sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Divulgada 1ª imagem do espaço do telescópio Vista

O Observatório Europeu do Sul, ESO, divulgou nesta sexta-feira a primeira imagem realizada pelo seu novo telescópio, o Vista. A imagem mostra uma estrela se formando na região conhecida como a Nebulosa da Chama, ou NGC 2024, na constelação de Órion (o caçador). As informações são do ESO.

Sem utilizar a luz infravermelha, o núcleo da nebulosa, repleto de estrelas jovens, fica completamente escondido atrás de uma nuvem de poeira. O amplo campo de visão do telescópio inclui na imagem o contorno fantasmagórico da Nebulosa Cabeça de Cavalo (Barnard 33) , no canto inferior direito, e a estrela azulada brilhante à direita é uma das três estrelas que formam o Cinturão de Órion.

O Vista é um telescópio de pesquisa que trabalha em comprimentos de onda infravermelhos e é o maior telescópio do mundo dedicado à cartografia do céu. Sua grande lente, seu amplo campo de visão e os detectores muito sensíveis são capazes de revelar imagens completamente novas do céu com resolução inédita.

Imagem mostra a estrela espectacular formada na região conhecida como a Nebulosa Flame, ou NGC 2024, na constelação de Órion (o caçador) e seus ... Foto: ESO/Divulgação

A imagem mostra estrelas se formando na região conhecida como a Nebulosa da Chama, ou NGC 2024, na constelação de Órion (o caçador)

Redação Terra

Nasa capta choque de galáxias em torno de buraco negro

As imagens em raios X do observatório Chandra figuram em cor púrpura. Já as infravermelhas do telescópio Spitzer estão em vermelho, e as do ... Foto: EFE

As imagens em raios X do observatório Chandra figuram em cor púrpura. Já as infravermelhas do telescópio Spitzer estão em vermelho, e as do Observatório Europeu Austral, no Chile, podem ser vistas em vermelho, verde e azul

Os telescópios espaciais da Nasa captaram a imagem do choque de duas galáxias que giram em torno de um buraco negro, informou nessa quinta-feira a agência americana em sua página na internet. A foto da colisão, conseguida por meio de uma justaposição das imagens transmitidas pelos observatórios, mostra o momento do choque das galáxias "NGC 6872" e "IC 4970".

As imagens em raios X do observatório Chandra figuram em cor púrpura. Já as infravermelhas do telescópio Spitzer estão em vermelho, e as do Observatório Europeu Austral, no Chile, podem ser vistas em vermelho, verde e azul. Segundo o relatório da Nasa, IC 4970, que é a galáxia menor na parte superior da imagem, contém um buraco negro envolto por gás e poeira cósmica invisíveis para um telescópio óptico.

No entanto, os raios X e infravermelhos conseguem ultrapassar essa barreira cósmica e detectar a luz que gera o material que finalmente é tragado pelo buraco negro (que na imagem se vê como um ponto de luz brilhante). Estas duas galáxias estão no processo de colisão e a força gravitacional de IC 4970 provavelmente absorveu parte da grande reserva de gases frios da NGC 6872 que alimentam o gigantesco buraco negro, informou a Nasa.

EFE
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Estudo diz que atmosfera teve origem no exterior do planeta

Os gases que formaram a atmosfera terrestre, e possivelmente os oceanos, tiveram origem no espaço exterior, e não no interior do planeta, afirma um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Science.

Isso significa que terão que ser reconsideradas as imagens que mostram enormes vulcões espalhando gases, que depois se transformariam na atmosfera, afirmaram os cientistas Greg Holland, Martin Cassidy e Chris Ballentine, da Universidade de Manchester, no Reino Unido.

Mediante técnicas analíticas avançadas, os pesquisadores descobriram marcas claras de meteoritos nos gases vulcânicos. A partir dessa análise, sabe-se agora que esses gases não contribuíram de maneira importante para a formação da atmosfera.

"Portanto, os elementos que a formaram, assim como os oceanos, devem ter chegado de algum outro lugar, possivelmente do bombardeio de gases e corpos abundantes em água, como os cometas", disse Holland, Segundo Ballentine, "agora o quadro dos vulcões em erupção terá que ser recomposto" na formação da Terra.

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sonda Cassini capta figuras geométricas em Saturno

A sonda Cassini da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA) captou imagens de círculos concêntricos e outras formas geométricas que não tinham sido detectadas até agora no polo norte de Saturno, informou hoje o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês).

As figuras estão em um misterioso formato hexagonal no polo norte desse planeta e foram descobertas pela sonda Voyager da Nasa há 30 anos. "Trata-se de uma das coisas mais estranhas que já vimos em todo o sistema solar", indicou Kevin Baines, cientista em temas atmosféricos de JPL.

As imagens do hexágono, criado pelos feixes de luz que surgem do polo, revelam círculos concêntricos e outras formas geométricas que ainda não tinham sido detectadas.

O hexágono onde estão localizadas as figuras fica no polo norte de Saturno, a 77 graus de latitude, e seu diâmetro seria duas vezes o da Terra. Acredita-se que os jatos que dão forma se deslocam cem metros por segundo.

"A longevidade do hexágono o transforma em algo especial, como as estranhas condições meteorológicas que dão origem à Grande Mancha Vermelha descoberta em Júpiter", disse Kunio Sayanagi, cientista de Cassini no Instituto Tecnológico da Califórnia.

