quarta-feira, 28 de setembro de 2011

China lança amanhã módulo que é 1º passo para estação espacial

Imagem da animação em 3D do módulo espacial da China Tiangong-1 foi divulgada nesta quarta-feira. Foto: Reuters

Imagem da animação em 3D do módulo espacial da China Tiangong-1 foi divulgada nesta quarta-feira
Foto: Reuters

O módulo espacial chinês Tiangong-1 será lançado nesta quinta-feira, marcando o início da construção da estação espacial da China. As autoridades dizem que o Tiangong-1 ou "Palácio Celestial" será lançado do deserto de Gobi, no noroeste do país, antes do Dia Nacional da China, comemorado em 1º de outubro.

O módulo será levado ao espaço por meio foguete Longa Marcha 2F, que já foi instalado na rampa de lançamento. A Tiangong-1 pesa 8 toneladas e permanecerá em órbita por dois anos. Neste período está previsto que receba várias naves, a primeira delas será a Shenzhu 8.

Se este acoplamento tiver sucesso, o módulo receberá, em 2012, as naves espaciais Shenzhu 9 e 10, tripuladas por chineses.

De acordo com o programa espacial chinês, desenvolver as complicadas técnicas de acoplamento é um passo vital para o sucesso da primeira estação espacial da China, que o país deseja ter em funcionamento até 2020 - uma resposta à rejeição de outros países a que Pequim se envolva mais na Estação Espacial Internacional (ISS).

Com informações de agências internacionais.

Terra

Estudo confirma validade da Teoria da Relatividade de Einstein no espaço

Uma equipe de astrofísicos confirmou que a teoria da relatividade geral de Albert Einstein é válida em escala cósmica, e não só no sistema solar, ao comprovar que a gravidade influi na luz procedente de longínquos conglomerados galácticos, segundo estudo publicado na edição desta quarta-feira da revista Nature. Por puro acaso, esta pesquisa, que ainda precisa de confirmação, foi publicada alguns dias depois de uma descoberta que lançou dúvidas sobre a teoria de Einstein.

Uma equipe de físicos detectou neutrinos, partículas elementares da matéria, deslocando-se a uma velocidade sutilmente superior à da luz, um "limite insuperável" segundo a teoria da relatividade. Muito antes deles, Radek Wojtak (Dark Cosmology Centre, da Universidade de Copenhague) e seus colegas tentavam confirmar a teoria de Einstein, analisando a luz que chega à Terra de galáxias situadas nos 8 mil conglomerados, cada um dos quais é formado por milhares de galáxias.

Segundo esta pesquisa, a gravidade garante a coesão dos agrupamentos, mas também influi na luz que cada uma das galáxias emite no espaço. De acordo com a teoria de Einstein, a frequência da luz diminui e seu comprimento de onda se amplia por efeito da gravidade. Como consequência disso, ocorre um desvio do espectro luminoso para o vermelho ("redshift") gravitacional, diferente do que provoca o distanciamento das galáxias.

Comparando o comprimento de onda da luz procedente das galáxias situadas no coração dos conglomerados, onde a gravidade (atração universal) é mais forte, ao das galáxias situadas na periferia, a equipe de astrofísicos conseguiu medir "pequenas diferenças em seu "redshift", explicou Radek Wojtak. "Vimos que a luz das galáxias situadas no meio de um conglomerado demora para sair do campo gravitacional, enquanto que a luz das galáxias periféricas emerge mais facilmente", acrescentou o cientista em um comunicado.

Uma vez calculada a massa de cada conglomerado galáctico, os astrofísicos usaram a teoria da relatividade geral para avaliar o "redshift gravitacional" das galáxias segundo sua posição no conjunto. Estes "cálculos teóricos" do "redshift" gravitacional se mostraram "completamente em consonância com as observações", reforçou Wojtak.

O desvio para o vermelho varia "proporcionalmente em função da influência gravitacional dos conglomerados galácticos", disse. "Nossas observações confirmam, assim, a teoria da relatividade", destacou.

Foram feitos testes na escala do sistema solar ou de algumas estrelas. Por enquanto, foi "comprovada a escala cósmica e isto confirma que a teoria da relatividade geral funciona", concluiu o cientista.

A equipe de astrofísicos comparou os resultados obtidos com as previsões de vários modelos cosmológicos. Segundo Wojtak, há "fortes indícios da presença de uma energia escura" responsável pela aceleração da expansão do universo, mas ele não descarta que possa haver outros motivos.

Segundo cálculos baseados na teoria da relatividade geral, uma energia escura de natureza desconhecida representa 72% do universo. Uma matéria escura misteriosa, invisível, constituiria 23% e teria 5% de matéria visível, formada, por exemplo, de estrelas e planetas.

