quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Explosão de estrela explica funcionamento do universo

A localização da supernova também dá pistas sobre o tamanho e a idade do universo. Foto: BBC Brasil

A localização da supernova também dá pistas sobre o tamanho e a idade do universo
Foto: BBC Brasil

A explosão de uma estrela traz pistas sobre o passado e o futuro do universo. O fenômeno chamado de supernova consiste na explosão de uma estrela, que irá espalhar uma nuvem de metais pelo espaço.

A matéria dará origem a novos astros, assim como ocorreu no chamado Big Ben, bilhões de anos atrás. Segundo a física britânica Renee Hlozek, a localização da supernova também dá pistas aos astrônomos sobre o tamanho e a idade do universo.

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EUA não possuem astronautas suficientes para voos, diz estudo

Os Estados Unidos não possuem astronautas suficientes para satisfazer as diferentes necessidades dos voos espaciais tripulados nos próximos anos, disse nesta quarta-feira o Conselho Nacional de Pesquisa (US-NRC), uma entidade privada que assessora nas questões de política científica.

A redução do corpo de astronautas carrega um risco para o investimento americano em voos espaciais tripulados, e a Nasa deve tomar medidas para aumentar sua tripulação de voos espaciais, advertiu um relatório do NRC, um organismo das Academias Nacionais dos Estados Unidos.

"Visto como uma cadeia de fornecimento, a seleção e a formação de astronautas é muito sensível a falhas críticas", disse o copresidente do NRC, Frederick Gregory, ex-comandante de três missões de ônibus espaciais.

"Os astronautas que estão capacitados para funções e missões específicas não podem ser substituídos facilmente", disse Gregory, também ex-administrador adjunto da Nasa. Em seu auge em 1999, em plena era do ônibus espacial e da construção da Estação Espacial Internacional (ISS), a Nasa mantinha cerca de 150 astronautas. Mas em 2011, com o fim do programa de ônibus espaciais, o número caiu para 61.

A Nasa estabeleceu um requisito mínimo de 55 a 60 astronautas ativos até 2016, para quando se espera que o setor privado tenha testado uma nova cápsula espacial capaz de levar novamente humanos a uma órbita terrestre baixa.

As missões tripuladas ao espaço profundo, a Marte ou a um asteroide, estão previstas a partir de 2025. Estes voos exigirão mais capacitação, estadias mais longas no espaço, uma maior exposição à radiação e um maior risco de problemas médicos ou esgotamento, que podem provocar a aposentadoria antecipada de astronautas ou incapacitá-los para voar em missões futuras.

Embora agora menos astronautas voem por ano em comparação com a era do ônibus espacial - de um máximo de 28, este número cairá para uma média de seis -, os Estados Unidos precisam de mais astronautas capacitados, disse o NRC.

AFP
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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Astronautas preparam ISS caso seja preciso abandoná-la em novembro

Os astronautas da estação espacial americana (Nasa) já começaram algumas tarefas para deixar a Estação Espacial Internacional (ISS) nas melhores condições caso seja necessário abandoná-la em novembro. Os astronautas americanos Mike Fossum e Ron Garan, dois dos seis membros da atual tripulação permanente do complexo espacial, indicaram em um encontro com a imprensa retransmitido pela Nasa que ainda é cedo, mas "há muito trabalho a fazer".

A equipe de terra trabalha nos planos de contingência caso a estação tivesse que operar sem tripulação por um tempo, depois que a falha de um foguete russo similar aos que impulsionam as naves Soyuz tenha obrigado a deter os lançamentos. Os astronautas ainda não têm instruções concretas, mas optaram por antecipar o trabalho com pequenos preparativos, como gravar em vídeo algumas de suas tarefas e formar rapidamente a tripulação que voltasse a iniciar a ISS.

"As equipes em Houston estão nos períodos preliminares de decidir tudo, desde qual ventilação vamos deixar funcionando, que luzes vamos deixar acesas, em que condições ficará cada experimento, cada tanque, cada válvula, cada escotilha, há muito que fazer", disse o veterano Fossum.

