terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Com observatórios nas escolas, Polônia procura um novo Copérnico

Na cidade de Copérnico, observatório astronômico foi instalado nas proximidades de escola para estimular novos talentos. Foto: AFP

Na cidade de Copérnico, observatório astronômico foi instalado nas proximidades de escola para estimular novos talentos
Foto: AFP


Para revelar talentos assim como Nicolau Copérnico, as escolas da região de Torun, cidade natal do grande astro polonês, colocaram à disposição de seus alunos observatórios astronômicos. O programa inédito, chamado Astrobase, foi lançado há quatro anos. Agora, seis observatórios funcionam na região e outros oito estão em construção.

"Nossa inspiração veio, em grande parte, de Nicolau Copérnico. Como nasceu em Torun, quisemos realizar um projeto à altura, mas sem gastar muito dinheiro", contou Piotr Calbecki, conselheiro geral da região polonesa de Cuiavia-Pomerânia.

"Primeiro, escolhemos uma galáxia, depois apontamos a estrela que queremos seguir, após regular o telescópio, deixando-o numa boa inclinação, para começar as observações", explica Sébastien Laser, aluno do secundário, junto com mais de dez colegas. O observatório fica a apenas 50 m do liceu de Jablonowo, onde estuda.

Pintado de branco e azul, possui uma cúpula que se abre para o céu, dois telescópios, um para olhar o sol e, o outro, maior, para ver as estrelas à noite. Os estudantes também têm à disposição computadores com programas especializados e esse conjunto é administrado por dois professores apaixonados por astronomia.

"Nosso objetivo é popularizar a astronomia e as matérias científicas", disse Rafal Laskowski, professor de ciências em Jablonowo. Antes de se envolver no projeto do observatório, ele recebeu formação especializada na Universidade de Torun.

Despertar o interesse
O custo de um observatório desse tipo é de pouco menos de 100 mil euros, com financiamento europeu. "Os fundos europeus nos permitiram propor algo de novo, em relação ao ensino das matérias científicas, principalmente matemática e física, para melhorar a formação em nossa região", diz ele.

Na pátria de Copérnico (1473-1543), que descobriu que a Terra rodava em torno do Sol, as portas do observatório de Jablonowo não fecham. Trinta alunos do colégio local acompanham cursos regulares de astronomia.

As escolas da redondeza também organizam excursões. Uma vez por semana, o observatório abre só para elas. Num desses dias, duas meninas de 7 anos vieram para observar Júpiter. Infelizmente, o céu estava encoberto e elas voltaram para casa um pouco decepcionadas, mas prometendo voltar.

"O principal é despertar o interesse", considerou Laskowski.

O projeto permite, também, "identificar os alunos com mais aptidão para a matéria, desde cedo, e dar a eles a oportunidade de seguir o ensino de um assunto apaixonante", destaca Barbara Bober, diretora da escola de Jablonowo.

Aluna do liceu de Jablonowo, Marta Jaworska queria observar, com o olhar no telescópio, o recente eclipse da Lua. Nesse dia, como o céu estava encoberto, ela passou o tempo se entretendo, no computador, com programas de astronomia. "De qualquer forma, é melhor do que ficar assistindo à televisão", disse.

O conselheiro geral Calbecki quer ainda mais. Como o céu se apresenta quase sempre encoberto na Polônia, ele quer instalar um observatório no Peru ou na Argentina, para permitir aos alunos observar o céu no Hemisfério Sul. "Será ligado pela internet aos observatórios na Polônia, permitindo aos alunos acompanhar o céu ao longo do ano", explica, entusiasmado.

AFP
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Às vésperas dos 70 anos, ex-alunos falam sobre 'gênio' Hawking

Físico mais famoso da atualidade, Hawking completa 70 anos no domingo. Foto: AFP

Físico mais famoso da atualidade, Hawking completa 70 anos no domingo
Foto: AFP


Considerado por muitos cientistas como o mais brilhante físico desde Albert Einstein, o britânico Stephen Hawking completa no domingo 70 anos. Sua trajetória é marcada por contribuições à ciência e pela superação de limites. Em 1962, mesmo ano em que terminou o curso de física em Oxford, descobriu que sofria de esclerose lateral amiotrófica, doença degenerativa que lhe deixou quase completamente paralisado. Mesmo assim ele seguiu os estudos, desenvolveu teorias sobre buracos negros e incentivou outros pesquisadores, que consideram o astrofísico como um gênio que "continua ampliando as fronteiras da física".

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o professor da Universidade de Londres, Bernard Carr, que foi aluno de doutorado de Hawking de 1972 a 1975, destacou a descoberta sobre a radiação térmica emitida pelos buracos negros. "Esse foi um dos resultados mais importantes para a física no século 20. (...) Na época, eu trabalhava com ele como estudante de doutorado e me sinto um privilegiado por ter acompanhado de perto o desenvolvimento da pesquisa", afirmou. Carr disse ainda que naquela época, o astrofísico ainda não era tão famoso, "mas seu brilho já era claro para todos os seus colegas". "No começo até fiquei um pouco assuntado por ser assistente da pessoa mais brilhante do departamento", completou.

