sábado, 21 de fevereiro de 2009

Físico afirma que aquecimento global afeta rotação da Terra

O aquecimento global é um dos fatores que influencia a desaceleração da rotação da Terra, mesmo que muito ligeiramente, devido ao aumento do nível dos oceanos pelo degelo dos pólos, o que está afetando as marés e as forças de atração gravitacionais com a Lua.

Em entrevista à Agência Efe, o astrofísico do Goddar Space Flight Center da Nasa (agência espacial americana) Fred Spenak, um dos maiores conhecedores de eclipses do mundo e autor de vários trabalhos para a previsão destes, explicou seu trabalho sobre a questão.

Outro dos fatores que, segundo o especialista, está influenciando nesta desaceleração da Terra, cuja rotação não possui um ritmo constante, e que se resolve em termos práticos a cada período de tempo com o ajuste dos relógios atômicos, tem a ver com a composição interna do planeta.

O centro da Terra abriga um líquido quente que faz com que, na rotação, ocorram espasmos arrítmicos, como se fosse um "ovo cozido sacudido, no qual a gema se movimentasse repentinamente de um lado a outro", e isso influiria nas forças de atração gravitacionais.

Espenak explica que o cálculo preciso da velocidade da Terra em sua rotação é uma das chaves para prever os eclipses, um fenômeno transcendental para os cientistas.

O astrofísico destacou "não só a beleza visual" dos eclipses solares, mas também "a valiosa ferramenta que representam para o estudo dos mistérios que perduram em torno da composição do Sol".

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Nasa adia pela 3ª vez o lançamento da Discovery

O lançamento do ônibus espacial Discovery para a Estação Espacial Internacional (ISS), inicialmente previsto para 12 de fevereiro, foi novamente adiado, mas desta vez para uma data indeterminada, anunciaram na noite de sexta-feira os responsáveis pela missão.

A decisão foi anunciada após uma reunião da equipe encarregada dos preparativos, que considerou que ainda há incertezas sobre o funcionamento das válvulas que regulam o fluxo de hidrogênio entre os motores da nave e o tanque externo, o que requer testes adicionais.

"Queremos estar seguros de que estamos prontos para proceder com o vôo", disse Bill Gersteinmaier, administrador adjunto da Nasa encarregado dos programas espaciais, acrescentando que até quarta-feira a Nasa saberá "sem dúvida o que é preciso fazer".

O lançamento havia sido adiado anteriormente por uma semana, para o dia 19 de fevereiro, e depois para o dia 22, tendo sido novamente postergado para não antes do dia 27. Trata-se do primeiro lançamento de um ônibus espacial em 2009.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Detritos espaciais ameaçam telescópio Hubble

Uma nuvem de detritos, que se espalha pela órbita inferior da Terra após a colisão de dois satélites, representa um novo risco a muitas missões científicas e pode significar o fim do Telescópio Espacial Hubble. A Nasa está monitorando atentamente a ameaça crescente, e se ela for tão ruim quanto alguns temem, agência terá que cancelar a missão de manutenção do telescópio planejada para este ano. Sem essa missão, os dias do telescópio estarão contados, mesmo se nenhum dos fragmentos atingi-lo.

Às 4h56, horário de Greenwich, em 10 de fevereiro, um satélite de telecomunicações ativo da Iridium Satellite, de Bethesda, Maryland, e um satélite militar russo desativado colidiram a cerca de 800 km sobre a Sibéria, a mais de 10 km por segundo. A nuvem de detritos inicialmente continha 600 objetos grandes o bastante para serem rastreados pela rede de vigilância espacial dos EUA, mas especialistas esperam que o número de fragmentos aumente para mais de mil nas próximas semanas. Simulações sugerem que haverá milhões de outros pedaços pequenos demais para serem rastreados.

Uma análise preliminar dos pesquisadores da Universidade de Southampton na Grã-Bretanha mostra que a colisão frontal entre os satélites teria liberado cerca de 50 quilojoules de energia por grama, cerca de 10 vezes a energia da dinamite e talvez centenas de vezes maior que a energia liberada no teste chinês de uma arma anti-satélite em 2007.

Esse teste acabou danificando um satélite e agravou o problema dos detritos, que já afetou outros satélites. "Isso não tem precedentes", disse Graham Swinerd, professor-adjunto de Astronáutica de Southampton. Entretanto, se a explosão foi apenas aparente - no caso do satélite Iridium ter se chocado contra a parte posterior do satélite russo, ao invés do corpo principal - a situação pode não ser tão grave.

A Iridium, que opera uma constelação de satélites na órbita inferior 66 fornecendo serviços de telefonia, diz que monitora regularmente os dados sobre detritos espaciais, mas não recebeu nenhum aviso prévio da colisão. Não houve comentários oficiais do governo russo.

Não leve a constelação A-Train

O choque aconteceu em uma banda do espaço usada por diversos satélites de observação da Terra, e as agências espaciais estão agora monitorando de perto os fragmentos que estão se espalhando. A constelação A-Train da Nasa e a missão Envisat da Agência Espacial Européia orbitam em altitudes muito similares à do acidente, e correm risco especial. "No momento, estamos fazendo uma análise estatística de qual será o aumento da probabilidade de colisão", disse Heiner Klinkrad, que lidera o escritório de detritos espaciais da Agência Espacial Européia em Darmstadt, Alemanha.

O risco a astronautas da Estação Espacial Internacional parece ser "relativamente baixo", segundo Mark Matney, especialista em detritos orbitais do Centro Espacial Johnson em Houston, Texas. Mas a colisão compromete a missão de manutenção do Telescópio Espacial Hubble em maio. O risco de impacto para uma missão até a estação espacial é de um em 300, mas para missões em altitudes maiores e em órbitas mais inclinadas como a do Hubble, o risco é maior. Mesmo antes da recente colisão, os detritos do teste chinês de 2007 haviam elevado o risco de impacto catastrófico da missão para um em 185.

O limite usual da Nasa para esses riscos é de um em 200, por isso Matney descreve a situação antes da colisão como já "desconfortavelmente próxima de níveis inaceitáveis". "Isso só agravou a situação anterior", ele disse. Matney acredita que a agência saberá em breve se a missão poderá prosseguir.

O jogo da culpa

Logo após a colisão, não houve consenso entre especialistas sobre se a Iridium deveria ter previsto o ocorrido. "Isso nunca deveria ter acontecido", disse Geoffrey Forden, analista espacial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge. Dados fornecidos pelas Forças Armadas americanas mostraram que os dois satélites poderiam chegar a até meio km um do outro. "Eles deveriam ter manobrado o Iridium para longe", disse.