As câmeras de luz visível da sonda, que têm maior resolução que as registradas pela Voyager, registraram as imagens do hexágono em janeiro, quando o planeta chegava a seu equinócio. Os cientistas do JPL combinaram 55 imagens para criar um mosaico.

Os cientistas querem descobrir agora o que provoca a formação do hexágono, de onde surge sua energia e por que se manteve durante tanto tempo. Além disso, estão interessados em resolver o mistério sobre uma grande mancha escura que aparece nas imagens em infra-vermelho captadas por Cassini.

Como Saturno não tem massas oceânicas ou de terra que compliquem o sistema meteorológico como ocorre na Terra, suas condições dão aos cientistas um modelo para estudar os padrões de circulação atmosférica, disse Baines.

"Agora que podemos ver ondulações e formas circulares em vez de manchas no hexágono, podemos tratar de resolver mistérios que nos ajudarão a responder dúvidas em nosso próprio planeta", acrescentou.

A sonda captou imagens de círculos sobrepostos e outras formas geométricas que não tinham sido detectadas até agora no Polo Norte de Saturno Foto: Nasa/Divulgação
A sonda captou imagens de círculos sobrepostos e outras formas geométricas que não tinham sido detectadas até agora no Polo Norte de Saturno

EFE
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Falha em válvula atrasa lançamento de satélite europeu

O lançamento do satélite "espião" militar Helios 2B, previsto para hoje no centro espacial de Kuru, na Guiana Francesa, foi adiado por problemas técnicos detectados em uma válvula de combustível da plataforma de lançamento.

A entrada em órbita do satélite de observação militar vai acontecer "em poucos dias", segundo disse à Agência Efe o presidente do consórcio espacial europeu Arianespace, Jean-Yves Le Gall.

Le Gall encontrou a imprensa para informar que, por enquanto, não pode dizer quando a peça danificada será reparada. Ele afirmou, ainda, que a decisão de suspender o lançamento responde à política prioritária de todos os países-membros deste programa, de não assumir riscos e "garantir uma missão bem-sucedida".

O lançamento do novo satélite estava previsto para 13h26 no horário local (14h26 de Brasília), a bordo do foguete Ariane-5.

Uma vez posto em órbita, o Helios 2B poderá observar qualquer ponto da Terra, em sincronia com o movimento do Sol, para garantir a mesma iluminação nas fotografias tiradas sobre um mesmo lugar e evitar, assim, a possível distorção das imagens.

As Forças Armadas poderão utilizar essas imagens depois para preparar missões e estudar possíveis ameaças, assim como para elaborar mapas de zonas pouco conhecidas ou para prever catástrofes meteorológicas.

O primeiro satélite Helios, o 1A, foi lançado em 1995 e ainda segue operando, enquanto o Helios 1B, posto em órbita em 1999, deixou de funcionar em 2004. No mesmo ano, foi lançado o primeiro satélite da nova geração, o Helios 2A, "gêmeo" do que seria lançado hoje.

Ao contrário de seus antecessores da família 1, os Helios 2 incorporam sensores ópticos de maior definição, com os quais podem operar em todo tipo de condições e captar detalhes e objetos de tamanho muito pequeno.

Com uma massa de decolagem de 4,2 toneladas, o Helios 2B foi construído pela multinacional europeia EADS Astrium, enquanto os instrumentos ópticos foram desenvolvidos pela companhia Thales Alenia Space.

A França tem 90% das ações do programa, enquanto Bélgica, Itália, Grécia e Espanha têm 2,5% cada. A Alemanha participa como membro associado.

EFE
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Foto de satélite mostra iceberg gigante na costa australiana

Iceberg gigante tem aproximadamente 19 km de extensão Foto: AFP

Iceberg gigante tem aproximadamente 19 km de extensão

Uma foto de satélite divulgada nesta quarta-feira mostra um iceberg gigante que se desprendeu da Antártida e se dirige para o sul da Austrália. A imagem oferece um espetáculo que os especialistas qualificam como único. O cientista Neal Young disse que é um fenômeno "muito raro e pouco comum, pode se passar muito tempo até que apareça um assim. É uma visão que só acontece uma vez na vida".

Os especialistas chamaram o iceberg de B17B, que tem 19 km de comprimento e oito km de largura, e é um dos maiores já vistos perto da Austrália. A peça faz parte de um iceberg três vezes maior que se desprendeu da Antártida em 2000 e passou cinco anos parado em um lugar, por causa das correntes oceânicas nessa região. Os cientistas prevêem que o B17B rachará em seu avanço para o litoral australiano.

EFE
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Engenheiro usa acelerador de partículas para criar esculturas

O americano Bert Hickman transformou em arte seus 32 anos de experiência como engenheiro, criando esculturas com descargas elétricas. Para formar imagens em 2D e em 3D, Hickman, de 62 anos, utiliza um acelerador de partículas de 5 milhões de volts.

"O acelerador injeta um enorme número de elétrons dentro dos moldes de acrílico, criando uma descarga elétrica de até 2,5 milhões de volts", explicou o engenheiro à BBC Brasil.

Segundo ele, a "nuvem" interna de descarga elétrica é semelhante à que se acumula em nuvens durante uma tempestade. "Quando os elétrons presos saem correndo repentinamente, eles criam uma descarga elétrica breve, mas muito forte, parecida com a de um raio."