O motivo
No dia 24 de agosto um cargueiro espacial não-tripulado se chocou pouco após seu lançamento por causa de uma falha no foguete propulsor Soyuz-U, o mesmo utilizado pelas naves Soyuz, as únicas com as quais se podem realizar as substituições de tripulação desde que os Estados Unidos retiraram suas naves espaciais. A agência russa Roscosmos suspendeu temporariamente as missões que tinha previsto até encontrar a causa do problema neste modelo de foguete, que falhou pela primeira vez após 30 anos ao serviço da agência espacial russa.

EFE
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Nasa divulga imagens inéditas da superfície lunar

Esta é uma das imagens capturadas pela sonda. Elas são consideradas as mais nítidas feitas da superfície lunar. Foto: Nasa/Divulgação

Esta é uma das imagens capturadas pela sonda. Elas são consideradas as mais nítidas feitas da superfície lunar
Foto: Nasa/Divulgação

A Nasa apresentou nesta terça-feira uma coleção de imagens feitas pelas câmeras da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), revelando alguns vestígios deixados pelas missões Apolo e também comprovando a presença do homem na Lua. As imagens capturadas pela sonda são as mais nítidas feitas do espaço.

Nas fotos é possível visualizar o rastro das missões Apolo 12, 14 e 17, tanto dos lugares nos quais elas pousaram, assim como as pegadas que os astrounautas deixaram ao explorar a superfície lunar. Em entrevista coletiva, as imagens foram apresentas por Jim Green, diretor da Divisão de Ciência Planetária da Nasa; Mark Robinson, principal pesquisador do LRO na Universidade do Arizona, e Richard Vondrak, cientista do projeto LRO no centro espacial Goddard, da Nasa, localizado em Greenbelt, Maryland.

As novas fotografias permitirão aos especialistas seguir os passos dos astronautas com mais clareza. O objetivo é encontrar o local onde foram recolhidas as amostras da Lua trazidas à Terra, além de desmentir as afirmações de que os humanos nunca viajaram à Lua, indicaram os cientistas.

Os especialistas mostraram as marcas das antigas missões Apolo ao pousar, assim como os rastros que os astronautas deixaram quando saíram do módulo lunar e foram explorar a pé a superfície rochosa. Inclusive pode-se ver a última rota realizada por humanos na Lua.

Além de impactante, as imagens também terão grande utilidade científica, assegurou Green. Isso porque as fotos vão facilitar visualmente uma possível comparação entre as rochas na Terra com a das áreas ainda não exploradas, como as imagens da LRO. Essa é uma grande chance para dar continuidade ao processo de cartografia da Lua, sendo possível obter mais precisão ao determinar novos lugares de aterrissagem em missões futuras.

A missão da LRO, iniciada em 2009 para encontrar possíveis lugares de aterrissagem para naves tripuladas, foi ampliada com o envio de uma bateria de 1,5 mil imagens para análise dos cientistas. A precisão dos instrumentos ajuda na montagem de um mapa da superfície lunar em três dimensões e alta resolução, além de fazer um exame ultravioleta do satélite.

Um dos detalhes revelados é um rastro em forma de "L", que marca a localização dos cabos que ligavam a nave matriz até o lugar onde os astronautas do Apolo 12 colocaram o experimento ALSEP para medir o meio ambiente lunar e seu interior.

Os engenheiros da Nasa modificaram a órbita do LRO, que é ligeiramente oval, para conseguir a máxima resolução das imagens. Dessa forma, a sonda desceu de uma altura de 50 km para 21 km ao passar sobre a superfície lunar.

A nave espacial se manteve nesta órbita durante 28 dias, tempo suficiente para que a Lua fizesse seu movimento rotativo completo, permitindo uma cobertura total da superfície pela câmera. A nave espacial voltará à sua órbita habitual nesta terça-feira e antecederá o lançamento da missão "Grail" (sigla de Gravity Recovery Interior Laboratory), prevista para ser lançada na quinta-feira. O objetivo da nova missão da Nasa é investigar o campo de gravidade da Lua.

http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5333871-EI301,00-Nasa+divulga+imagens+ineditas+da+superficie+lunar.html#tvideo

EFE
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

'Caçador de meteoritos' dedica a vida a buscar pedras espaciais

Eles percorrem o planeta na busca de fragmentos de matéria cósmica que caem na superfície da Terra; são "caçadores de meteoritos", uma tarefa à qual se dedicam de corpo e alma muito poucas pessoas no mundo, entre elas o espanhol José Vicente Casado. "Encontrar meteoritos é minha forma de viver, esse é meu trabalho", afirma José, que em entrevista à agência Efequis "desmistificar" algumas das lendas que circulam ao redor destas rochas do espaço.

