pesquisadora: nova forma de vida tem origem comum

Diferentemente do que foi publicado anteriormente pelo Terra na notícia Pesquisadora: nova forma de vida tem origem comum à humana, no dia 3 de dezembro, às 8h34, as "Hortas" são criaturas fictícias do seriado Star Tek que têm vida com base em silício, e não silicone. A informação foi corrigida no mesmo dia, às 9h40.

Em lago onde foi achada nova forma de vida, quase nada sobrevive

Lago possui altíssima concentração de arsênio, o que, até hoje, acreditava-se impossibilitar a vida. Foto: AFP

Lago possui altíssima concentração de arsênio, o que, até hoje, acreditava-se impossibilitar a vida

O lago Mono, no leste da Califórnia, tornou-se na quinta-feira, 2 de dezembro, um dos pontos mais comentados do mundo. Tudo porque pesquisadores do Estado do Arizona, financiados pela Nasa, descobriram uma nova forma de vida até então diferente dos padrões tradicionais conhecidos.

O local é conhecido mundialmente pela hipersalinidade e pela altíssima concentração de arsênio, um dos "venenos" mais notórios do planeta. Além de algumas espécies de plantas, que sobrevivem grudadas às rochas que estão por todo o Mono, não se tinha conhecimento de qualquer outro tipo de vida que sobrevivesse a este ambiente hostil. Pelo menos até a descoberta anunciada nesta quinta-feira do micro-organismo que utiliza o próprio arsênio como constituínte básico do seu DNA em vez do tradicional fósforo.

Acredita-se que o lago Mono exista há mais de 700 mil anos e que possua profundidade aproximada de 270 m. Apesar de a região ser um refúgio natural para passáros e insetos, segundo informa o site da organização que cuida deste paraíso natural, www.monolake.org, nem mesmo um peixe é capaz de sobreviver nas águas altamente alcalinas do lago.

Pesquisadora: nova forma de vida tem origem comum à humana

Essa descoberta não é sobre o Lago Mono nem sobre arsênio, mas sim sobre pensar sobre a vida em um contexto diferente, afirmou a Felisa Wolfe-Simon. Foto: Lígia Hougland/Terra

"Essa descoberta não é sobre o Lago Mono nem sobre arsênio, mas sim sobre pensar sobre a vida em um contexto diferente", afirmou Felisa Wolfe-Simon

"É uma descoberta incrível - o equivalente a quando, em Star Trek, encontraram "Horta" criaturas fictícias que têm vida com base em silício e não carbono", afirmou Mary Voytek, diretora do programa de astrobiologia da Nasa, durante a entrevista coletiva para apresentar o novo micro-organismo descoberto pela agência espacial americana, realizada na quinta-feira, em Washington.

A autora do estudo, Felisa Wolfe-Simon, acredita que o novo micro-organismo faz parte da árvore da vida e, teoricamente, tem a mesma origem que o tipo de vida que conhecemos. "Mas está fazendo algo diferente, e não sabemos como, por que e nem como evoluiu", disse.

Os pesquisadores da Nasa que realizavam testes com organismos encontrados no Lago Mono, na Califórnia, descobriram o primeiro micro-organismo na Terra que é capaz de sobreviver e se reproduzir usando arsênio, uma substância tóxica. Além disso, o arsênio substitui o fósforo nos componentes celulares desta nova forma de vida.

Até agora, o campo da biologia acredita que todos os tipos de vida exigiam seis elementos: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre.

"É a primeira exceção a esta regra e, frequentemente, quando encontramos uma exceção a uma regra, podemos encontrar outras exceções", disse Wolfe-Simon, responsável pela descoberta.

Segundo Wolfe-Simon, ela optou por testar como os micro-organismos coletados no lago californiano reagiam ao arsênio porque esta substância é muito parecida com o fósforo, mas as células ficam confusas por causa de sua toxicidade. Foi uma surpresa para a autora do estudo verificar que uma das amostras sendo testadas não somente resistiam ao arsênio como também prosperavam.

"Quando vi o micro-organismo pela primeira vez, eu estava descontraída ouvindo música alta no laboratório e fui olhar no microscópio, não esperando encontrar nada vivo. Foi uma grande surpresa e achei que tinha cometido um erro. Verifiquei tudo novamente e conclui que devia falar sobre isso com os meus colegas", disse a pesquisadora.

O Lago Mono é rico em arsênio e, segundo os pesquisadores, há diversos outros ambientes semelhantes a este espalhados pelo planeta, inclusive lagos na Argentina, onde provavelmente é possível encontrar este mesmo tipo de micro-organismo recém descoberto.

"Quero ressaltar que essa descoberta não é sobre o Lago Mono nem sobre arsênio, mas sim sobre pensar sobre a vida em um contexto diferente", afirmou a Wolfe-Simon.

"Não sei se Felisa descobriu uma exceção à evolução, mas ela descobriu uma exceção à nossa expectativa de como os organismos realizam metabolismo", afirmou Pamela Conrad, astrobióloga da Nasa.

Os pesquisadores também não sabem como este micro-organismo reage com o meio-ambiente, mas pretendem explorar seu impacto ecológico nos próximos meses.

"Esta descoberta sugere muitas coisas interessantes sobre a vida na Terra e, potencialmente, para a vida fora do nosso planeta", disse Wolfe-Simon.

Buraco da camada de ozônio sobre a Antártida é o menor em 5 anos

O buraco da camada de ozônio sobre a Antártida se reduziu ao seu menor tamanho nos últimos cinco anos, indicou nesta sexta-feira o Instituto Nacional de Água e Pesquisa Atmosférica da Nova Zelândia. Os cientistas calcularam que o tamanho do buraco é de 22 milhões de km quadrados, dois milhões menos que em 2009, ao passo que em 2000, ano quando foi registrado o maior tamanho, era de 29 milhões.