BBC Brasil
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Nova nave para turismo espacial é apresentada nos EUA

O bilionário britânico Richard Branson apresentou nesta segunda-feira sua nave espacial Virgin Galactic, destinada a turistas que quiserem pagar 200 mil dólares pela viagem. Antes de mostrar a SpaceShipTwo no deserto de Mojave, na Califórnia (oeste), Branson informou que planeja participar do primeiro voo de sua companhia junto com os primeiros clientes, daqui a 18 meses, acompanhado da família e do americano Burt Rutan, que projetou a nave.

Em uma entrevista à rede CNN antes do teste de voo, Branson explicou como a nave foi projetada para voltar à Terra "como uma pluma gigante", para evitar o aumento da temperatura que torna o reingresso na atmosfera uma das etapas mais arriscadas das viagens espaciais.

"Os seis potenciais astronautas estarão sentados na parte central, aqui (...) e subirão a 60 mil pés (18,3 km)". "A 60 mil pés (...), alcançarão 2 mil milhas (3,2 mil km) por hora em 10 segundos, propulsados para o espaço", indicou.

Uma vez no espaço, os viajantes poderão sair de seus assentos e observar a Terra através de grandes escotilhas, explicou. "Poderão flutuar e se tornar astronautas, e quando estiverem prontos para voltar à atmosfera terrestre, sentarão de novo em seus assentos (...) e começarão sua viagem de volta", acrescentou.

"Nessa etapa, a nave efetivamente se transforma em uma pluma gigante, e esse é o gênio de Burt Rutan, o engenheiro por trás disso", concluiu.

AFP
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Crise ameaça meta ucraniana de lançar foguete em 2010

Mergulhada numa profunda crise em decorrência do colapso do sistema financeiro internacional, no fim de 2008, a Ucrânia não tem dinheiro suficiente para concluir o projeto de construção do foguete de médio alcance, o Cyclone 4, com lançamento previsto para o fim de 2010.

De acordo com um integrante da comitiva, que acompanhou a visita de 24 horas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Kiev, a Ucrânia pede um financimento de U$ 200 milhões para finalizar o projeto, orçado em U$ 300 milhões, apenas em investimentos, previstos no Tratado, para serem feitos pelo país do leste europeu.

O Brasil também deve investir inicialmente o mesmo valor na conclusão do centro de lançamento, que será construído dentro da base da Aeronáutica em Alcântara, no Maranhão. Até agora, a soma dos investimentos, de ambos parceiros, é de U$ 140 milhões.

Segundo o integrante do governo brasileiro, a Ucrânia deseja receber parte desses recursos a partir de financimentos, até mesmo patrocinados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No entanto, as regras de atuação do banco não permitiriam essa operação.

Do lado brasileiro, também há atraso, mas as principais pendências, segundo o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, estão próximas de uma solução.

"Teremos uma audiência pública em Alcântara este mês. O impasse com as comunidades quilombolas está próximo de uma solução. Até mesmo a concessão da licença ambiental está bem encaminhada, mas não é possível garantir que o lançamento acontece no ano que vem", advertiu.

O projeto de lançar o foguete ucrâniano no Brasil é liderado pela empresa binacional Alcântara Cyclone Space. A cidade maranhense foi escolhida pela pequena distância em relação à linha do equador, apenas 2º graus ao sul da divisão dos hemisférios sul e norte. Essa proximidade garante economia de até 30% no uso do propelente (combustível) para a viagem especial.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cientista da Nasa defende fracasso na reunião do clima

O cientista James Hansen, que há duas décadas alertou o mundo sobre o perigo do aquecimento global, acredita que seria melhor para o planeta e as futuras gerações que a cúpula de mudança climática de Copenhague terminasse em fracasso. Em entrevista publicada nesta quinta-feira no jornal The Guardian, Hansen disse que qualquer acordo seria tão "desastroso" que seria preciso começar tudo outra vez do zero. As informações são da EFE.

Analista do Instituto Goddard de Estudos do Espaço da Nasa em Nova York, Hansen opina que o melhor é avaliar novamente a situação. "Toda a abordagem está tão fundamentalmente errada que é melhor reavaliar a situação. Se é algo assim como o (protocolo) de Kioto (sobre mudança climática), então (as pessoas) passarão anos tratando de estabelecer exatamente o que significa", assinalou Hansen sobre o eventual acordo em torno do qual líderes mundiais buscarãoi consenso na cúpula da ONU em Copenhague.

O jornal afirma que os quatro principais emissores de gases poluentes - EUA, China, União Europeia e Índia - puseram sobre a mesa ofertas sobre as emissões. Hansen fez um esforço maior que qualquer outro cientista para conscientizar os políticos sobre as causas do aquecimento global e incentivar para que tomem medidas para evitar consequências catastróficas, comenta o periódico britânico.

O especialista critica os políticos porque acredita que fracassaram no cumprimento com o que considera que é o desafio moral de nosso tempo. Na opinião dele, não pode haver compromisso por parte dos políticos ao abordar o problema da mudança climática. "Isto é semelhante ao assunto da escravidão que afrontou Abraham Lincoln e do nazismo que afrontou Winston Churchill", disse.

"Sobre esse tipo de coisas não pode haver compromisso. Um não pode dizer, vamos reduzir a escravidão, busquemos um compromisso de reduzi-la em 50% e 40%", afirmou. Hansen explicou que foi obrigado a falar sobre a mudança climática diante da perspectiva que haja secas, inundações e crise de fome.

Hansen também se opõe fortemente aos esquemas de créditos de carbono, em que autorizações para poluir são compradas e vendidas, e defende taxação sobre uso de energia, segundo a Reuters.