Mas a previsão de colisões entre satélites é algo complicado, disse Richard Crowther, chefe da delegação do Reino Unido no Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Sideral (Uncopuos na sigla em inglês). "É algo complexo que consome muito tempo", ele disse. Mesmo as melhores previsões são apenas probabilísticas, e a manobra de uma nave pode envolver custos e riscos que pesam mais que a chance de colisão.

Evitar acidentes com mais facilidade exige dados e recursos. Enquanto a Rússia possui seu próprio sistema de rastreamento de objetos espaciais, o resto do mundo depende mais ou menos dos dados divulgados pela Rede de Vigilância Espacial do Departamento de Defesa americano. Os militares americanos possuem análises muito melhores de seus dados do que aquelas divulgadas ao público, segundo Brian Weeden, ex-analista do Comando Estratégico dos EUA, que supervisiona a rede de sensoriamento do Pentágono.

Essas análises são usadas para antever ameaças a satélites das Forças Armadas e da Inteligência, bem como a missões civis de grande importância como a Estação Espacial Internacional. Esses dados deveriam ser divulgados em "benefício do público", disse Jonathan McDowell, astrônomo da Universidade Harvard que rastreia lançamentos de satélites como passatempo. McDowell acredita que os países deveriam estudar a criação de um "controle de tráfego espacial" multinacional para alertar sobre colisões desse tipo.

Mais medidas devem ser tomadas para evitar o aumento de detritos orbitais, acrescenta David Wright, pesquisador do Union of Concerned Scientists, um grupo sem fins lucrativos com sede em Cambridge, Massachusetts. Até o momento, o Uncopuos estabeleceu as diretrizes para limitar o número de detritos espaciais, que incluem a medida de expelir restos de propelente para prevenir explosões. Mas Wright acredita que deveriam existir regras a serem obedecidas por todas as nações que lançarem naves na região de tráfego denso em que o acidente ocorreu. Os fragmentos resultantes de cada colisão aumentam o risco de uma próxima, e se medidas não forem tomadas, o número de acidentes deverá crescer dramaticamente - possivelmente inutilizando por completo a órbita inferior da Terra.

"Gostaria que as diretrizes existentes se tornassem obrigatórias através de algum tipo de mecanismo que garantisse seu cumprimento", Wright disse. Sanções e multas deveriam ser impostas a operadores negligentes.

No momento, o único respaldo legal para tal ação parece ser o Tratado do Espaço da ONU (1967), que determina que uma nação pode ser responsabilizada pelos danos causados ao satélite de outra nação. Mas o texto do tratado é muito vago para ser de grande ajuda nesse caso, segundo McDowell. "De quem é a culpa? Será que um deles bateu no outro por trás?" ele disse. "Não acho que as regras de trânsito das estradas se aplicam aqui."

McDowell não chega a reivindicar um tratado internacional que governe a órbita inferior da Terra, mas acredita que "regras de trânsito" deveriam ser estabelecidas para tentar esclarecer as questões legais em torno dessa colisão e de outras futuras.

Liz DeCastro, porta-voz da Iridium, disse não ter certeza se a companhia moverá uma ação legal contra o governo russo.

A nuvem de detritos representa um risco a muitas missões científicas e pode significar o fim do Telescópio Hubble

A nuvem de detritos representa um risco a muitas missões científicas e pode significar o fim do Telescópio Hubble
Nature

Google e Nasa se aliam para mostrar contaminação aérea ao mundo

Google e Nasa colocaram hoje à disposição dos internautas mapas mundiais que mostram com detalhe as emissões de combustíveis fósseis que contaminam a atmosfera terrestre.

As imagens, fornecidas pela Nasa e o Departamento de Energia de Estados Unidos, revelam a dispersão atmosférica desses combustíveis a cada hora, por região e por tipo, informou a agência espacial americana.

As emissões são formadas principalmente por dióxido de carbono (CO2), considerado o principal dos gases estufa que, segundo os cientistas, causaram um aumento global das temperaturas.

A criação dos mapas foi de responsabilidade de pesquisadores da Universidade Purdue, que receberam dados transmitidos pelo satélite Landsat 5 da Nasa e informação sobre as emissões de CO2 da Agência de Proteção Ambiental (EPA) e o Departamento de Energia.

"A difusão deste projeto no Google Earth leva a informação à casa de qualquer pessoa que tenha um computador", disse Kevin Gurney, professor da Universidade Purdue.

"O nosso projeto fornece uma descrição de onde e quando a sociedade influi no clima através das emissões de dióxido de carbono", acrescentou.

Gurney disse ainda que os mapas poderão determinar com precisão o nível de emissões de seu país em relação a outros e também qual é a atividade econômica que aumenta essas emissões.

Segundo o cientista, o projeto pode desmistificar ideias sobre a mudança climática e ajudar as pessoas a se informar sobre o nível de contaminação em seu país ou região.

"Será como calcular o rendimento de um carro movido à gasolina", afirmou.

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Nasa pede sugestões de nome para módulo da ISS

A Nasa convidou o público nesta sexta-feira para que dêem sugestões para o nome que será dado ao Módulo 3 da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) que vai abrigar, entre outras coisas, novos banheiros para o posto orbital.

A Nasa quer idéias antes de o módulo de conexão e sua cúpula irem ao espaço e serem instalados na ISS, um projeto de US$ 100 bilhões no qual participam 16 países. O prazo para o envio de sugestões vence em 20 de março e a Nasa anunciará o nome ganhador em abril.

"O nome deve refletir o espírito de prospecção e cooperação que representa a estação espacial, e há de seguir a tradição iniciada com o Módulo 1 - batizado de 'Unity' - e o Módulo 2 chamado de 'Harmony'".

De acordo com o programa da Nasa, a nave espacial Endeavour levará o Módulo 3 para a ISS durante uma missão em dezembro de 2009.

Quando a cúpula for colocada em uma das seis escotilhas do módulo, vai oferecer aos astronautas "uma vista espetacular da Terra e de seu lar no espaço", segundo a Nasa.

"As seis janelas retangulares da cúpula e uma janela circular no teto mostrarão um panorama sem igual em qualquer outra nave espacial", acrescentou.

"Além de oferecer um lugar excelente para a observação e fotografia da Terra, a cúpula conterá um posto de trabalho robótico de onde os astronautas poderão controlar o braço da nave", informou a agência espacial.