O déficit da massa de ozônio também se reduziu, a 27 milhões de toneladas, sensível melhora se comparado com as 35 milhões de toneladas de 2009 e as 43 milhões de 2000. "Podemos dizer que o buraco na camada de ozônio está melhorando de acordo com as observações deste ano", disse o cientista Stephen Wood, que apontou que as iniciativas internacionais como o Protocolo de Montreal, de 1987, estão dando resultados.

A camada de ozônio, que protege das radiações ultravioleta, diminuiu, segundo os cientistas, pelo efeito de produtos como o clorofluorcarbono (CFC), utilizados em refrigeradores e aerossóis, proibidos a partir do acordo de Montreal.

EFE
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Procura de ser vivo com arsênio no DNA acontecia desde 2009

Na imagem, pesquisadores recolhem do lago tóxico Mono, na Califórnia, ainda na fase de estudos sobre a possibilidade da descoberta de vida dentro do .... Foto: AFP

Pesquisadores recolhem lama do lago Mono, na Califórnia, ainda na fase de pesquisas

Para os pesquisadores da Nasa que anunciaram nesta sexta-feira, nos EUA, a descoberta do primeiro ser vivo que não possui fósforo em sua constituição do DNA, e sim arsênio, é impressionante. A procura por este micro-organismo, no entanto, acontece desde 2009.

A pesquisadora e líder do estudo, Felise Wolfe-Simon, afirmou que, em conjunto com os pesquisadores Ariel Anbar e Paul Davies, liderou um grupo de estudos em 2009 que partia da hipótese de que o arsênio poderia substituir o fósforo na constituição de alguns seres vivos. "Nesse sentido, a descoberta anunciada hoje é fruto de um estudo completamente direcionado", comentou Felise.

A suposição da pesquisa surgiu da proximidade do arsênio ao fósforo na tabela periódica. A discussão sobre esta possibilidade é ainda mais antiga e é conhecida, no mundo científico, como "vida estranha".

Os pesquisadores acrescentaram que a descoberta é apenas um pequeno passo para a Astrobiologia, a Ciência que busca fundamentos para a vida extraterrestre. Anbar salientou ainda que reconhece que será necessário dar um grande salto para se descobrir vida fora da Terra.

Com informações da agência AFP.

Redação Terra

Pesquisadora: outros elementos químicos podem formar vida

A descoberta de Felise abre uma nova perspectiva sobre o que é necessário para a constituição de vida dentro e fora do planeta Terra. Foto: AFP

A descoberta de Felisa abre uma nova perspectiva sobre o que é necessário para a constituição de vida dentro e fora do planeta Terra

A descoberta da Nasa, anunciada às 17h desta sexta-feira, de um micro-organismo que cresce em um meio altamente tóxico dentro do próprio planeta Terra, quebra os padrões pré-estabelecidos e introduz uma nova visão à exploração de vida extraterrestre. Para os pesquisadores da Nasa, a descoberta amplia as possibilidades de vida na medida em que permite pensar que outros elementos químicos podem desempenhar as mesmas funções em um organismo que o fósforo, por exemplo.

Fruto de um estudo feito para a revista Science pela pesquisadora Felisa Wolfe-Simon, o anúncio aconteceu para contar ao mundo como um micro-organismo conseguiu se desenvolver em um dos mais notórios venenos da Terra, o arsênio. Ela também contou que, desde 2009, ela e mais dois colegas lideram um grupo de estudos que cogitava a possibilidade do arsênio, que aparece diretamente abaixo do fósforo na tabela periódica, pudesse substituir o fósforo na constituição básica da vida terrestre.

A nova forma de vida encontrada no lago Mono, na Califórnia, nos EUA, não só encontrou neste meio aparentemente hostil uma maneira de crescer, como incorporou o arsênio em seu DNA. "Todas as formas de vida que conhecemos se compõem, principalmente, de seis elementos: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo", afirmou Felisa Wolfe-Simon.

Teoricamente, não há razão pela qual outros elementos não poderiam ser usados em vez dos "eleitos" pela natureza para constituir a vida. Só que a Ciência nunca havia encontrado nenhum ser vivo que os usasse. "Talvez haja outras exceções sobre as quais devamos pensar a respeito", acrescentou a pesquisadora.

Na prática, a descoberta traz uma nova perspectiva sobre o que é necessário para criar uma vida. "O estudo significa que ainda não sabemos tudo o que precisamos sobre as condições essenciais para sustentar a vida", comentou ao brincar que as escolas, a partir de hoje, precisarão mudar seus livros ditádicos no que se refere à constituição da vida.

No entanto, as evidências ainda são muito incipientes para conclusões concretas e, principalmente, sobre outras formas de vida possíveis fora do planeta Terra. "A forma como o arsênio se introduz na estrutura das biomoléculas não está clara, e não conhecemos os mecanismos pelos quais operam tais moléculas", finalizou Felisa.

Com informações das agências AFP, EFE e Reuters.

Redação Terra

Pesquisadores ainda não sabem como nova vida foi possível

Um time de quatro pesquisadores, liderados por Felisa Wolfe-Simon (à esq.), que descobriu o micro-organismo, liderou a coletiva de impresa da Nasa .... Foto: Divulgação

Felise Wolfe-Simon (à esq.), líder da pesquisa no Mono Lake, comentou que estudo ainda está em estágio incial

A equipe de pesquisadores que liderou a coletiva de impresa da Nasa, realizada às 17h desta sexta-feira, afirmou que ainda não é possível saber como substituição do fósforo pelo arsênio aconteceu no novo micro-organismo encontrado no Mono Lake, na Califórnia.