Na quarta-feira, um documento assinado por China, Brasil, Índia e África do Sul rejeitou as principais metas propostas pela Dinamarca, como a redução pela metade das emissões globais de gases do efeito estufa até 2050, em comparação aos níveis de 1990.

A cúpula de Copenhague, a Cop15, começa no próximo em 7 de dezembro. Os líderes terão o dia 18 do mesmo mês para chegar a um acordo.

Astrônomo analisa validade de profecia maia sobre 2012

O destacado astrônomo e antropólogo Anthony Aveni explora em seu novo livro, "The End of Time", o mistério da profecia maia sobre o ano de 2012 e a atração que as interpretações cataclísmicas despertam no público americano de hoje. Conhecido como um dos pais do campo da arqueoastronomia, Aveni combina em sua obra a pesquisa arqueológica e a astronômica para aproximar-se ao conhecimento pré-colombino mesoamericano.

Escrito para o público geral, "The End of Time" explora muitas das teorias apocalípticas que circulam sobre o suposto fim do mundo em 2012, destacando sua origem, difusão e atrativo para o público sofisticado do século XXI.

Em sua prospecção, Aveni se deu conta de que embora houvesse muitas teorias e interpretações, um dos aspectos menos estudados era por que era tão chamativa hoje em dia a crença de uma civilização tão remota quanto a maia, da qual na realidade se sabe tão pouco.

"O que acontecerá em 21 de dezembro de 2012, data na qual termina o calendário maia retornando a zero?", pergunta o autor. Em seu livro, Aveni procura enfrentar com evidência científica os boatos de destruição e de catástrofe que acompanham a data na imaginação popular e explica o que ela poderia ter significado para o povo maia e o que significa para nós hoje.

Aveni afirma que a civilização maia concebia o tempo como cíclico, o que também coincide com uma concepção mítica do tempo. Segundo ele, a escatologia, parte da religião que trata sobre o fim do mundo, distingue duas doutrinas temporárias: a mítica e a histórica.

As crenças apocalípticas de tradição judeu-cristã, explica Aveni, se situam nesta última, já que respondem a um conceito linear do tempo. Por outro lado, os maias concebiam o tempo em grandes ciclos que terminam e iniciam com mudanças significativas nos períodos de transição.

Vem daí o temor associado com o final de um ciclo e o começo de outro, como antecipam os maias para o fim de 2012. No entanto, Aveni explica que as inscrições maias ligadas à profecia deveriam ser compreendidas mais como um mecanismo para preservar o poder político e a estabilidade que como uma previsão literal.

Os maias, afirma Aveni, compreendiam perfeitamente o capital político e religioso que provinha de poder prever o que ia acontecer com base no estudo dos astros. Segundo ele, não é estranho que ao compreender isto, os maias tivessem dedicado tanto empenho a estudar os corpos celestes e a prever eventos astronômicos com grande precisão.

A dúvida que perdura ao longo do texto é que relevância poderia ter o fim de um ciclo de um calendário de uma civilização remota e pouco conhecida para as pessoas de um país tecnologicamente avançado como os EUA, em pleno século XXI.

O tom do livro revela um genuíno interesse por parte do autor não tanto em refutar como cientista as crenças populares, mas em examinar como antropólogo o porquê dessa atração pelo tema nos dias de hoje.

EFE
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Astrônomos descobrem estrela 35 vezes mais quente que o Sol

A estrela foi observada e retratada pela primeira vez e sua temperatura é superior a 200 mil graus Celsius Foto: BBC Brasil

Esta é a primeira vez que a estrela, que fica na nebulosa Bug, foi observada e retratada

Astrônomos da Universidade de Manchester, na Grã-Bretanha, descobriram uma das estrelas mais quentes da galáxia, com temperaturas 35 vezes maiores do que o Sol. Segundo os cientistas do centro de pesquisas Jodrell Bank Centre for Astrophysics da universidade, esta é a primeira vez que a estrela, que fica na nebulosa Bug, foi observada e retratada. A sua temperatura é superior a 200 mil graus Celsius.

"Esta estrela foi muito difícil de ser encontrada porque ela está escondida atrás de uma nuvem de poeira e gelo no meio da nebulosa", disse o professor Albert Zijlstra, da Universidade de Manchester. De acordo com ele, nebulosas planetárias como a Bug se formam quando estrelas que estão morrendo ejetam gás no espaço.

Sorte
"Nosso Sol vai fazer isso em cerca de cinco bilhões de anos. A nebulosa Bug, que está a cerca de 35 mil anos luz na constelação de Escorpião, é uma das nebulosas planetárias mais espetaculares."

Zijlstra e sua equipe usaram o telescópio Hubble para encontrar a estrela. Em setembro, o telescópio foi reformado, com a instalação de mais uma câmera.

As imagens capturadas pelo Hubble serão publicadas na próxima semana na revista científica Astrophysical Journal. "Nós fomos extremamente sortudos que tivemos a oportunidade para capturar esta estrela próximo ao seu ponto mais quente. De agora em diante ela vai se resfriar na medida em que vai morrendo", disse o autor do artigo, Cezary Szyszka, que trabalha no European Southern Observatory.

"Este é um objeto verdadeiramente excepcional". Segundo o cientista Tim O'Brein, da Universidade de Manchester, ainda não se sabe como uma estrela do tipo ejeta sua massa para formação de nebulosas.