Uma vez que o módulo for instalado, os tripulantes da ISS vão transferir para ele muitos dos sistemas de controle ambiental e sustento da vida que agora estão divididos entre outras áreas do laboratório espacial.

Entre esses sistemas está o de geração de oxigênio, que leva a água da estação, a separa em hidrogênio que é expelido ao espaço, e oxigênio que retorna para a cabina para os tripulantes respirem.

O sistema de revitalização de atmosfera controla os níveis de dióxido de carbono na estação e mantém a temperatura e a pressão atmosférica em níveis cômodos.

Outro equipamento que irá para o Módulo 3 é o sistema de recuperação de água e o processador de urina, que levam a água da ducha e dos vasos da ISS, a purificam e separam todos os elementos tóxicos de modo que a água seja potável para os tripulantes.

Além disso, o módulo vai abrigar também o compartimento de resíduos e higiene, que dá aos tripulantes espaço para que se banhem e usem os sanitários de modo que a estação processe a maior parte da água usada a bordo para usá-la novamente.

Isto reduzirá substancialmente a necessidade de vôos de reabastecimento.

Tradicionalmente a Nasa e seus parceiros de outros países deram nomes a cada parte habitável da ISS. O laboratório americano se chama "Destiny", o europeu "Columbus" e o japonês "Kibo".

Os compartimentos de despressurização se chamam "Quest" e "Pirs"; os dois módulos construídos pela Rússia se chamam "Zvezda" e "Zarya".

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Detectada maior explosão de raios gama já vista no espaço

Uma explosão de raios gama, com uma potência jamais observada, foi registrada em setembro de 2008 pelo novo telescópio espacial americano Fermi, segundo estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science. Essa deflagração, surgida na constelação de Carina, equivale a cerca de 9 mil supernovas explodindo simultaneamente e emitindo cinco vezes a energia emitida pelo sol em menos de 60 segundos sob a forma de raios X e gama, calcularam os astrofísicos.

Supernova é o nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas com mais de 10 massas solares, segundo as estimativas, e que produziriam objetos extremamente brilhantes, que vão se apagando até se tornarem invisíveis, passadas algumas semanas ou meses. Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em 1 bilhão de vezes a partir de seu estado original até que, com o passar do tempo, sua temperatura e brilho diminuem até chegarem a um grau inferior.

Na explosão de raios gama observada, com uma potência jamais vista e batizada GRB 080916C, a matéria foi expulsa praticamente à velocidade da luz. Aconteceu a uma distância de 12,2 bilhões de anos-luz, o que torna sua potência ainda mais surpreendente, assinalam.

A imagem foi revelada pela Large Area Telescope do Fermi nos 100 segundos que se sucederam a seu aparecimento, no dia 16 de setembro de 2008, à 00h12 GMT; 31,7 horas depois, o telescópio do observatório austral europeu de la Silla, no Chile, observou a explosão em sua fase prolongada, ou remanescente.

Estima-se que o universo tenha-se originado há 13,7 bilhões de anos-luz, quando se produziu o "Big Bang". Um ano-luz equivale à distância percorrida pela luz em um ano, isto é, 9,46 trilhões de quilômetros.

A explosão de raios gama mais distante já registrada até então data de 12,6 bilhões de anos-luz, segundo observação realizada em 2005 pela sonda americana Swift junto com telescópios terrestres. "Esta deflagração levanta muitas interrogações", segundo Peter Michelson, professor de física da Universidade de Stanford (Califórnia, oeste), e principal encarregado científico do telescópio Fermi. Mas, "dentro de alguns anos, disporemos de boas amostras que talvez nos forneçam respostas", assinalou.

As investigações foram realizadas por Jochen Greiner, do Instituto Max Planck da Alemanha, com a participação de várias equipes francesas nas análises e na interpretação dos dados.

A explosão de raios gama é identificada pela cor laranja na imagem captada pelo satélite Swift

A explosão de raios gama é identificada pela cor laranja na imagem captada pelo satélite Swift
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Nasa e ESA iniciam estudos para missões a Júpiter e Saturno

A Agência Espacial Americana (Nasa) e a Agência Espacial Européia (ESA)reafirmaram sua decisão de iniciar estudos para enviar uma missão conjunta a Júpiter e às principais luas desse planeta. As informações são da Nasa.

O Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), organismo da Nasa, acrescentou em comunicado que ambas as entidades também analisam a possibilidade de enviar outra missão de estudo a Titã e Encélado, as duas maiores luas de Saturno.

O órgão acrescentou que a decisão foi tomada durante uma reunião mantida em Washington na semana passada por representantes das duas agências espaciais. "As missões propostas são de empresas ambiciosas que abrirão o caminho para a futura investigação científico-planetária", disse o JPL.

O Laboratório explicou que, em última instância, essas missões poderiam responder a dúvidas sobre a formação do sistema solar e a existência de vida em alguma outra parte do universo.

O JPL informou que os projetos, chamados Missão ao Sistema Europa-Júpiter e Missão ao Sistema Titã-Saturno, são resultado de uma fusão dos conceitos de as agências espaciais. "A decisão representa uma situação de ganho para todas as partes envolvidas", afirmou Ed Weiler, administrador adjunto do Diretório de Missões Científicas da Nasa.

No entanto, o comunicado advertiu de que os organismos deverão adotar uma série de medidas prévias e fazer estudos antes de iniciar os projetos de maneira oficial. De acordo com os planos preliminares, a Missão ao Sistema Europa-Júpiter utilizará dois orbitadores robóticos (não tripulados) com os quais serão feitos os primeiros estudos sobre esse gigantesco planeta gasoso e sobre as luas Europa, Ganimedes e Calisto.

As duas naves partiriam em 2020 a partir de diferentes pontos de lançamento e chegariam ao sistema de Júpiter em 2026 para realizar observações científicas durante três anos.

A imagem artística apresenta o conceito das missões proposto para Júpiter (esquerda) e Saturno (direita)

A imagem artística apresenta o conceito das missões proposto para Júpiter (esquerda) e Saturno (direita)


Redação Terra

Missão "suicida" na Lua tentará detectar água congelada

A Nasa, agência espacial americana, colocará em prática uma espécie de missão "suicida" que tem o objetivo de descobrir a existência de água congelada na Lua. O plano inusitado - que contará com um satélite e um foguete - consiste em colidir o foguete contra a superfície lunar para tentar analisar, via satélite, as labaredas que se formarão durante a explosão. As informações foram publicadas nesta quinta-feira pelo Terra Chile.