Para Felise Wolfe-Simon, pesquisadora que descobriu a nova forma de vida, todas as evidências encontradas até o momento ainda estão em um estágio muito inicial. "Não estamos sugerindo que exista um mundo todo novo de seres constituídos pelo arsênio. Não é isso. Tudo ainda é muito novo", afirmou.

A Nasa anunciou nesta quinta-feira a descoberta de uma nova forma de vida, diferente de todas conhecidas até hoje. Agora, os pesquisadores descobriram que essa forma de vida contém arsênio até no DNA. Segundo os pesquisadores, a descoberta aumenta as chances de se descobrir vida fora da Terra.

Diretora da Nasa: se estão decepcionados, sinto muito

O organismo foi descoberto em lago tóxico na Califórnia, nos Estados Unidos, e é capaz de usar arsênio em vez de fósforo em seu metabolismo . Foto: Nasa/Reprodução

Forma de vida foi descoberta em lago tóxico nos Estados Unidos

O anúncio da Nasa feito nesta quinta-feira (2), em Washington, sobre a descoberta de uma nova forma de vida encontrada em um lago tóxico da Califórnia teve forte repercussão na internet. Por outro lado, muito gente se mostrou frustrada, já que se esperava o anúncio da descoberta de vida fora da Terra. Os pesquisadores da agência espacial comentaram essa expectativa.

"Esta é uma descoberta fenomenal. Se as pessoas estão decepcionadas, sinto muito. Mas é uma descoberta que fundamentalmente muda como vemos, definimos a vida e talvez seremos capaz de encontrar um ET agora", diz Mary Voytek, diretora do programa de Astrobiologia da Nasa.

"Até hoje se pensava que todas as formas de vida precisavam de fósforo e este micróbio substitui fósforo por arsênio. Isso é profundo. O que mais poderemos encontrar?", diz a pesquisador Felisa Wolfe-Simon. "A definição de vida acabou de ser ampliada", diz Ed Weier, administrador da Nasa da missao de ciência.

No Brasil, a notícia gerou frustração entre os tuiteiros. Como a Nasa havia divulgado que iria anunciar informações relativas à vida extraterrestre, muitos estavam na expectativa de que a descoberta estivesse relacionada a seres mais evoluídos fora do Planeta Terra. O tuiteiro @izzynobre, por exemplo, publicou que a Nasa está "fazendo esse estardalhaço pq ela sofre dificuldade de garantir fundos de pesquisa e quer mostrar bom trabalho (sic)."

A informação se espalhou rapidamente pelo Twitter em todo o mundo. Às 17h, momento em que a agência iniciou a coletiva de imprensa, a quantidade de tweets contendo a palavra 'NASA' chegou a 1,48% de toda twittosfera, de acordo com a ferramenta Trendistic. Pela manhã, chegou a 0,52% do total. Segundo o Google Trends, o termo 'arsenic lifes', que diz respeito à substância na qual o microorganismo descoberto pela Nasa suporta, foi um dos mais buscados na web pelos internautas dos EUA.

No Twitter, a expressão 'Nasa finds' ocupou os Trending Topics Worldwide, a lista de assuntos mais comentados da rede de microblogs. Nos Estados Unidos e Canadá, a expressão também figurou como uma das mais tuitadas. Na América Latina, a hashtag #revelacionasa foi amplamente usada nos tweets dos chilenos. E #anuncionasa, na Argentina. De acordo com a ferramenta Topsy, os tweets publicados pelo perfil oficial da Nasa foram retuitados, em média, 700 vezes cada.

Pesquisador: nova forma de vida é "ET" vivendo entre nós

Astrônomo explica descoberta de vida feita pela Nasa


A Nasa - a agência espacial americana - divulgou, em coletiva na tarde desta quinta-feira, a descoberta de um organismo diferente de todos os conhecidos anteriormente vivendo na Terra. A descoberta expandirá a procura de vida em outros planetas. A nova forma de vida teria origem distinta do ancestral comum que gerou a vida no nosso planeta.

Segundo Douglas Galante, coordenador do Laboratório de Astrobiologia do Hemisfério Sul, o AstroLab, na Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao Terra, a descrição dessa bactéria "é de um 'ET' vivendo entre nós, porque possui um metabolismo diferente de todos os organismos da Terra". Para Galante, "é só a pontinha do iceberg da quantidade de organismos que não conhecemos e que são diferentes de tudo já conhecido".

O estudo foi realizado por Felicia Wolfe-Simon, cientista da Nasa. O organismo descoberto em lago tóxico na Califórnia, nos Estados Unidos, é capaz de usar arsênio ao invés de fósforo em seu metabolismo - todas as formas de vida do planeta, do menor micro-organismo ao maior animal, são capazes de metabolizar com seis componentes - carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre (chamados pela sigla CHONPS). O novo organismo substitui o fósforo por arsênio, que é extremamente venenoso ao humano.

Para Galante, a descoberta "nos força a expandir os conceitos sobre o que é vida". "Agora, sabemos que existem outros organismos que podem usar outros elementos", completou. Galante explica que o arsênio, em humanos, pode ser confundido pelas células, a impedindo de respirar, o que a mata por falta de energia, por necrose. O fósforo está presente em diversas moléculas no interior da célula - forma a estrutura do DNA, é a molécula base do ATP (transporte de energia)-, e faz parte do transporte de proteína e lipídios. O arsênio se parece com o fósforo, tendo o tamanho de átomo parecido, por exemplo, o que faz as células se confundirem.