BBC Brasil
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

vc repórter: céu colorido atrai a atenção de moradora no RS

A presença de cores no céu do interior de Nova Prata (RS), distante 180 km da capital, Porto Alegre (RS), chamou a atenção dos moradores. Segundo Eliane Comin, o fenômeno parecia uma nuvem vermelha que aos poucos foi ficando colorida, mas não era um arco-íris.

"Eu estava voltando para casa, quando olhei o céu e vi esta cena estranha e linda ao mesmo tempo. Assim que cheguei à casa, bati algumas fotos, mas foi algo muito rápido", conta Eliane, que levanta a possibilidade de ser uma aurora polar.

Segundo o meteorologista André Madeira, da Climatempo, as auroras boreal e austral são formadas apenas em regiões polares, gerando luzes coloridas no céu com a impressão de que estão em movimento.

"Neste caso da cidade de Nova Prata, acima do círculo polar, pode ser um caso de irizacão, que ocorre com a difração da luz do sol em gotas de água ao redor de nuvens com certa quantidade de ventos", diz André Madeira.

No efeito da difração há uma decomposição da luz branca nas diversas cores do espectro solar, que compõem o arco-íris.

Em março deste ano, uma profusão de cores no céu também chamou a atenção de moradores de diferentes cidades brasileiras, entre elas São Borja (RS), Nova Odessa (SP) e Itanhaém (SP).

A internauta Eliane Comin, de Nova Prata (RS), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

vc repórter
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Buracos negros poderiam originar galáxias, diz estudo

Uma das perguntas que mais intrigam astrofísicos diz respeito à relação causal entre buracos negros e galáxias. Qual deles vem primeiro? O buraco negro, essa força monumental que tende a sugar tudo ao seu redor, ou as galáxias, esses gigantescos complexos estelares, no meio dos quais encontramos buracos negros? Um novo estudo, feito a partir de observações de um buraco negro solitário, sem estrelas muito perto de si, lança luz à hipótese de que seriam eles que formariam as galáxias - e não o contrário. As informações são do European Southern Observatory.

De acordo com o estudo, feito por cientistas franceses, alemães e belgas, esse buraco negro estaria construindo uma galáxia em torno de si. Essa galáxia seria rica em jovens e brilhantes estrelas e estaria aumentando a uma taxa de 350 estrelas por ano - valor 100 vezes mais alto que o registrado em galáxias comuns. Um quasar (pequeno ponto altissimamente energético, como o buraco negro, ligado à origem de sistemas de estrelas) contribuiria enviando altas quantidades de energia através de um feixe de partículas e gases, formando a galáxia.

Essa hipótese, por sua vez, permitiria entender, de acordo com o David Elbaz, um dos responsáveis pelo estudo, por que buracos negros localizados no centro de grandes galáxias teriam, por sua vez, uma massa igualmente grande. O estudo, entitulado "Galáxias formadas por quasares: um novo paradigma?" ("Quasar induced galaxy formation: a new paradigm?"), está publicado no Astronomy & Astrophysics Journal.

Lula espera para 2010 lançamento de foguete com Ucrânia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que espera para o ano que vem o lançamento do foguete lançador de satélites Cyclone-4, em parceria com a Ucrânia, antes do término de seu mandato. "Eu espero que, como o meu mandato termina no dia 31 de dezembro, à meia-noite de 2010, eu espero que eu ainda possa inaugurar o lançamento", disse Lula em entrevista coletiva ao lado do presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, segundo informações da Presidência da República. Lula está em visita oficial à Ucrânia.

Lula sinalizou que um dos objetivos de sua visita ao país do Leste Europeu é agilizar o andamento dessa parceria. "O que é importante é que a vinda de um presidente a outro país apressa as decisões", disse. "Tudo aquilo que estava demorando, quando a gente marca uma agenda... as coisas que estavam travadas destravam e começam a funcionar", disse.

O presidente falou ainda sobre a presença de comunidades quilombolas na região do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, de onde o Cyclone-4 será lançado, e classificou o projeto como "extremamente estratégico". "São descendentes de escravos que moram nessa área, e para que a gente faça qualquer coisa lá, é preciso que a gente faça um acordo com eles, da forma mais democrática", disse.

Em 2003, um acidente em Alcântara matou 21 pessoas e destruiu o Veículo Lançador de Satélites (VLS) três dias antes do programado para seu lançamento. A tragédia foi provocada pela ignição prematura de um dos motores do foguete que deveria colocar dois satélites em órbita.

O Centro de Lançamento de Alcântara é a base mais próxima da linha do Equador já construída, o que permite aos foguetes lançados o uso de menos combustível para entrar em órbita e o transporte de cargas maiores, já que contam com as forças centrífugas da Terra.

Reuters
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Brasil e Ucrânia lançam foguete juntos de Alcântara em 2010

Até o fim do ano que vem , Brasil e Ucrânia, devem lançar do Centro de Alcântara, no Maranhão, o foguete Cyclone 4. Produzindo na Ucrânia, o foguete é um lançador de satélites.

O compromisso consta da declaração conjunta dos presidentes Viktor Yushchenko, da Ucrânia, e Luiz Inácio Lula da Sulva. Em entrevista coletiva Lula admitiu no entanto, que diversos problemas ambientais e sociais, como a presença de comunidades quilombolas na região, atrasaram parte no cronograma de execução do projeto.