Astrônomo real e mestre da Trinity College, Martin Rees, conheceu Hawking em 1964 e disse ao periódico britânico que o nome do cientista estará marcado para sempre nos anais da ciência. "Muitas vezes eu empurrei a cadeira de rodas dele até seu escritório, ele ficava por horas lendo um livro sobre teoria quântica. (...) Poucos como eu poderiam imaginar que ele chegaria ao seu 70º aniversário, depois de realizações surpreendentes que fizeram dele o cientista vivo mais famoso", afirmou.

Professor do Departamento de Matemática da Universidade de Cape Town, na África do Sul, George Ellis trabalhou com Hawking em 1973 e afirmou que a vida do pesquisador é uma "conquista extraordinária". "Seu sucesso foi devido à combinação de capacidade técnica enorme e imaginação, uma mente sempre em busca de respostas para questões importantes, tudo isso alidado a uma extraordinária determinação e foco nos resultados". "Quando trabalhamos juntos, eu o ajudava com as questões da vida cotidiana nas fases iniciais da doença, empurrando sua cadeira de rodas do departamento de matemática à sua casa, e ao centro da universidade para o almoço. Seu largo sorriso e senso de humor travesso estavam sempre presentes nestas ocasiões. Que privilégio ter feito parte desta época em sua vida", completou.

Já Thomas Hertog, que trabalhou com o astrofísico em 2006, chama o mestre de "gênio". "Guiado pela intuição afiada, juntamente com um foco consistente sobre os problemas e uma certa audácia para descartar velhas ideias que ele considera como um obstáculo ao progresso, Stephen produziu conhecimentos que tiveram um impacto profundo sobre cosmologia teórica. Mesmo com 70 (anos), ele continua sendo um dos maiores especialistas do mundo neste campo", afirmou ao The Guardian.

Trajetória
Stephen William Hawking nasceu no dia 8 de janeiro de 1942 em Oxford, na Inglaterra. Em 1962 se formou em física pela University College. No mesmo ano, descobriu que possuía esclerose lateral amiotrófica. Apesar da doença, seguiu nos estudos até se tornar Ph.D. em cosmologia pelo Trinity Hall, em Cambridge.

Em 1970, Hawking iniciou o trabalho sobre as características dos buracos negros, descobrindo que as estruturas emitem radiação. Publicou diversos livros, entre eles Breve História do tempo, de 1988.

Imobilizado em uma cadeira de rodas e se comunicando por meio de um sintetizador de voz, ele diz em seu site que concilia a vida familiar (tem três filhos e três netos), e sua investigação em física teórica junto com um extenso programa de viagens e palestras.

Terra

Hackers pretendem lançar satélite ao espaço

Objetivo seria fugir das leis de censura  (na imagem, o satélite Ikaros, da agência espacial japonesa). Foto: AFP

Objetivo seria fugir das leis de censura (na imagem, o satélite Ikaros, da agência espacial japonesa)
Foto: AFP


THIAGO SZYMANSKI

Os planos para enviar um satélite ao espaço acabam de ser revelados por um grupo de hackers, durante a Chaos Communication Congress (CCC), sediada em Berlim, Alemanha. Os precursores do projeto HackerSpace Global Grid planejam ainda construir estações terrestres para se comunicar com os satélites.

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TecMundo
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Segunda sonda começa a orbitar a Lua para desvendar mistérios

Concepção artística mostra a entrada da sonda na órbita lunar. Foto: Nasa/Divulgação

Concepção artística mostra a entrada da sonda na órbita lunar
Foto: Nasa/Divulgação


A segunda sonda lunar da Nasa, que estudará a composição do satélite da Terra, entrou na órbita lunar no domingo, como estava planejado, anunciou a agência espacial americana. "A Nasa recebe o Ano-Novo com uma nova missão de exploração", afirmou o administrador Charles Bolden.

As duas sondas Grail ("Recuperação da Gravidade e Laboratório Interior", na sigla em inglês) já estão em órbita lunar, depois que a Grail-A atingiu a posição no sábado. A missão, com custo de US$ 500 milhões, elaborará pela primeira vez um mapa do núcleo da Lua.

Durante o trabalho de exploração, as sondas orbitarão a uma distância, uma da outra, de 200 km e, segundo os cientistas, as mudanças regionais na gravidade lunar farão com que diminuam ou aumentem levemente sua velocidade. Isto, por sua vez, modificará a distância que as separa e os sinais de rádio transmitidos pelas sondas medirão as variações menores. Desta forma, os pesquisadores poderão criar mapas do campo de gravidade.