"As pessoas veem continuamente meteoritos por todas as partes e, além disso, pensam que são enormes, que um vai cair em cima de nós e vai nos extinguir", resume. Na sua opinião, acredita-se que são abundantes, mas achar um é "algo extraordinário", porque embora se veja uma estrela fugaz no horizonte e se presuma que esteja perto, pode cair a milhares de quilômetros.

José, da província de Leão, que há mais de 15 anos "caça" meteoritos e tem uma coleção de aproximadamente 120 peças - a mais completa da Espanha - acrescenta que no mundo todo não deve haver mais do que 20 pessoas que tenham tal profissão. Sua rotina habitual de trabalho consiste em se deslocar a zonas desérticas da África e da América do Sul, onde é mais fácil perceber a presença destas rochas, já que não existe vegetação para as esconder. No entanto, também encontrou meteoritos na Espanha, como os que achou na província de Palencia em 2004, em uma região de montanhas, circunstância que dificultou sua busca.

O maior pesava meio quilo, mas o habitual é que sejam pequenos, explica, porque quando um meteorito entra em contato com a atmosfera explode e provoca uma espécie de chuva de pedras. A este respeito, assinala que todos os dias caem entre 20 e 40 t de pó cósmico na superfície da Terra, embora meteoritos propriamente ditos devem ser em torno de 20 por ano.

"Aparentemente são pedras mais do que normais e é preciso usar um pequeno microscópio para comprovar se são boas. Às vezes achamos que são e não o são e outras vezes ocorre o contrário", diz. Acerca do custo econômico desta atividade, José Vicente Casado ressalta que para ele e para seus companheiros, as expedições não representam uma despesa muito alta porque eles viajam com restrição de gastos e, se necessário, dormem ao relento.

As peças recolhidas por José são usadas em exposições ou doadas para institutos científicos para estudos, o que, em suas palavras, pode acabar tendo inclusive "mais valor" do que se obteria ao vendê-las. Uma destas exposições será patrocinada pelo Museu da Siderurgia e Mineração de Castela e Leão, na localidade leonesa de Sabero, onde se explicarão questões como a formação e evolução do sistema solar e o surgimento da vida. O caçador de meteoritos José Vicente Casado deve pronunciar uma conferência no Museu na qual dará, diz, algumas pistas de como seguir o rastro destas rochas que "todo mundo quer encontrar".

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domingo, 4 de setembro de 2011

Astrônomo brasileiro explica como descobrir estrelas

Combinação de três imagens mostra localização das novas estrelas nos quadros superior e inferior. No quadro ampliado central, o aglomerado do qual os .... Foto: Alexandre Roman/Divulgação

Combinação de três imagens mostra localização das novas estrelas nos quadros superior e inferior. No quadro ampliado central, o aglomerado do qual os astros massivos se afastaram.
Foto: Alexandre Roman/Divulgação


Alexandre Roman Lopes se dedica a caçar estrelas. Radicado no Chile, onde dá aulas e realiza pesquisas na Universidade La Serena, ele acaba de descobrir duas bem raras, cada uma com o equivalente a 80 massas solares.
JULIA DANTAS

Mas ao contrário de Cristóvão Colombo, que (dizem) chegou à América ao acaso, para descobrir estrelas não basta apontar um telescópio para o céu e esperar que os astros deem o ar da graça. É preciso saber onde e como olhar. Para Alexandre, a busca começou dois anos atrás.

Doutor em astronomia pela Universidade de São Paulo, sua linha de pesquisa é a descoberta e caracterização de aglomerados de estrelas massivas: "estrelas gordinhas", brinca ele, em entrevista concedida ao Terra. Trata-se, na verdade, de estrelas de muita massa e luminosidade, com uma composição incomum de gases e metais que podem ajudar a entender a origem do universo e da vida.