O presidente ucraniano reafirmou importância para o país europeu de que o cronograma seja cumprido. "Quando dois presidentes se encontram, retiram complicações. Vamos fazer o primeiro lançamento em 2010 e entrar em uma etapa prática".

Brasil e Ucrânia também firmaram um acordo de dispensa de vistos para os turistas dos dois países e negociam a criação de um voo comercial direto Brasil e Ucrânia.

Oceano da lua de Júpiter pode abrigar vida, dizem astrônomos

Nos oceanos de uma lua a centenas de milhões de quilômetros do sol, algo complexo pode estar vivo - neste momento. Embaixo da crosta gelada da lua Europa, de Júpiter, acredita-se que haja um oceano global de até 160 quilômetros de profundidade, sem terra à vista na superfície.

Esse oceano extraterrestre está atualmente sendo alimentando com oxigênio a níveis mais de 100 vezes maiores do que modelos anteriores sugeriam, de acordo com uma nova e instigante pesquisa.

Essa quantidade de oxigênio é suficiente para manter mais do que formas de vida microscópicas: pelo menos três milhões de toneladas de criaturas semelhantes a peixes podem teoricamente viver e respirar em Europa, afirma o autor do estudo, Richard Greenberg, da Universidade do Arizona, em Tucson.

"Não há nada dizendo que existe vida lá agora", disse Greenberg, que apresentou seu trabalho mês passado em um encontro da Divisão para Ciências Planetárias da Sociedade Astronômica Americana. "Mas sabemos que existem condições físicas para sustentá-la."

Na verdade, com base no que sabemos sobre a lua jupiteriana, parte do leito marítimo de Europa deve se parecer muito com os ambientes ao redor das chaminés hidrotérmicas do oceano profundo, afirma o ecologista molecular de oceano profundo Timothy Shank.

"Ficaria chocado se não existisse vida em Europa", disse Shank, da Instituição Oceanográfica Woods Hole, que não esteve envolvido no estudo. Apesar das novas e promissoras estimativas, é cedo demais para ir além das especulações sobre como a vida em Europa pode ter evoluído. Um olhar mais próximo - talvez por meio de uma missão da Nasa em desenvolvimento - será necessário para dizer exatamente como as substâncias químicas estão distribuídas em Europa e como a história geológica da lua pode ter contribuído para as chances de vida no local.

A Nova e Brilhante Cobertura de Europa
O astrônomo Galileu Galilei descobriu Europa em 1610. Mas foi apenas quando Galileo, a espaçonave da Nasa, alcançou o sistema de Júpiter em 1995 que os cientistas foram capazes de estudar a lua em detalhes.

O que a sonda Galileo descobriu foi tão empolgante que a Nasa deliberadamente fez a espaçonave colidir com Júpiter em 2003 para evitar que ela contaminasse uma de suas próprias descobertas: o oceano salgado sob a superfície de Europa.

Embora a sonda não tenha visto diretamente o oceano, cientistas estão certos de que ele está lá, com base na idade, composição e estrutura da superfície gelada da lua. Por exemplo, imagens da superfície brilhante da lua sugerem uma formação relativamente recente, afirma Greenberg, que também é autor de "Unmasking Europa: The Search for Life on Jupiter's Ocean Moon".

Europa, como os outros planetas e luas do nosso sistema solar, tem mais de quatro bilhões de anos de idade. Mas a relativa falta de crateras de impacto implica que a crosta gelada tem apenas 50 milhões de anos. "Hoje, existe uma superfície completamente diferente da que havia no tempo em que os dinossauros foram extintos da Terra", disse Greenberg.

A "Repavimentação" Envia o Oxigênio Constantemente para Baixo?
A superfície lisa de Europa é maculada apenas por fissuras escuras entrecruzadas que sugerem que a camada de gelo está sendo expandida e comprimida pela força das marés.

"Na Terra, estamos acostumados a pensar nas marés como algo observado no litoral", explica Greenberg. Mas em uma escala maior, a gravidade do sol e da luz constantemente contrai e expande a Terra como um todo. Europa, que tem mais ou menos o tamanho da nossa lua, também sofre com marés, porém não do sol, mas da gravidade de Júpiter.

A fricção causada por todo esse estiramento das marés provavelmente aquece Europa o bastante para manter a água líquida, afirma Greenberg, mesmo com a lua jupiteriana estando a 778 milhões de km do sol. O material oceânico mais quente pode verter através das fissuras do gelo e congelar na superfície na mesma velocidade em que o gelo velho afunda e derrete no líquido interior.

Esse ciclo de "repavimentação" explicaria a aparência jovem da superfície gelada e abre a porta para que o oxigênio da superfície permeie o oceano escondido. O oxigênio é criado quando partículas carregadas do campo magnético de Júpiter atingem o gelo. Com suas estimativas do ritmo de repavimentação da lua, Greenberg acredita que levaria de um a dois bilhões de anos para o primeiro oxigênio da superfície alcançar o oceano abaixo.

Hora de Crescer
Segundo a hipótese de Greenberg, alguns milhões de anos depois do processo de pavimentação do gelo ter começado, os níveis de oxigênio nos mares de Europa alcançaram seus níveis atuais - que excedem os níveis dos oceanos da Terra.

Esse período na verdade aumenta as chances de que a vida como conhecemos tenha lançado raízes em Europa. Para começar, a maioria das formas de vida primitiva precisa da ausência de oxigênio para se formar, explica Greenberg.