O projeto LCROSS (Satélite para Observação e Detecção das Crateras Lunares) está previsto para ser lançado no mês de abril do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, onde já aguarda o início da missão. O satélite de baixo custo e rápida construção trabalhará em conjunto com a sonda espacial Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO).

O principal objetivo dos cientistas é pesquisar uma cratera ainda desconhecida e oculta, próxima a um dos pólos do satélite da Terra, explicou o diário espanhol ADN.

O LCROSS viajará a bordo de um foguete Atlas V Centauro até ingressar na órbita lunar, pouco antes do momento previsto para o impacto. Na aproximação final, o satélite e o foguete se separarão, fazendo com que o Atlas V Centauro caia na cratera escolhida para as pesquisas e exploda.

De acordo com os especialistas, quatro minutos depois o LCROSS passará pela nuvem de escombros que se elevará sobre o solo, recolhendo e enviando dados à Terra. Os cientistas aproveitarão o raro momento de atividade na tranqüila superfície lunar para detectar a presença ou não de água em estado sólido - elemento chave para o ser humano se estabelecer em bases permanentes.

Redação Terra

Imagem identificaria gotas de água líquida em Marte

A sonda espacial Phoenix pode ter captado as primeiras imagens de água líquida durante sua aterrissagem em Marte em 25 de maio de 2008, de acordo com alguns membros da equipe responsável pela missão. Segundo a controversa interpretação, gotas de água teriam respingado em um dos suportes inferiores da nave enquanto ela pousava em solo marciano. O estudo foi publicado na edição desta quarta-feira da revista científica New Science.

De acordo com os especialistas, as misteriosas manchas que atingiram a sonda cresceram com o passar das semanas. Para os cientistas, o líquido se trata especificamente de água salgada e foi aumentando ao absorver vapor de água da própria atmosfera do planeta.

A hipótese pode ser sustentada pela descoberta anterior de sais de perclorato no solo, uma vez que a substância é capaz de manter a água líquida em temperaturas abaixo de zero. Os defensores da teoria consideram que, com o efeito anticongelante provocado pelo perclorato, seria possível existir água líquida em grandes quantidades abaixo da superfície de Marte.

A pesquisa foi realizada por 21 estudiosos da Nasa, agência espacial americana - entre eles, o chefe da missão Phoenix, Peter Smith, da Universidade do Arizona, e Nilton Renno, da Universidade de Michigan. O estudo será apresentado em março durante a conferência de Ciências Lunares e Planetárias em Houston, no Texas.

O local onde a Phoenix pousou é muito frio para a água pura existir na forma líquida - a temperatura nunca ficou mais quente do que -20ºC durante os cinco meses de missão.

No entanto, para os cientistas, a água salgada pode continuar líquida em baixas temperaturas, até porque os sais de perclorato identificados na região teriam um efeito anticongelante especialmente forte. Ou seja, uma grande mistura de água salgada e perclorato poderia ficar em estado líquido em temperaturas de até -70ºC, avaliaram os pesquisadores.

Conforme o estudo, se o perclorato está disseminado em altas concentrações no planeta, então bolsões de água líquida poderiam ter se formado abaixo do solo marciano. "Segundo nossos cálculos, pode existir água salgada em forma líquida no subsolo de todo o planeta vermelho", assegurou Renno, principal responsável pelo estudo. O cientistas diz que a imagem captada pela Phoenix representa a primeira evidência direta de que a teoria está correta.

Segundo os cientistas, a indicação mostra gotas de água líquida em grande parte de um dos suportes da Phoenix

Segundo os cientistas, a indicação mostra gotas de água líquida em grande parte de um dos suportes da Phoenix

Redação Terra

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Jovens estrelas são vistas pela 1ª vez em anel de gás

Uma equipe de cientistas encontrou estrelas jovens pela primeira vez em uma primitiva estrutura de gás chamada "anél de Leo". Segundo eles, o achado sugere a existência de um grande números de associações de estrelas deste tipo no universo e de galáxias anãs que não foram vistas até hoje. As informações são da EFE.

O estudo foi realizado a partir de imagens captadas pelo telescópio Galex (Galaxy Evolution Explorer), da Nasa, agência espacial americana. As novas associações estelares, que abrigam estrelas desconhecidas, puderam ser vistas nas fotos.

De acordo com os astrônomos, os contornos em amarelo indicados nas imagens mostram a distribuição de gás (hidrogênio), onde teriam se formado as estrelas que compõem as associações.

Na imagem, o anel de Leo é indicado com o código 2E na localização chamada de região I

Na imagem, o "anel de Leo" é indicado com o código "2E" na localização chamada de região I


Redação Terra

Cometa Lulin se aproxima e será visível na próxima semana

O cometa Lulin, descoberto por astrônomos de Taiwan e da China há dois anos, terá sua aproximação máxima da Terra na madrugada desta terça-feira e poderá ser visto com ajuda de binóculos. Ele estará a cerca de 60 milhões de quilômetros, menos da metade da distância entre Terra e o Sol.

O cometa é verde por causa da estrutura de seus compostos de carbono e porque têm cianogênio, um gás tóxico.

Sua órbita, ao contrário do que ocorre na maioria dos cometas, é no sentido horário. Esta é a primeira passagem de Lulin perto do Sol, dizem astrônomos, porque ele ainda preserva a maior parte dos seus gases.

Quando ele se aproximar da estrela, o chamado "vento solar" deve varrer esses gases, formando a cauda do cometa.

Cometa Lulin, de tom esverdeado, poderá ser visto com binóculos na madrugada entre segunda e terça-feira

Cometa Lulin, de tom esverdeado, poderá ser visto com binóculos na madrugada entre segunda e terça-feira

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Cientistas usam luz do Sol para produzir combustíveis

Pesquisadores usaram a luz do sol para converter dióxido de carbono e vapor de água em uma série de combustíveis, e de maneira mais rápida do que em qualquer experiência passada, graças ao uso de nanotubos como catalisadores.

Craig Grimes e seus colegas do departamento de ciência de materiais da Universidade Estadual da Pensilvânia usaram nanotubos ocos de titânia (dióxido de titânio), com cerca de 135 nanômetros de diâmetro e comprimento de um décimo de milímetro, como catalisadores na reação.

Outros cientistas já haviam utilizado nanopartículas de titânia para acelerar esse processo em experiências passadas, mas Grimes e sua equipe conseguiram gerar diversas formas de hidrocarbonetos cerca de 20 vezes mais rápido do que os resultados obtidos em experiências anteriores, graças ao uso inteligente de algumas leis da química.