Estrelas massudas

O par de estrelas descobertas por Alexandre com a ajuda dos colegas Rodolfo Barba e Nidia Morrell são espécimes raros em um lugar improvável, e são as de maior massa já encontradas pelo brasileiro, que até então, havia descoberto estrelas com até 50 vezes a massa do sol. Apenas isso já serviria para classificá-las como raras, mas elas ainda estão isoladas do centro onde foram criadas, outra situação pouco comum.

As estrelas WR20aa e WR20c provavelmente se afastaram do aglomerado após perturbações gravitacionais e seguiram uma trajetória de afastamento do grupo. O surpreendente é que elas não tenham se desintegrado no caminho. "Esses objetos vivem pouco, na escala de duração do universo" diz Alexandre, que depois de explicar que a palavra mais correta para se referir a estas estrelas seria "massudas", continua se referindo a elas como "massivas", termo mais usado.

"Elas produzem uma quantidade tão grande energia que elas esgotam seu combustível de forma muito rápida", explica. Os dois corpos identificados pelos pesquisadores não devem ter mais de 2 milhões de anos, e de acordo com o astrônomo, elas não terão uma vida muito mais longa que isso. A descoberta de Alexandre é um grande feito em sua carreira e, a partir de sua história, podemos montar um passo-a-passo para quem quiser descobrir a sua própria estrela.

Aposte no conhecimento "inútil"
Alexandre, que também é físico, já deu aulas para o ensino médio em São Paulo e cansou de ouvir perguntas de alunos desanimados sobre porque estudar matemática, física, biologia, essas "coisas que eu nunca vou usar na vida", diziam os estudantes. "A ciência pura dá resultados a longo prazo", responde o astrônomo. Para ele, o Brasil ainda tem uma visão atrasada. É bastante óbvio que os Estados Unidos não gastam bilhões de dólares para mandar o telescópio Hubble ao espaço para fazer fotos bonitas. "Eles sabem que conhecimento científico gera poder econômico, militar e de todo tipo" diz Alexandre.

Consiga tempo em um telescópio
Para descobrir uma estrela você provavelmente vai precisar de um telescópio profissional, e estes equipamentos ficam sediados em instituições que decidem com cuidado quais projetos merecem ganhar o dinheiro de gastar US$ 15 mil dólares por noite em observações espaciais. Por isso, as propostas apresentadas devem ser relevantes e embasadas.

Alexandre realizou uma extensa pesquisa antes de submeter seu projeto à universidade chilena. Ele chegou a encontrar diversos registros da zona que ele gostaria de observar, e foi em documentos da base de dados do ESO (Observatório Europeu do Sul) que ele identificou os dois corpos que suspeitou serem estrelas massivas. "Então alguém que coletou esses dados no passado não se deu conta do que tinha na mão", diz Alexandre, que reconhece que eram necessárias habilidades e conhecimentos prévios para ver nos documentos de cinco anos de idade os indícios das estrelas que ele buscava.

A partir destes dados e com embasamento teórico - além de um método criado pelo próprio cientista para aprimorar a seleção de corpos com potencial de serem estrelas massivas - ele pôde submeter um projeto observacional à comissão de especialistas que lhe concedeu tempo no telescópio chileno. Com os novos dados obtidos - de melhor qualidade que os do ESO - ele pôde detectar a luz das duas novas estrelas.

Apenas o início
A descoberta é um marco importante, mas por mais que pareça o fim de um longo processo e de muitos estudos, é apenas o ponto de partida para investigações mais profundas. A importância de analisar estrelas raras como as encontradas por Alexandre é que nelas podem ser estudados diversos mecanismos de formação e evolução dos astros. Se as estrelas comuns já são bastante conhecidas pelos cientistas, as massivas e outros tipos raros ainda escondem mistérios que podem ajudar na compreensão do universo. As "estrelas gordinhas" de Alexandre provavelmente serão estudadas por outros pesquisadores. O brasileiro precisa apontar o telescópio na direção de novas descobertas.

Terra