A forma de vida descoberta possui metabolismo completamente diferente, incorporando o arsênio em suas moléculas mais baixas. É o primeiro organismo que pode construir material genético diferente do DNA. Pode ser visto, segundo Galante, ou como um "ET entre nós" ou como "um primo muito distante".

O lago em que o organismo foi descoberto está isolado do oceano, com os sais ficando depositados nele. Assim, os elementos se concentram com a evaporação do lago, e a salinidade e seu PH aumentam. Hoje, a salinidade desse lago é, em média, 3 vezes maior que dos oceanos, e o PH é 10 - o humano varia entre 6 e 7. A quantidade de oxigênio dissolvida na água é baixa. Mas já se sabia de organismos que conseguem sobreviver nesse lago - algumas algas, por exemplo. São organismos conhecidos como "extremófilos", por viver em situações extremas.

Galante acredita que a prioridade deva ser a continuação da procura na Terra. Para ele, menos de 1% da biodiversidade terrestre é conhecida. Ele conta que o financiamento para novas pesquisas fora da Terra devem continuar, apesar dos boatos de que o anúncio foi realizado sob grande alarde para buscar novos investidores. Para ele, a campanha de marketing funcionou muito bem, com as mídias sociais sofrendo uma "enxurrada" de comentários. "Muita gente no mundo inteiro se voltou para a coletiva", falou.

Nasa confirma descoberta de nova forma de vida

Descoberta amplia noção do que é 'vida', diz astrônomo


A Nasa confirmou nesta quinta-feira em Washington a descoberta de uma forma nova de vida encontrada em um lago tóxico na Califórnia. Segundo os pesquisadores, eles encontraram um "micro-organismo vivo diferente do conceito de vida que conhecemos até hoje", diz pesquisadora da Nasa.

"Até hoje se pensava que todas as formas de vida precisavam de fósforo e este micróbio substitui fósforo por arsênio. Isso é profundo. O que mais poderemos encontrar?", diz a pesquisadora Felisa Wolfe-Simon. "A definição de vida acabou de ser ampliada", diz Ed Weier, administrador da Nasa da missão de Ciência.

"Esta é uma descoberta fenomenal. Se as pessoas estão decepcionadas, sinto muito. Mas é uma descoberta que fundamentalmente muda como vemos, definimos a vida e talvez seremos capaz de encontrar um ET agora", diz Mary Voytek.

A Nasa diz que a descoberta de uma bioquímica alternativa vai mudar livros de Ciência e a ampliar o escopo da busca pela vida fora da Terra. Carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre são os 6 elementos básicos de todas as formas de vida na Terra. Fósforo é parte da estrutura do DNA e do RNA, as estruturas que transportam as instruções genéticas da vida e é considerado um elemento essencial para todas as células vivas.

Fósforo é um componente central da molécula que transporta energia em todas as células (adenosina trisfosfato) e também os fosfolipídios que formam todas as membranas das células.

Essa forma de vida descoberta utiliza o arsênio no lugar do fósforo. O arsênio é elemento quimicamente parecido com o fósforo, mas venenoso para a maioria das vidas na Terra.

Segundo os pesquisadores, a descoberta abre toda uma nova variedade de perguntas, com respeito à exploração espacial, isso é muito importante, pois mostra que ainda não sabemos o que pode ser tolerado em outros ambientes. "Temos que pensar em possibilidades de encontrar vida que aguentam coisas que não conseguiríamos aguentar", diz Mary Voytek, diretora do programa de Astrobiologia da Nasa.

Felisa afirma que temos que pensar em vida em qualquer contexto, como o lunar ou em outro planeta. Segundo a pesquisadora, há sim fósforo nesses micro-organismos, mas em uma quantidade muito pequena, que não seria suficiente para a vida.

"(Esta descoberta leva a) possibilidades de organismos que possam viver sem fósforo e poderá se desenvolver toda uma nova tecnologia de bioenergia sem usar fósforo", diz James Elser, professor da Universidade do Estado do Arizona.

Projeto do Google usa satélites para ajudar a proteger florestas

A tecnologia do Google, chamada de Earth Engine, reúne grandes quantidades de imagens de florestas feitas por satélites . Foto: Reprodução

A tecnologia do Google, chamada de Earth Engine, reúne grandes quantidades de imagens de florestas feitas por satélites

O Google revelou nesta quinta-feira uma tecnologia para ajudar a criar confiança entre países ricos e pobres sobre projetos criados para proteger as florestas tropicais do planeta. A medição do sucesso de planos contra desmatamento em lugares como Amazônia, Indonésia e Congo sempre foi uma tarefa difícil por causa de doenças de árvores, corrupção e corte ilegal de madeira em áreas vastas e remotas que não podem ser monitoradas em terra por cientistas.

O futuro desses planos é importante para as negociações sobre o clima global em Cancún, que acontecem até 10 de dezembro, porque a destruição das florestas é responsável por até 17% das emissões de gases causadores do efeito estufa produzidos pelo homem.

A tecnologia do Google, chamada de Earth Engine, reúne grandes quantidades de imagens de florestas feitas por satélites dos Estados Unidos e França que são analisadas em centrais compartilhadas de processamento de dados por meio da tecnologia de computação em nuvem. O sistema permite que cientistas monitorem florestas a partir de seus próprios computadores em questão de minutos ou segundos em vez de terem de esperar horas ou dias.

O Google também quer vender, eventualmente, acesso aos aspectos avançados da ferramenta para operadores do mercado de créditos de carbono, autoridades e pesquisadores da área florestal.

Acordos globais entre nações para proteção de florestas têm sido retardados pela falta de transparência e fracasso com os Estados Unidos para aprovação de uma legislação climática que teria impulsionado o mercado global de crédito de carbono.