Os pesquisadores acrescentaram um pouco de nitrogênio aos seus nanotubos, e carregaram nanopartículas de cobre e platina nas superfícies. Sozinho, o material conhecido como titânia funciona melhor como catalisador dessas reações sob luz ultravioleta.

Mas com o acréscimo de nitrogênio e cobre à mistura, os tubos de titânia passam a preferir a luz no espectro visível, de acordo com Grimes. E as nanopartículas de cobre e de platina são acrescentadas porque os cientistas supõem que elas acelerem os estágios posteriores da reação.

A reação mesma acontece no interior dos nanotubos, que são ocos e têm uma grande área superficial interna graças às suas paredes ultrafinas, de apenas 20 nanômetros.

Reação em cadeia
Os pesquisadores encheram tubos de aço com dióxido de carbono e vapor de água, cobriram o extremo das câmaras com uma película dos nanotubos que criaram e tamparam os recipientes com uma janela de quartzo, para permitir a entrada da luz. As câmaras fechadas foram em seguida montadas em áreas externas dos edifícios do campus, em dias ensolarados do período julho-setembro de 2008.

Quando a luz incide sobre os nanotubos, eles liberam partículas energéticas portadoras de carga elétrica, que dividem as moléculas de água que existem dentro dos recipientes em dois componentes reativos -radicais de hidróxidos e íons de hidrogênio.

Os pesquisadores ainda não compreenderam exatamente o que acontece ao longo da etapa seguinte do processo, mas acreditam que o dióxido de carbono se divida para formar oxigênio e monóxido de carbono, os quais por sua vez reagem em contato com o hidrogênio em forma gasosa e formam metano e água.

Os aparelhos são capazes de produzir cerca de 160 microlitros de hidrocarbonetos por hora, por grama de nanotubos de titânia empregados, o que representa rendimento pelo menos 20 vezes mais alto do que o registrado em estudos anteriores realizados com o uso de radiação ultravioleta para precipitar a reação. As descobertas da equipe foram publicadas em artigo da revista Nano Letters.

O fisioquímico Michael Gratzel, da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, afirma que os resultados "são um trabalho fundamental que demonstra que os nanotubos podem oferecer maior eficiência de conversão do que as abordagens adotadas anteriormente".

Ele aponta que a eficiência do catalisador continua a ser bastante baixa, mas se declara muito otimista quanto à possibilidade de elevá-la, com esforços posteriores de pesquisa.

Acompanhe o fluxo
"Trata-se claramente de um trabalho muito inteligente, com uso excelente da ciência", afirma o eletroquímico John Turner, do Laboratório Nacional de Energia Renovável dos Estados Unidos, em Golden, Colorado. Mas ele acautela que outras soluções para lidar com o dióxido de carbono podem se provar mais viáveis.

Já existem processos comerciais disponíveis que utilizam o dióxido de carbono na produção de uma mistura conhecida como "syngas", que pode posteriormente ser convertida em hidrocarbonetos por meio de um processo contínuo.

Mas com os novos aparelhos que envolvem nanotubos, as câmaras teriam de ser reabastecidas de dióxido de carbono e água, a intervalos regulares, a fim de manter a reação em curso. "Por que alguém quereria tomar um conveniente processo contínuo e torná-lo intermitente ao acoplá-lo à (energia) solar?", ele questiona.

Mas os pesquisadores da Pensilvânia argumentam que seu processo também pode se desenvolver como ciclo contínuo caso o dióxido de carbono e o vapor de água sejam capazes de atravessar a película de nanotubos e o metano combustível recolhido do lado oposto.

Mesmo com os nanotubos atuais, Grimes calcula que um refletor que concentre a luz solar sobre um metro quadrado de película de nanotubos poderia render 500 litros de metano em prazo de oito horas.

No entanto, o pesquisador concorda em que o ritmo de produção continua a ser muito baixo - "até o momento, não criamos nada que possa salvar a humanidade", diz.

Mas espera que depositar as nanopartículas de cobre em padrão mais regular sobre a superfície dos nanotubos, bem como outras melhoras, ajude a aumentar o ritmo de conversão em milhares de vezes.

"Acredito que o método possa se tornar comercialmente praticável com determinadas fontes concentradas de dióxido de carbono, como uma usina de energia acionada a carvão", ele diz.

Os cientistas usaram nanotubos ocos de titânia (dióxido de titânio), com cerca de 135 nanômetros de diâmetro

Os cientistas usaram nanotubos ocos de titânia (dióxido de titânio), com cerca de 135 nanômetros de diâmetro

Tradução: Paulo Migliacci ME

Nature

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Amadores podem "contar" galáxias na Internet

O website Galaxy Zoo, criado pelo astrofísico Chris Lintott, da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, utiliza a ajuda de internautas para classificar galáxias espalhadas pelo universo. Nele, qualquer pessoa pode ajudar a catalogar um milhão de fotos de galáxias de acordo com sua forma, e até descobrir novos corpos celestes nas imagens.

As fotografias foram capturadas por um potente telescópio instalado no Novo México, nos Estados Unidos. Ao ser colocado no ar, mais de 200 mil astrônomos amadores passaram a tentar encontrar galáxias em espiral ou elípticas no Galaxy Zoo, segundo a BBC Brasil.

Uma das usuárias do site disse que "só o fato de poder ver galáxias que estão muito além do Sistema Solar já é sensacional". Para alguns, é uma oportunidade de participar de um projeto de astronomia, informou a sucursal brasileira da agência britânica.

Uma segunda versão do programa, com mais 250 mil fotos do espaço, deve ser disponibilizada em breve. O trabalho pode ajudar os cientistas a entender questões fundamentais como a formação de galáxias e as origens do universo.

Astrônomos iniciantes podem ajudar a catalogar um milhão de fotos de galáxias em um website

Astrônomos iniciantes podem ajudar a catalogar um milhão de fotos de galáxias em um website

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Cientistas elegem os 10 telescópios mais importantes do mundo

Não é preciso um grande espelho para causar grande impacto. O Sloan Digital Sky Survey, um projeto conduzido com um modesto telescópio com 2,5 metros de diâmetro no Novo México, executou as observações científicas mais citadas em 2006, de acordo com uma nova análise sobre os 10 observatórios astronômicos de maior impacto.

"A avaliação aponta a qualidade científica da contribuição do telescópio", diz Juan Madrid, da Universidade McMaster, no Canadá, sobre a lista de 10 telescópios mais influentes que ele vem compilando quase todo ano desde 1998.