"O oxigênio tende a causar o rompimento de outras moléculas", disse ele, logo, material genético como DNA não pode se agregar livremente com a presença de oxigênio.

"Você precisa desse atraso para que material genético e estruturas possam tomar forma", disse ele. "Assim, quando o oxigênio chegar, os organismos vão pelo menos ter uma chance de sobrevivência."

De forma semelhante, uma abundância repentina de oxigênio pode simplesmente matar formas de vida que não estão acostumadas com o elemento altamente reativo. Mas se o oxigênio for introduzido lentamente, as criaturas podem evoluir para tolerá-lo e mesmo passar a depender dele, em um processo que se acredita ter acontecido nos primórdios da Terra.

A Posição Contra Animais em Europa
Para que a generosa estimativa de oxigênio de Greenberg no oceano de Europa - e a hipótese resultante de que criaturas parecidas com peixes podem existir por lá - seja viável é necessário que a repavimentação da superfície tenha acontecido a uma taxa relativamente estável, no caso, uma renovação completa a cada 50 milhões de anos.

Mas o cientista planetário Robert Pappalardo afirma que o processo talvez tenha sido mais intermitente, portanto, o nível de oxigênio - e a chance de peixes - seria menor.

"Talvez há 50 milhões de anos ela estivesse se revolvendo e, agora, ela tenha desacelerado e se tornado muito mais letárgica", disse Pappalardo, um graduado pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em Pasadena, Califórnia.

Como exemplo, Pappalardo cita a prisão gravitacional de Europa à sua lua vizinha Io, que tem uma órbita excêntrica ao redor de Júpiter. Isso significa que Io pode estar atraindo e repelindo Europa em ciclos extremos, resultando em períodos de alta e baixa fricção de maré sobre Europa.

Mesmo nesse cenário, o oxigênio pode alcançar o oceano, embora talvez não em quantidades que favoreçam formas de vida complexas. Já que o gelo se comporta como um fluido durante períodos longos de tempo (pense em geleiras), segundo ele, elementos de superfície poderiam alcançar o oceano de Europa por meio do gelo sólido.

"Imagine uma lâmpada de lava: aglomerados de material mais quente sobem, e aglomerados mais frios descem. A diferença é que, no gelo, pode levar uma centena de milhares de anos para um aglomerado subir."

Enquanto isso, se a atividade das marés sobre Europa ocorrer intermitentemente, haveria uma mudança das taxas nas quais calor e nutrientes do manto rochoso se fazem presentes, diz ele.

"Digamos que haja micróbios lá embaixo", acrescentou Pappalardo. "O que significaria para sua evolução se a cada centena de milhares de anos houvesse muito mais calor e elementos químicos? Isso levaria a organismos muito mais resistentes", mas não necessariamente à vida complexa.

Para avaliar as chances de vida em Europa também é preciso saber se o calor da fricção das marés chega até o seu núcleo rochoso. Se o núcleo sólido for mesmo quente, disse ele, "então talvez haja alguma fonte de fumaça preta liberando calor e substâncias químicas". Se não for, os nutrientes dissolvidos necessários para sustentar a vida seriam muito mais limitados.

Na verdade, mesmo com vastas quantidades de oxigênio na água, segundo a astrobióloga Cyntia Phillips do Instituto SETI, é improvável que Europa abrigue alguma coisa maior que micro-organismos, considerando sua quantidade estimada de nutrientes químicos básicos para a vida.

"Embora seja realmente excitante pensar em uma lula gigante em Europa, há poucas chances de haver alguma coisa desse tamanho", disse Phillips.

Procura-se: Espaçonave que Perfure Gelo, Nade e Aspire
Para alguns, entretanto, a ideia de que exista pelo menos vida microscópica em Europa é plausível o bastante para que pesquisadores, inclusive Shank (de Woods Hole), já fiquem de olho nas chaminés hidrotérmicas superaquecidas como analogias possíveis.

Alguns micro-organismos podem prosperar nos gases criados pelas substâncias químicas expelidas por essas chaminés. Em Europa, tais substâncias podem ser a base de uma cadeia alimentar que, com oxigênio na água, poderia manter vida complexa.

Um dia, uma espaçonave pode ser enviada a Europa para penetrar o gelo e explorar o oceano, de forma semelhante aos veículos operados remotamente que aspiram o oceano profundo da Terra, em busca de nutrientes liberados por chaminés hidrotérmicas ocultas, afirma Shank.

Mas primeiro, os cientistas precisariam desenvolver sensores que possam detectar DNA, RNA e outras marcas químicas da vida. Um submersível enviado a Europa também precisaria ser menor, mais leve e ter baterias de vida útil maior do que os modelos existentes - sendo ainda capaz de perfurar seu caminho pelo que podem ser quilômetros de gelo.

Capacidades robustas de comunicação também seriam essenciais, afirma Shank. "Não há vantagem alguma em descer lá, descobrir vida e não conseguir contar sobre isso para ninguém."

Missão: Europa
O próximo passo na exploração de Europa pela Nasa, porém, será provavelmente orbital - ou seja, nada de missões marítimas -, em uma missão conjunta com a Agência Espacial Europeia.

Uma missão dessas, apesar de desejada, enfrentaria uma série de dificuldades, observa Phillips, do SETI. Quando próximos, Júpiter e suas luas ficam a aproximadamente 588 milhões de quilômetros da Terra, então chegar lá pode demorar de cinco a seis anos com a atual tecnologia.