Mas os negociadores em Cancún acreditam que as conversas poderão avançar sobre um plano mundial chamado de Emissões Reduzidas a partir de Desflorestamento e Degradação (Redd, na sigla em inglês), no qual países ricos financiariam recursos para países pobres e em desenvolvimento para a ajudar na proteção e restauração de florestas.

O Google espera que sua ferramenta ajude a acelerar a cooperação para a instituição do Redd. "Como uma nação doadora consegue um nível de conforto sobre o que está sendo registrado em projetos de proteção florestal é realmente o que está acontecendo?", disse Rebecca Moore, gerente do Earth Engine durante as negociações do clima promovidas pela ONU.

"O que é legal sobre o ambiente de computação em nuvem é que tanto países doadores como em desenvolvimento têm agora as mesmas ferramentas e os mesmos dados" para analisar evidências sobre a eficácia de projetos de proteção, afirma Rebecca.

Estados Unidos, Japão, Noruega e outras nações ricas prometeram nas negociações do clima do ano passado, em Copenhague, US$ 3,5 bilhões para financiar o desenvolvimento do Redd, cifra que poderá crescer no futuro.

Gerry Steinlegger, um especialista suíço que trabalha para o World Wildlife Fund, disse que ferramentas mais poderosas de análise por satélite cortam dramaticamente os custos de monitoramento de florestas em terra. Ele afirmou ainda que as ferramentas deverão ajudar países a confiar uns nos outros e a trabalharem juntos.

"No final, é disso que se trata as negociações globais do clima: como monitorar e verificar o que está acontecendo em termos de emissões e esse projeto fornece consistência." A Google.org, unidade filantrópica da gigante das buscas online, vai doar 10 milhões de horas de computação do Earth Engine para países em desenvolvimento nos próximos dois anos enquanto o mundo tenta chegar a um acordo que vai suceder o Protocolo de Kyoto sobre aquecimento global.

Reuters
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Expectativa por anúncio da NASA gera um link por segundo

O anúncio da Nasa, a agência espacial norte-americana, da divulgação de uma descoberta ligada à busca de vida extraterrestre causou uma movimentação fora do comum nas redes sociais e na web em geral. O Terra transmite ao vivo, às 17h (horário de Brasília), o anúncio da Nasa.

Segundo o Google Trends, no início desta tarde acontece a publicação de um novo link por segundo contendo a palavra 'NASA' em redes como Twitter, Facebook e MySpace.

Já no dia 30 de novembro, quando a novidade foi comentada pela primeira vez, a quantidade de tweets contendo a palavra 'NASA' era de 0,15% em todo o mundo, uma quantidade que pode ser considerada mediana, pelas medições da ferramenta Trendistic. Nesta quinta (02), poucas horas antes do comunicado oficial, o percentual de tweets subiu para 0,52%, o que corresponde a 3,5 mil tweets entre as 13 e as 14 horas (horário de Brasília).

O nome da agência aparece nos Trending Topics mundiais e dos Estados Unidos desde o início desta tarde, pela expressão 'NASA Finds'. A expectativa ao redor das informações sobre vida extraterrestre se espalha por toda a Internet. É possível perceber o buzz através da ferramenta Google Trends, que aponta os assuntos mais procurados na busca do Google. No final da manhã no Brasil a expressão 'nasa life' ocupava a segunda posição do ranking.

Conheça a Astrobiologia, a Ciência que busca vida extraterrestre

Reprodução artística mostra superfícia de Titan, lua de Saturno. Foto: Divulgação

Reprodução artística mostra superfícia de Titã, lua de Saturno, que poderia abrigar vida

Angela Joenck Pinto

A busca pela vida fora da Terra, fugindo dos estereótipos criados pelo cinema, é o trabalho dos astrobiólogos, que procuram compreender a origem, evolução, distribuição e destino da vida no Universo. Para atingir este objetivo, é necessário um esforço de pesquisadores de diferentes áreas que, trabalhando juntos, resolvem problemas dos campos da astronomia, física, química, biologia e geologia.

No Brasil, a Astrobiologia está apenas começando. Em 2006, o País teve o seu primeiro workshop na área, atraindo cerca de 80 pesquisadores interessados e com projetos já em andamento. Logo em seguida, foi montado o primeiro grupo de estudos em Astrobiologia do Brasil, cadastrado no CNPq sob o nome Astrobio Brazil e coordenado pelos professores Eduardo Janot Pacheco (IAG-USP) e Claudia Lage (UFRJ).

Em 2009, a USP começou a construção do primeiro laboratório de Astrobiologia do Hemisfério Sul, o AstroLab. Segundo o atual coordenador, professor Douglas Galante, o intuito do projeto é ser um laboratório multidisciplinar e multi-institucional para o estudo da vida em ambientes extremos terrestres e para simulações de ambientes extraterrestres.

"Enquanto o laboratório está sendo montado, temos usado grandes aceleradores para estudos de simulações, como o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, e o síncrotron Diamond, no Reino Unido", disse o cientista. "Nosso grupo também colabora em outros projetos, como o lançamento de um experimento de Astrobiologia em um sonda de espaço profundo, que ficará três anos viajando até um asteroide (missão Aster) e em estudos de microbiologia ambiental, trabalhando e coletando amostras da Antártica, Atacama, Andes, Amazônia e fundo dos mares", afirmou.

Para Galante, um dos fatores interessantes da Astrobiologia é que ela não é ramo formal da Ciência. "É um campo de estudo, no qual os diferentes ramos tradicionais podem conversar e buscar soluções em conjunto para perguntas muito complicadas, como: qual a origem da vida? Quais os limites para existência de vida? Existe vida fora da Terra? O que acontecerá com a vida na Terra no futuro?", falou.