"De certa forma, ela mede a competência do comitê que aloca tempo de observação, e a qualidade do telescópio. Também diria que mede a competência dos cientistas".

Entre os cinco melhores há outro telescópio modesto, o Swift, telescópio instalado em satélite que observa surtos de raios-gama. Os três outros postos são ocupados por gigantes da astronomia: o telescópio Espacial Hubble; os quatro telescópios de oito metros do Observatório Meridional Europeu, em Paranal, Chile; e os dois telescópios de 10 metros do observatório Keck, no Havaí.

A tabela mostra que os avanços tecnológicos de um telescópio podem levá-lo ao topo da lista, mas que a cultura e as limitações da instituição que o opera são importantes. No entanto, alguns astrônomos acautelam que o número de citações em trabalhos científicos é apenas um dos indicadores que deveriam ser usados na avaliação de valor.

"Creio que diversos fatores precisem ser considerados para determinar a importância de um observatório", diz Robert Williams, presidente eleito da União Astronômica Internacional e ex-diretor do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial, em Baltimore, que opera o telescópio Hubble.

Mestres do universo
Madrid começou a montar seu ranking em 2001, quando trabalhava no instituto de telescopia de Baltimore. Naquele momento, o interesse político em reformar o Hubble era escasso.

O método dele foi avaliar os 200 estudos científicos mais citados de cada ano, desconsiderar os trabalhos teóricos, determinar que observatórios responderam pelos estudos restantes e calcular as citações. O mais recente ranking, aceito para publicação pelo Bulletin of the American Astronomical Society, se refere aos estudos mais citados em 2006, porque são precisos dois anos para que número considerável de citações sejam acumuladas.

O ranking sempre confere posição de destaque ao Hubble, que está entre os cinco mais a cada ano. Outros observatórios têm passagens notáveis pelo ranking por breves períodos e depois perdem o destaque. A Sonda Anisotrópica de Micro-Ondas Wilkinson, por exemplo, ficou em primeiro em 2003, depois do lançamento de seu importantíssimo mapa da radiação cósmica de fundo.

Em 2004, havia caído para o quarto posto. Mas, depois que seus dados já haviam sido explorados a fundo, a sonda perdeu destaque e não ficou entre os 10 mais em 2006.

Já o Sloan Digital Sky Survey está em alta, liderando o ranking em 2004 e 2006 (Madrid não publicou um ranking quanto a 2005). O trabalho do observatório ajudou a deslindar a estrutura da Via Láctea e a averiguar indiretamente o efeito da energia escura sobre a expansão acelerada do universo, diz David Weinberg, da Universidade Estadual do Ohio em Columbus, um dos astrônomos que coordenam o trabalho do observatório.

Vencedores e derrotados
Alguns astrônomos expressaram abertamente suas dúvidas quanto a algumas ausências conspícuas na lista dos 10 mais, entre as quais a do observatório Gemini, que opera com dois telescópios de oito metros, um no Havaí e o segundo no Chile.

Timothy Beers, da Universidade Estadual do Michigan em East Lansing e presidente do comitê científico do Gemino, aponta para o fato de que os telescópios do observatório foram projetados mais para observar a banda infravermelha do que a visível do espectro, e por isso recebem pedidos de trabalho de uma proporção menos da comunidade científica.

"Eles não foram concebidos como telescópios de propósitos gerais", disse Beers. "E isso é um problema quanto ao ranking". Na ausência de gama mais ampla de instrumentos que permitam observar porção mais larga do espectro, Beers diz que muitos cientistas tendem a optar por outros observatórios.

Outra questão, ele diz, é o controle sobre a alocação do tempo de observação sempre limitado. Telescópios controlados e operados por instituições privadas, como o observatório Keck, podem dedicar muito tempo a pequenos grupos de cientistas que trabalham com os tópicos mais suculentos.

O Gemini, um consórcio público que representa sete países, tem sete comitês diferentes de alocação de tempo. Isso torna mais difícil organizar campanhas longas e unificadas - ainda que Beers reconheça que os conjuntos de dados mais amplos obtidos de campanhas longas tendam a propiciar ciência de mais alto impacto.

Mas a maioria dos astrônomos considera que o indicador oferecido pelo número de citações é apenas uma de muitas maneiras de medir a eficiência de um observatório. Outras incluiriam a produção geral de estudos científicos e o número de pedidos de observação comparado ao de trabalhos de observação realizados.

"Minha opinião geral é que essa mania das citações foi exagerada ao absurdo", diz Weinberg. "Mas esse indicador faz diferença? Creio que sim, especialmente no momento de tentar arrecadar fundos".

E assim Weinberg fez questão de apresentar os rankings referentes a 2004 ¿e a liderança do Sloan Digital Sky Survey- ao pedir por uma prorrogação de seis anos na operação do projeto. O programa conquistou US$ 99 milhões em verbas da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos, na metade do ano passado.

"Que impacto o ranking exerceu sobre os jurados e os diretores de programas da fundação? Não posso dizer. Mas decerto exerceu algum impacto, como bem deveria".

Imagem da Galáxia Whirlpool feita pelo telescópio Sloan Digital Sky Survey

Imagem da Galáxia Whirlpool feita pelo telescópio Sloan Digital Sky Survey

The New York Times

Cientista defende que pode haver vida 'alienígena' na Terra

A Terra pode estar abrigando várias formas de vida alienígenas, completamente dissociadas dos seres vivos já conhecidos, segundo um cientista da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

Em uma apresentação durante a conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), em Chicago, o físico Paul Davies disse ainda que essas "vidas paralelas" podem estar escondidas em locais inóspitos, como desertos, lagos de sal, fontes hidrotermais e áreas com altas temperaturas e radiação solar.

Davies afirmou ainda que várias desses "seres estranhos" podem estar vivendo entre nós, em formas que ainda não são conhecidas.

Eles fez um apelo para que a comunidade científica lance uma "missão à Terra" para vasculhar ambientes tidos como hostis em busca de sinais de bioatividade.

"Não precisamos viajar a outros planetas para encontrar formas de vida estranhas. Elas podem estar bem aqui debaixo de nossos narizes", disse.

"É perfeitamente razoável a idéia de uma biosfera paralela aqui na Terra", defendeu. "Mas nunca ninguém se importou em procurar por ela. Eu pergunto: 'Por quê?'.

Não é caro - seria um custo bem menor do que se gasta procurando por extraterrestres."

Davies foi um dos palestrantes de um simpósio que explorou a possibilidade de que a vida se desenvolveu na Terra mais de uma vez.