A essa distância, não há luz solar o bastante para uma sonda abastecida pelo sol, então a nave precisaria levar sua própria fonte de energia nuclear, afirma Phillips. Ainda seria preciso lidar com a radiação constante da magnetosfera de Júpiter.

"Se você quiser orbitar Europa, a radiação vai acabar fritando sua espaçonave", disse Phillips. "Depois que finalmente chegar a Europa, você pode esperar manter uma órbita de dois meses, se tiver sorte."

Pappalardo, o cientista do estudo que propôs a missão a Europa, afirma que o satélite planejado pela Nasa deve ser robusto o suficiente para durar quase um ano antes de sucumbir à radiação ou outra pressão ambiental.

Uma missão dessas, acrescenta, pode encontrar provas concretas de vida complexa em Europa. Segundo ele, porém, essa é a visão otimista. "Uma visão conservadora seria perguntar: existe energia química o bastante para organismos de qualquer tipo prosperarem?", pergunta Pappalardo. "Isso não está fora de questão, mas primeiro vamos ver o que está lá."


A foto, que combina informações de imagens obtidas pela sonda Galileo da Nasa, mostra em detalhe a lua de Júpiter, Europa   Foto: Nasa/Divulgação

A foto, que combina informações de imagens obtidas pela sonda Galileo da Nasa, mostra em detalhe a lua de Júpiter, Europa

Tradução: Amy Traduções

National Geographic
National Geographic

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Lixo do espaço pode colidir com Estação Espacial, diz Nasa

A Nasa, agência espacial americana, informou nesta terça-feira que um pedaço de lixo espacial tem risco de se chocar contra a Estação Espacial Internacional (ISS), informou a CNN. O porta-voz da agência, Kelly Humphries, disse que o objeto está a 6,4 km e teria chances de colidir com a plataforma orbital.

De acordo com o porta-voz, os tripulantes da ISS foram informados na segunda-feira à noite que a peça - possivelmente de um foguete russo abandonado - estava sendo monitorada por satélite. O controle da missão determinou que, se for preciso, a tripulação (formada pelo astronauta americano Jeff Williams e pelo cosmonauta russo Max Suraev) deve se abrigar na cápsula de fuga Soyuz, acoplada à ISS.

Segundo Humphries, não haveria mais tempo de deslocar a Estação Espacial para fora da área de colisão. "Estamos à espera de novos dados antes de tomarmos qualquer medida", afirmou.

Morre Marcelo Damy, pioneiro da Física no Brasil

O físico Marcelo Damy de Souza Santos morreu no último domingo, 29 de novembro, aos 95 anos, vítima de um acidente vascular cerebral sofrido há cerca de um ano.

Nascido em 1914 em Campinas, Damy começou o estudo de Engenharia na Escola Politécnica da Unievrsidade de São Paulo até ingressar na graduação em Física, a convite do reitor. Interessou-se pelos estudos de radioatividade e física nuclear, no qual veio a se destacar.

Como professor, Damy trabalhou no Instituto de Filosofia da USP, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e auxiliou na formação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Considerava o ensino e pesquisa de ciência atividades inseparáveis, o que o levou a se envovler com muitos projetos fora da sala de aula. Durante pós-graduação em Cambridge, desenvolveu um aparelho de medição de radiação cósmica durante, o qual proporcionou, no Brasil, a descoberta dos chuveiros penetrantes, um fenômeno dos raios cósmicos.

Sua busca pelo experimentalismo o levou a participar da instalação, em 1950, do Betatron, o primeiro acelerador de partículas a funcionar na América Latina. Também desenvolveu o primeiro reator nuclear brasileiro.

Marcelo Damy foi um dos fundadores do Instituto de Energia Atômica, atual Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), cuja superintendência ocupou de 1956 a 1961, e presidiu a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) de 1961 a 1964.

Damy é um dos principais nomes do desenvolvimento do ensino e da pesquisa em Física no Brasil, ao lado César Lattes, José Leite Lopes e Mário Schenberg.

Com informações da Agência Fapesp.

Módulo espacial russo retorna à Terra com 3 tripulantes

O módulo aterrissou sem problemas no Cazaquistão com três tripulantes a bordo Foto: AFP

O módulo aterrissou sem problemas no Cazaquistão com três tripulantes a bordo

O módulo de retorno da nave russa Soyuz TMA-15, com três tripulantes a bordo, aterrissou hoje sem contratempos nas estepes do Cazaquistão, informou o Centro do Controle de Voos (CCVE) da Rússia.

A nave, que cerca de três horas antes havia se desacoplado da Estação Espacial Internacional (ISS), pousou às 5h17 (de Brasília), a cerca de 80 km da cidade de Arkalyk.

Conforme o previsto, o módulo de retorno, que trouxe de volta à Terra o cosmonauta russo Roman Romanenko, o canadense Robert Thirsk e o belga Frank de Winne, se desengatilhou da Soyuz às 4h50 (Brasília), ingressando na atmosfera terrestre quando estava a uma altura de 140 km sobre o Mar Mediterrâneo.

Equipes de resgate, com o apoio de 12 helicópteros militares e três aviões, acompanharam a nave em sua aterrissagem, informou a agência oficial Itar-Tass.

A tripulação, que permaneceu 188 dias na ISS, viajará do Cazaquistão até o aeroporto de Chkalovski, nos arredores de Moscou, em um voo especial. A expectativa é que o desembarque aconteça por volta das 11h (de Brasília).

EFE
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