"Por isso, um Astrobiólogo pode ser um biólogo trabalhando com um organismo capaz de sobreviver na Antártica, mas transpondo seus resultados para saber como tal organismo sobreviveria em Marte ou Encélado (lua de Saturno). Ou um astrônomo estudando como a radiação de diferentes estrelas interage com um planeta e possibilita que se formem as primeiras moléculas necessárias para a vida, como os aminoácidos", completou o professor.

Mesmo com o interesse crescente no tema, não há cursos de graduação em Astrobiologia, apenas poucos programas de pós-graduação específicos na área, mas fora do Brasil. Por isso, Douglas Galante afirma que a melhor opção é escolher um curso relacionado com a área e com o viés de maior interesse do aluno, seja ela Biologia, Astronomia, Química ou similares.

"É preciso procurar ter uma formação interdisciplinar e fazer iniciação científica em um projeto relacionado com Astrobiologia desde o início. E estudar muito, pois é importante ter uma sólida formação na sua área específica e uma visão geral de todas as outras. Depois, fazer uma pós-graduação com um pesquisador com interesse em Astrobio e um tema de pesquisa na área", disse.

Grandes projetos
Graças a sua característica multidisciplinar, a Astrobiologia tem projetos para todos os gostos. Na Astronomia, as grandes iniciativas estão focados na busca de exoplanetas, ou planetas orbitando estrelas fora do Sistema Solar. Em especial, o interesse é a busca de planetas parecidos com a Terra.

"Com os telescópios atuais podemos apenas buscar planetas grandes, do tamanho de Júpiter, mas com a próxima geração de equipamentos, tanto os grandes telescópios em terra (telescópio de 30m, ELT, etc) quanto telescópios no espaço (Telescópio Espacial James Webb, Plato, etc) já seremos capazes de detectar planetas do tamanho da Terra. Uma vez detectados o próximo passo será medir a composição química da possível atmosfera desses planetas, na tentativa de encontrar gases que sejam indicativos da presença de vida", explica Galante.

Em Biologia, os avanços têm sido no estudo da vida como ela existe na Terra, e através dos seus limites, explicar se a vida poderia existir em outros planetas. Por isso, vários biólogos têm estudado a vida em ambientes extremos - desertos, pólos, vulcões, fundo dos oceanos, fundo da terra - pois esses organismos, os extremófilos - seriam capazes de sobreviver ao estresse imposto pelas condições espaciais ou de alguns planetas, como Marte.

Em Química, um dos grandes problemas é estudar a origem da vida e das moléculas pré-bióticas, mostrando como os átomos se organizaram para formar moléculas mais complexas e eventualmente formar um organismo vivo. Já em Ciências Espaciais há as grandes missões de exploração dos corpos do Sistema Solar, em especial Marte, para estudar sua geologia e buscar sinais da existência passada ou presente de vida.

Nasa gera expectativas
A Nasa - a agência espacial americana - criou expectativas ao anunciar para esta quinta-feira uma entrevista à imprensa sobre uma descoberta científica ligada a vida extraterrestre. Douglas Galante aposta na possibilidade do anúncio ser relativo à descoberta de um organismo - uma bactéria - capaz de usar arsênico ao invés de fósforo em seu metabolismo.

"O fósforo é um elemento chave no metabolismo de todos os seres vivos terrestres, e está presente no DNA, nas proteínas e no ATP, a molécula de energia celular. Até hoje, achava-se que ela era essencial para a existência de vida, junto com carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre (formando a sigla CHONPS). Essa descoberta mostra que a vida é ainda mais versátil do que imaginávamos, e que podem existir seres aqui na Terra completamente diferentes do que conhecemos, verdadeiros ETs vivendo entre nós. E também aumenta a possibilidade de vida fora da Terra, pois agora o arsênico também é uma opção, além do fósforo. Claro, isso vale apenas para alguns microrganismos, por enquanto", completou.

Nasa descobriu nova forma de vida, dizem holandeses

Segundo site holandês, Nasa descobriu forma nova de vida no lago Mono, nos Estados Unidos. Foto: Getty Images

Segundo site holandês, Nasa descobriu forma nova de vida no lago Mono, nos Estados Unidos

O site holandês NOS afirmou na quarta-feira que a Nasa - a agência espacial americana - descobriu uma forma nova de vida. Os cientistas teriam encontrado em um lago tóxico, onde a vida seria impossível por causa do arsênico presente na água, na Califórnia, um tipo de bactéria com características diferentes das encontradas em todas os outros seres vivos na Terra. Segundo o site, o anúncio da descoberta será feito na sede da Nasa, em Washington, às 17h (horário de Brasília). O Terra transmite ao vivo.

A Nasa causa suspense com o anúncio, programado para as 17h (de Brasília) desta quinta-feira de uma "impactante descoberta" sobre a busca de vida extraterrestre. Segundo o site holandês, a agência vai divulgar hoje a descoberta desta bactéria.

De acordo com os holandeses, todas as formas de vida do planeta, do menor micro-organismo ao maior animal, têm seis componentes - carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre -, que se combinariam em "blocos". A bactéria que a Nasa teria descoberto, não.

A descoberta, afirma o site, aumenta a probabilidade de existência de seres vivos em outro local do universo, já que a vida não depende desses seis componentes básicos, como pensávamos até agora.

Qual é a diferença?
O brasileiro Douglas Galante, coordenador do Laboratório de Astrobiologia da Universidade de São Paulo (USP) afirmou, em entrevista ao Terra, que também acredita na possibilidade do anúncio ser relativo à descoberta de um organismo - uma bactéria - capaz de usar arsênico ao invés de fósforo em seu metabolismo.