Segundo os cientistas, os descendentes desta "segunda gênese" podem ter sobrevivido até hoje, em uma "biosfera paralela" que está além da percepção humana porque seus habitantes têm uma bioquímica muito diferente da nossa.

"Todos os nossos microscópios estão desenvolvidos para estudar a vida que nós conhecemos - então não é uma surpresa que não tenhamos encontrados micróbios com uma bioquímica diferente", afirmou Davies.

"Ainda não sabemos muito bem a aparência dessas formas de vida estranhas. É algo tão amplo como a própria imaginação, e é por isso que é tão difícil procurar por elas", disse.

Segundo o cientista, a base desses organismos poderia ser o DNA e o RNA, mas com um código genético distinto ou com diferentes aminoácidos. Ou ainda, essas criaturas poderiam apresentar diferenças mais acentuadas.

"Talvez um dos elementos usados pela vida - carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e fósforo - pode ter sido substituído por outros", explicou Davies. "Um dos exemplos é o arsênico, que é venenoso para o homem mas têm propriedades que dariam condições ideais ao desenvolvimento de micróbios."

Outro pesquisador, Steven Benner, da Universidade da Flórida, disse que antes de procurar por esses seres, é preciso provar que é possível criar novas moléculas capazes de sobreviver e evoluir.

Sua equipe desenvolveu um sistema químico sintético que precisa ser alimentado externamente, mas que é capaz de evoluir e se adaptar em uma geração seguinte.

"Nosso próximo passo será aplicar um processo de seleção natural", afirmou Benner.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Marte pode ter abrigado enorme campo de gelo, diz estudo

O enigmático Meridiano Plano de Marte - uma pequena região plana próxima ao equador - poderia ter sido um enorme campo de gelo na antiguidade, informou um estudo divulgado na revista científica Nature. A região é famosa por abrigar depósitos de hematita cristalina cinza, um mineral que geralmente se forma em lagos ou em lugares onde houve água parada. As informações são da EFE.

Os autores do estudo, cientistas do Centro Espacial Johnson, da NASA, agência espacial americana, analisaram sedimentos, restos químicos e a geologia do Meridiano Plano a partir de informações recolhidas pela sonda espacial Opportunity. De acordo com Paul Niles e Joseph Michalski, a reação de pequenos pedaços de gelo na poeira atmosférica poderia ser responsável pela composição química única que existem nestes depósitos minerais.

Atualmente a região não possui mais nenhum grande campo de gelo. Para os cientistas, a teoria sobre a existência de água congelada na zona há milhões de anos é sustentada pelo eixo de rotação do planeta vermelho na época. A hipótese diz que Marte se encontrava em um ângulo de movimentação ao redor do Sol diferente do atual.

Silício
Em outubro do ano passado, a sonda espacial Mars Reconnaissance Orbiter detectou um novo tipo de mineral em Marte que indica a presença de água há muito mais tempo do que se acreditava. A presença de silício hidratado, também conhecido como opala, são indícios fundamentais da presença de água há milhões de anos em Marte, disseram os pesquisadores.

Em comunicado na época, o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês) informou que os novos minerais se formaram quando a água alterou os materiais criados pela atividade vulcânica e pelo impacto de um meteorito. Até então, haviam sido descobertos apenas filosilicatos e sulfatos hidratados que se formaram há 3,5 milhões de anos.

O setor Meridiano Plano é famoso por abrigar depósitos de minerais que geralmente se formam em lagos

O setor Meridiano Plano é famoso por abrigar depósitos de minerais que geralmente se formam em lagos


Redação Terra

Minissatélite japonês estuda tempestades da Terra

Um minissatélite experimental japonês, desenvolvido por estudantes da Universidade de Osaka (oeste) e por pequenas empresas nipônicas, conseguiu observar tempestades, abrindo, assim, novas possibilidades para a meteorologia, segundo seus criadores.

O pequeno satélite Maido (de 50 cm de comprimento e 55 kg), que gira em torno da Terra a uma altitude de 666 km, realizou provas concludentes de medição de tormentas em 60 pontos entre quinta-feira passada e sábado, algumas delas sobre a Austrália e países africanos, informou a Universidade de Osaka.

"Captamos perfeitamente os sinais", informou à imprensa o professor Zenichiro Kawasaki. O satélite está dotado de um sistema único para examinar as tempestades. Concebido pela Universidade de Osaka, poderia, no futuro, também ser instalado no laboratório japonês Kibo, ancorado à Estação Espacial Internacional (ISS).

Maido faz parte de um grupo de sete pequenos aparelhos de estudo enviados no foguete nipônico H-2A no final de janeiro durante o lançamento do primeiro satélite mundial de observação de gases de efeito estufa, Ibuki, desenvolvido pela Agência de Exploração Espacial Japonesa (Jaxa).

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Ovnis vistos nos EUA seriam restos de explosão de satélites

Os Objetos Voadores Não-Identificados (Ovnis) que foram vistos nos Estados Unidos poderiam ser escombros dos satélites russo e americano que bateram e explodiram no espaço recentemente, afirmou a autoridade americana de aviação. As informações foram divulgadas pela BBC Brasil nesta segunda-feira.

O registro dos OVNIs ocorreu nos céus do Estado do Texas e os objetos eram parecidos com cometas, segundo a agência. Em um clube de golfe, várias pessoas disseram ter visto um rastro de fogo cruzar o céu.

Para o comando estratégico militar americano, os fenômenos registrados no Texas não possuem qualquer relação com a colisão de satélites, de acordo com a BBC Brasil. No entanto, o órgão de aviação do país advertiu seus pilotos neste sábado sobre os perigos dos escombros dos equipamentos cairem na Terra.

A colisão entre os dois satélites de comunicação aconteceu na última terça-feira e foi a primeira do tipo na história, explicou a Nasa, agência espacial americana. O choque se deu a cerca de 780 km acima do território da Sibéria, na Rússia.

Objetos parecidos com cometas surpreenderam os moradores nos céus do Texas

Objetos parecidos com cometas surpreenderam os moradores nos céus do Texas


Redação Terra

Satélites da Rússia e EUA que se chocaram seguem em órbita

Os satélites russo e americano que se chocaram na terça-feira da semana passada sobre a Sibéria não sofreram danos graves e continuam na órbita da Terra, informou nesta segunda-feira o analista militar russo Igor Lisov à agência Interfax.

"Tudo indica que a colisão não foi frontal e que os satélites bateram de raspão, pois praticamente não sofreram danos e, após o choque, mantiveram-se em uma órbita estável, embora distinta à inicial", afirmou.