Com esses dados, os cientistas poderão deduzir o que há debaixo da superfície lunar com suas montanhas e crateras, e poderiam entender melhor por que o lado oculto da Lua é mais abrupto que o lado visto desde a Terra. Outro dos mistérios que Grail poderia revelar, segundo Zuber, é se a Terra teve em outro tempo uma segunda lua menor. Há astrônomos que acreditam que algumas das marcas na superfície da Lua são resultado de uma colisão com um satélite menor.

Mistérios
Os cientistas acreditam que a Lua se formou quando um objeto mais ou menos do tamanho de Marte se chocou contra a Terra, logo depois da formação do Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos. "Na verdade, entendemos pouquíssimo como essa formação aconteceu e como ela se resfriou depois do incidente violento", disse Maria Zuber, cientista-chefe do Grail, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Um enigma persistente é o que faz o lado oculto da Lua ser tão diferente da face voltada para a Terra. Enquanto o lado "de cá" é cheio de planícies grandes e escuras, formadas por antigas erupções vulcânicas, o outro lado é praticamente um grande planalto. "Parece que a resposta não está na superfície", disse Zuber. "Achamos que a resposta está trancada no interior."

Zuber e sua equipe têm 82 dias para fazer as medições. Se as sondas, construídas pela Lockheed Martin e movidas a energia solar, resistirem além do próximo eclipse solar, em junho, a missão de 496 milhões de dólares pode ser prorrogada para realizar um mapeamento detalhado da superfície lunar, à altura de apenas 25 km.

http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5539940-EI301,00-Segunda+sonda+comeca+a+orbitar+a+Lua+para+desvendar+misterios.html#tinfo

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domingo, 1 de janeiro de 2012

Cometa poderá ser visto até a 1ª semana de janeiro

Imagem do cometa Lovejoy no último dia 22 registrada no Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile. Foto: ESO/Divulgação

Imagem do cometa Lovejoy no último dia 22 registrada no Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile
Foto: ESO/Divulgação


Desde a metade de dezembro, o cometa recém-descoberto C/2011 W3, conhecido como Lovejoy, tem chamado a atenção de astrônomos por ter sobrevivido à passagem rasante pelo Sol no último dia 16. E sua sobrevivência significa um espetáculo a mais na virada do ano. Astrônomos estão registrando o Lovejoy há vários dias e na passagem para 2012 ele deverá aparecer também (embora os fogos de artifício possam comprometer sua visibilidade). O cometa 'viaja' rumo ao polo sul celeste até a primeira semana de janeiro.

De acordo com informações do Planetário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), o fato do cometa Lovejoy não ter se extinguido durante a passagem pelo Sol - o cometa passou a meros 140 mil km da superfície solar - é surpreendente: quando ocorrem fatos como este, o núcleo do cometa, constituído de gelo e poeira, se vaporiza, terminando com o astro.

Depois da façanha, Lovejoy pode ser obeservado a partir do hemisfério sul, ao amanhecer. O Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) afirma que o cometa apresenta uma cauda brilhante de milhões de quilômetros de comprimento, composto de partículas de poeira que estão sendo sopradas pelo vento solar.

Ainda não é possível dizer até quando o brilho deste cometa se manterá, já que a tendência apontada pelos cientistas é de que após o Natal sua magnitude fosse reduzida rapidamente. Contudo, com binóculos ou telescópios pode-se ainda ver o astro brilhante. Especialistas recomendam aos observadores interessados em ver o Lovejoy que procurem locais escuros - de preferência longe dos grandes centros urbanos - e fixem o olhar na direção do do nascer do sol.

O cometa
O Lovejoy gira em torno do Sol, mas seu período orbital é extremamente longo. Considerado um achado recente - foi descoberto pelo astrônomo amador Terry Lovejoy no dia 27 de novembro -, ele faz parte do grupo de cometas Kreutz (os cometas rasantes que possuem órbitas que os colocam extremamente pertos do Sol).

Segundo as previsões astronômicas, ele continuará sua órbita em torno do Sol e mais uma vez deverá desaparecer no Sistema Solar distante. Se ele realmente continuar existindo, a estimativa é de que volte a aparecer nos nossos céus dentro de 314 anos.

Caça aos cometas
No mês de dezembro também a Nasa - agência espacial americana - informou que trabalha na criação de um arpão capaz de atingir cometas para retirar amostras que deem indícios sobre a criação do universo. O projeto é baseado em um conceito desenvolvido pela Agência Espacial Europeia (ESA), ao qual a Nasa agregou uma câmara capaz de recolher amostras dos cometas.

Concretamente, o projeto consiste em uma máquina espacial que viaja em busca de um cometa "e que lança um arpão para retirar amostras em locais determinados, com uma precisão cirúrgica", revelou a Nasa em seu comunicado.

http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5538239-EI301,00-Cometa+podera+ser+visto+ate+a+semana+de+janeiro.html#tphotos

Terra

Colaborou com esta notícia a internauta Seiji Matsuda, de Porto Alegre (RS), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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