"O fósforo é um elemento chave no metabolismo de todos os seres vivos terrestres, e está presente no DNA, nas proteínas e no ATP, a molécula de energia celular. Até hoje, achava-se que ela essencial para a existência de vida, junto com carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre (formando a sigla CHONPS). Essa descoberta mostra que a vida é ainda mais versátil do que imaginávamos, e que podem existir seres aqui na Terra completamente diferentes do que conhecemos, verdadeiros ETs vivendo entre nós. E também aumenta a possibilidade de vida fora da Terra, pois agora o arsênico também é uma opção, além do fósforo. Claro, isso vale apenas para alguns microrganismos, por enquanto", completou.

NASA anuncia novidade sobre vida extraterrestre; Terra transmite

A Nasa, agência espacial norte-americana, anuncia na tarde desta quinta-feira uma descoberta em astrobiologia que vai "impactar a busca de evidências de vida extraterrestre", segundo comunicado da própria agência. A entrevista coletiva, na sede da instituição em Washington, começa às 17h (horário de Brasília), e terá transmissão ao vivo pelo Terra.

Os porta-vozes da descoberta serão a diretora do Programa de Astrobiologia da Nasa, Mary Voytek, a pesquisadora Felisa Wolfe-Simon, a astrobióloga, Pamela Conrad, Steven Benner, da Fundação para a Evolução Molecular Aplicada (Gainesville) e James Elser, professor da Universidade do Estado do Arizona.

A astrobiologia é o estudo da origem, evolução, distribuição e futuro da vida no universo.

Conheça o Seti, o instituto que busca vida fora da Terra

O Instituto Busca por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) busca "explorar, entender e explicar a origem, natureza e prevalência de vida no Universo", segundo descrição da própria instituição. O Seti é uma organização privada mantida por empresas, pessoas físicas e órgãos governamentais.

O instituto foi fundado em novembro de 1984 e entrou em operação em fevereiro de 1985. Hoje, são 150 profissionais que atuam na organização, entre cientistas, educadores e equipe de suporte.

O Seti é formado por um centro para educação e divulgação pública e dois centros para a pesquisa - um dedicado à busca por inteligência fora do nosso planeta e o centro Carl Sagan para o Estudo da Vida no Universo.

Conheça Titã, lua de Saturno que pode abrigar vida

Reprodução artística mostra superfícia de Titan, lua de Saturno. Foto: Divulgação

Reprodução artística mostra superfícia de Titan, lua de Saturno

Titã é uma lua única de Saturno. É, por exemplo, o único corpo fora da Terra a ter uma uma superfície estável o suficiente para abrigar substâncias em estado líquido, segundo indicam estudos. Contudo, o mar de Titã não é constituído de água, e sim de uma mistura de metano, etano e, talvez, nitrogênio líquidos a uma temperatura de aproximadamente -184°C.

A vida em Titã seria, inclusive, baseada em metano. Neste ano, a Nasa - a agência espacial americana - anunciou evidências de vida nessa lua. Segundo a agência, o astro é o único conhecido fora da Terra a possuir características químicas para abrigar vida.

Em junho, a Nasa disse ter descoberto uma variação na quantidade de recursos, como hidrogênio, na superfície de Titã. Duas pesquisas feitas tiveram resultados diferentes, sendo que a primeira mostrou uma maior quantidade que a segunda. Os cientistas acreditam que esses recursos tenham sido consumidos pela forma de vida presente no satélite natural.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nasa cria suspense sobre descoberta ligada a vida extraterrestre

A Nasa, a agência espacial americana, vem causando efervescência, principalmente na internet, ao anunciar para esta quinta-feira uma entrevista à imprensa sobre uma descoberta científica ligada a vida extraterrestre.

"A Nasa realizará uma coletiva de imprensa às 14h (17h, horário de Brasília) na quinta-feira, dia 2 de dezembro, para discutir uma descoberta em astrobiologia com consequências para a pesquisa de provas da existência de vida extraterrestre", informou a agência em seu site na Internet. A coletiva acontecerá em Washington.

Os apaixonados pelo espaço e pelos extraterrestres fizeram uma enxurrada de especulações na web sobre a importância deste anúncio, mas a Nasa não quis dar mais detalhes até o momento.

Entre as pessoas que falarão na quinta-feira estão Mary Voytek, que dirige o programa de astrobiologia da Nasa, Felisa Wolfe-Simon, pesquisadora em astrobiologia no USGS (Instituto de Geofísica Americano), bem como Pamela Conrad, astrobióloga do Centro Espacial Goddard da Nasa.

A astrobiologia é uma disciplina que estuda a vida no universo, incluindo sua origem e evolução, sua localização e as chances de ela se perpetuar.

AFP
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Cientistas conseguem analisar atmosfera de "superTerra"

Astrônomos do centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, nos Estados Unidos, conseguiram pela primeira vez analisar a atmosfera de uma "superTerra", nome dado a exoplanetas rochosos maiores que nosso planeta, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira.

O avanço é considerado um passo fundamental na busca por planetas em outros sistemas solares com potencial de abrigar formas de vida reconhecíveis, afirmaram os pesquisadores. "Alcançamos um marco no caminho para caracterizar estes mundos", comemorou Jacob Bean, professor do centro, que coordenou o estudo.

O exoplaneta em questão, batizado de GJ 1214b, está a 42 anos-luz - 400 trilhões de km - do nosso sistema solar, e é 2,6 vezes maior que a Terra. Descoberto no ano passado, o GJ 1214b orbita uma estrela pequena e de brilho fraco, o que facilita a obtenção de dados sobre sua atmosfera pelos cientistas, capazes assim de analisar a luz que a atravessa antes de chegar até onde estamos.