Ele não descartou que as baterias solares ou que outros elementos de ambos os satélites tenham se enganchado, mas ressaltou que, em qualquer caso, o número de fragmentos como resultado da colisão deve ser "consideravelmente inferior" ao estimado anteriormente.

Segundo fontes oficiais, meios de observação do espaço cósmico detectaram e seguem o movimento de 38 grandes fragmentos resultantes da colisão, apesar da Nasa, agência espacial americana, afirmar que houve cerca de 600 fragmentos.

Segundo Lisov, o comando estratégico dos Estados Unidos ainda não incluiu esses fragmentos em seu catálogo de objetos cósmicos.

A colisão aconteceu no último dia 10, entre um aparelho espacial americano Iridium-33 e um satélite militar russo Cosmos-2251, este último fora de funcionamento, a uma altura de aproximadamente 800 quilômetros sobre a Sibéria.

Em consequência do choque, os fragmentos dos aparelhos se dispersaram, a uma altura entre 500 e 1.300 quilômetros, segundo fontes russas.

Diversos meios de comunicação americanos informaram sobre estranhas "bolas de fogo" cuja queda foi detectada no Texas (EUA), o que motivou a suspeita de que fossem fragmentos dos satélites.

No entanto, especialistas russos consultados pela "Interfax" consideraram improvável esta hipótese e afirmaram que foi um meteorito o que caiu nos EUA.

EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Nos 445 anos de Galileu, astronomia avança

O famoso astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642), cujos 445 anos de nascimento são comemorados neste domingo, impressiona os especialistas até hoje por ter formulado novas teorias sobre o universo, que contrariavam o que se conhecia até a época, tendo à disposição apenas equipamentos limitados e de pouca qualidade. Com uma simples luneta refratora (de lente principal objetiva), o cientista coletou dados que revolucionaram a astronomia, deixando marcas que atravessam séculos.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a União Astronômica Internacional (UAI) aproveitaram a data e decretaram em 2009 o Ano Internacional da Astronomia. Com participação de mais de 100 países, a iniciativa marca os 400 anos da primeira observação astronômica feita pelo cientista.

"Galileu tinha grandes limitações em seu trabalho e utilizava equipamentos de qualidade óptica sofríveis", afirmou o geógrafo Gilberto Klar Renner, do Planetário de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que estuda astronomia. Para superar estes problemas, explicou Renner, "ele fez novas medições e adaptações que lhe permitiram desenvolver novas lunetas e qualificar suas observações".

Atualmente, os astrônomos não enfrentam tantas dificuldades quanto Galileu. A tecnologia chegou a um estágio tão avançado que em muitas pesquisas o profissional não vai mais ao observatório para concluir um estudo, avaliou Renner. "Nos grandes observatórios, os equipamentos coletam todas as informações (raios infravermelhos e ultravioleta), deixando as medições para o computador. O cientista só precisa pegar os dados e analisá-los", disse.

Os telescópios modernos, associados a detectores de carga acoplada (CCD, Charged Coupled Devise), podem ser milhões de vezes mais eficientes e muito mais precisos do que a antiga luneta de Galileu, mas os princípios ópticos são essencialmente os mesmos, pois captam mais luz do que o olho humano. Quem garante isto é o físico Horacio Dottori, professor do Departamento de Astronomia da UFRGS e pesquisador do CNPq.

Para o especialista, captar mais luz dos alvos astronômicos significa poder enxergar objetos mais fracos ou observar objetos extensos com maior resolução angular. "O olho humano, ao focar um carro, observa o veículo reduzir-se cada vez mais de tamanho, enquanto a pessoa se distancia. Sabemos que, na verdade, o carro ainda tem o tamanho real, mas o que muda com a distância é o ângulo sob o qual o olho observa aquele carro. Um binóculo, por exemplo, nada mais é do que dois pequenos telescópios lado a lado, que, além de aumentar o tamanho angular do objeto, permite prolongar a visão estereoscópica (tridimensional) do olho humano.

O pesquisador lembrou também que a qualidade da observação e o alcance do instrumento dependem do diâmetro da objetiva que coleta a luz do astro no equipamento. "Quanto maior a lente, maior a entrada de luz e melhor a nitidez do foco", completou.

Gênio controvertido
O astrônomo, físico e matemático Galileu Galilei nasceu em 15 de fevereiro de 1564 em Florença, na Itália. Foi o responsável por melhorar significativamente o telescópio refrator, além de fazer importantes descobertas como as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vênus, os quatro grandes satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e aglomerações de estrelas da Via Láctea.

Mesmo pioneiro em observações astronômicas, o pesquisador não teve uma vida fácil. Foi condenado por heresia pelo Tribunal da Inquisição, da Igreja Católica, por aderir à teoria do heliocentrismo, proposta por Copérnico. Ele também acreditava que o Sol era o centro do universo e não a Terra. Morreu em 8 de janeiro de 1642 e foi enterrado na Basílica de Santa Croce, em Florença.

Problemas de visão
Cientistas do Museu de Florença, na Itália, querem abrir o túmulo de Galileu para analisar seu DNA, a fim de entender se o pesquisador sofria de alguma doença degenerativa nos olhos, que teria lhe causado uma cegueira. Com o DNA, os especialistas europeus afirmam que podem compreender como a enfermidade teria distorcido sua visão para compreender alguns erros cometidos por Galileu, como descrever que o planeta Saturno tinha 'orelhas laterais', em vez dos anéis.

Gilberto Klar Renner acredita que o equívoco de Saturno não deve ser atribuído à cegueira porque "a qualidade óptica do seu equipamento não permitia identificar os anéis com clareza". Segundo ele, "os anéis foram vistos de frente, e não de lado, devido a uma posição diferente que o planeta se encontrava". "Alguns meses mais tarde, Galileu conseguiu corrigir o erro, prevendo que a posição do ponto observado iria mudar", destacou.

Para Horacio Dottori, o possível problema de visão de Galileu pode ter sido provocado pelo Sol. "Olhar diretamente para o Sol pode queimar a retina. Galileu não se deu conta disso e acabou se prejudicando", considerou. O especialista alertou que o efeito se torna ainda pior no caso do uso de um telescópio, já que o instrumento foi feito para captar bastante luz.

Luneta utilizada por Galileu entre 1609 e 1610 foi exposta em museu de Florença

Luneta utilizada por Galileu entre 1609 e 1610 foi exposta em museu de Florença


Redação Terra