Descoberto no ano passado, o GJ 1214b orbita uma estrela pequena e de brilho fraco, o que facilita a obtenção de dados sobre sua atmosfera pelos cientistas, capazes assim de analisar a luz que a atravessa antes de chegar até onde estamos. O comprimento de onda da luz revela especificidades da composição química e do clima da atmosfera.

USando o Telescópio Muito Grande (VLT, na sigla em inglês), do Observatório Europeu do Sul (ESO, também em inglês)- instalado em La Silla, no Chile, Bean e sua equipe conseguiram reduzir o escopo de possibilidades da atmosfera do explaneta de três para duas. A primeira hipótese é de que o GJ 1214b seja coberto por água - provavelmente em estado gasoso, devido à proximidade entre o exoplaneta e seu sol. A outra possibilidade é que o GJ 1214b seja um exoplaneta rochoso em cuja atmosfera predomina o hidrogênio, com nuvens altas ou neblina encobrindo o céu.

O que as observações provaram é que este exoplaneta não é um "mini-Netuno", com um pequeno núcleo rochoso e uma atmosfera profunda e rica em hidrogênio. "Embora não possamos dizer ainda exatamente do que é feita a atmosfera, é um passo animador no sentido de nos tornarmos capazes de eliminar opções para um mundo tão distante, ficando entre gasoso ou enevoado", explicou Bean.

Seja qual for o caso, é menos provável que o GJ 1214b abrigue formas de vida. "Este planeta é quente demais para ser considerado habitável", disse Bean. "Nas regiões da atmosfera onde a pressão é semelhante ao que vemos ao nível do mar na Terra, estimamos que as temperaturas cheguem a mais de 500°C".

A órbita do GJ 1214b em torno de sua estrela é de 38 horas, da qual dista apenas 2 milhões de km, 70 vezes mais perto que a Terra do Sol. Apesar disso, este exoplaneta é menor, mais frio e mais parecido com a terra do que qualquer outro já identificado até hoje.

A maioria dos mais de 500 exoplanetas descobertos até hoje são "Júpiteres quentes", apelido que se deve a suas massas gasosas e enormes, além das altíssimas temperaturas. Mas, com a evolução dos instrumentos de observação, os astrônomos começaram a identificar cada vez mais exoplanetas rochosos semelhantes ao nosso.

"Estamos trabalhando para encontrar e caracterizar as atmosferas de planetas potencialmente habitáveis", indicou Bean. "Ainda não chegamos lá, mas o objetivo é possível na perspectiva da próxima década". A atmosfera da Terra é composta por 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% de outros gases.

AFP
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Astrofísico sugere que "raios em bola" podem explicar óvnis

A visão de alguns objetos voadores não identificados pode ser explicada por fenômenos atmosféricos, como o chamado de "raio em bola", diz o astrofísico australiano Stephen Hughes.

O cientista fez um detalhado estudo sobre um evento incomum ocorrido em 2006, quando grandes meteoros foram observados no céu de Brisbane, na Austrália. Sua aparição ocorreu ao mesmo tempo em que um objeto brilhante e verde foi visto sobre montanhas da região.

Hughes criou uma teoria relacionando o objeto - supostamente um raio em bola, fenômeno raro que às vezes se segue a relâmpagos - aos meteoros. A ideia de Hughes é que a passagem de um dos meteoros pode ter desencadeado momentaneamente uma conexão elétrica entre a atmosfera e o solo, provendo energia para que um raio em bola "altamente luminoso" aparecesse sobre as montanhas. Sua explicação está descrita na revista especializada Proceedings of the Royal Society.

Fenômenos elétricos
O cientista diz que o extraordinário episódio, testemunhado por diversas pessoas, fez com que muitas acreditassem ter visto um óvni. "Se você une fenômenos atmosféricos não explicados, talvez de natureza elétrica, à psicologia humana e ao desejo de ver algo - isso pode explicar a visão de óvnis", disse Hughes.

O cientista, da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, começou o estudo após ter sido chamado por uma TV local para explicar as fotos da bola de fogo tiradas por cidadãos comuns. As bolas de fogo são meteoros particularmente luminosos e produzidas por fragmentos de rocha espacial e que, assim como estrelas cadentes, cruzam o céu a uma alta velocidade. Pelo menos três delas foram vistas no leste australiano na noite de 16 de maio de 2006.

Depois, um fazendeiro local afirmou ter visto uma bola luminosa verde descendo uma encosta perto de Brisbane. O fazendeiro pensou inicialmente que se tratasse de um avião se acidentando, mas uma busca policial não encontrou destroços.

Um raio em bola parece ser uma explicação óbvia para a bola verde, disse Hughes. Essas brilhantes esferas de luz não são totalmente compreendidas - geralmente são associadas a relâmpagos, mas não havia registros de tempestade elétrica na noite de 16 de maio de 2006. Hughes não oferece novas explicações sobre as causas do raio em bola, mas levanta a hipótese de que a passagem dos meteoros tenha provocado atividade elétrica na região.

Outro cientista, John Abrahamson, da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, que estudou os raios em bola, considerou a teoria de Hughes "relativamente verossímil" e com "conexões interessantes". Mas, ressaltou, "falta muito até que todos estejam satisfeitos com a solução (para o mistério associado a óvnis)". Hughes disse que seus estudos têm o objetivo de iniciar um debate sobre o tema. "Não é uma teoria vigorosa, é mais uma sugestão que pode valer a pena que seja explorada", explicou

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