AFP
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Telescópio registra estrela gigante mil vezes maior que o Sol

Esta nova imagem é a melhor já obtida para uma estrela hipergigante. Foto: ESO/Divulgação

Esta nova imagem é a melhor já obtida para uma estrela hipergigante
Foto: ESO/Divulgação

Astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) utilizaram o Very Large Telescope para obter imagens de uma estrela colossal pertencente a uma das mais raras classes de estrelas no universo, as hipergigantes amarelas. Esta nova imagem é a melhor já obtida para uma estrela desta classe e mostra pela primeira vez uma enorme concha dupla de poeira a rodear a hipergigante central. A estrela e a sua concha parecem-se com a clara de um ovo em torno da gema central, o que levou os astrônomos a darem-lhe o nome de Nebulosa do Ovo Frito.

A estrela monstruosa, conhecida pelos astrônomos como IRAS 17163-3907 tem um diâmetro cerca de mil vezes maior que o do Sol. A uma distância de cerca de 13 mil anos-luz da Terra, é a hipergigante amarela mais próxima de nós encontrada até hoje e as novas observações mostram que brilha cerca de 500 mil vezes mais intensamente do que o Sol.

"Sabia-se que este objeto brilhava intensamente no infravermelho mas, surpreendentemente, ninguém o tinha ainda identificado como uma hipergigante amarela", disse Eric Lagadec, líder da equipa que produziu estas novas imagens.

As observações da estrela e a descoberta das suas conchas envolventes foram feitas pela câmara infravermelha VISIR. As imagens obtidas são as primeiras que mostram claramente o material que rodeia a estrela e revelam claramente duas conchas quase perfeitamente esféricas.

Se a Nebulosa do Ovo Frito fosse colocada no centro do Sistema Solar, a Terra ficaria bem no interior da própria estrela e o planeta Júpiter orbitaria por cima da sua superfície. A concha muito maior que envolve a estrela englobaria todos os planetas, planetas anões e ainda alguns dos cometas que orbitam muito além da órbita de Netuno. A concha exterior tem um raio 10 mil vezes maior que a distância da Terra ao Sol.

As hipergigantes amarelas estão numa fase extremamente ativa da sua evolução, sofrendo uma série de eventos explosivos - esta estrela ejetou já quatro vezes a massa do Sol em apenas algumas centenas de anos. O material ejetado durante estas explosões formou a extensa concha dupla da nebulosa, a qual é constituída por poeira rica em silicatos misturada com gás.

Esta atividade mostra igualmente que a estrela deverá sofrer brevemente uma morte explosiva - será uma das próximas explosões de supernova na nossa Galáxia. As supernovas fornecem ao meio interestelar circundante muitos químicos necessários e as ondas de choque resultantes podem dar origem à formação de novas estrelas.

Terra

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tempestade solar atinge a Terra "de raspão"

Uma tempestade solar surgida em uma gigantesca mancha no Sol atingiu a Terra "de raspão", causando poucos transtornos nos sistemas elétricos, disseram especialistas dos Estados Unidos na terça-feira. "A atual tempestade está provavelmente no fim", disse Joe Kunches, cientista do Centro de Previsão do Clima Espacial, ligado à Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos EUA.

"O vento solar que estava realmente energizado... parece já ter passado por nós". No seu auge, a tempestade foi qualificada como de forte a severa pelo Laboratório Espacial Goddard, da Nasa, nos arredores de Washington.

A tempestade de partículas carregadas vindas do Sol - o chamado vento solar - foi gerada depois que a gigantesca mancha solar 1302 expeliu uma rajada de material solar, na manhã de sábado, segundo nota da Nasa. A mancha 1302 era grande a ponto de poder ser vista sem telescópio a partir da Terra, embora isso fosse desaconselhável devido aos riscos para o olho humano. Ela tem cerca de 160 mil km de diâmetro, espaço suficiente para caberem dez Terras lado a lado.

A tempestade solar gerada pela ejeção de massa atingiu o nível G3, numa escala que vai de G1 a G5, segundo a NOAA. A "labareda" propriamente dita foi da categoria X1,9, chegando perto do topo da escala, mas os cientistas dizem que isso já era esperado na atual fase do ciclo solar, que tem duração de 11 anos. O pico da atividade solar, segundo os cientistas, vai ocorrer em meados de 2013.

As tempestades solares podem interferir em satélites, redes elétricas e sistemas de navegação como o GPS, mas ao que tudo indica a atual tempestade não causou grandes transtornos. Pessoas em latitudes muito baixas podem ter visto auroras boreais mais fortes.

Segundo a NOAA, a tempestade atingiu apenas "de raspão" o campo magnético que cerca o nosso planeta. Se tivesse atingido a Terra em cheio, disse a agência, "a tempestade geomagnética poderia ter atingido níveis "severos" a "extremos"."

A movimentação do Sol e da Terra nos últimos três dias já colocariam a mancha em posição frontal, mas sua atividade já parece ter diminuído, segundo os cientistas.

Reuters
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Nasa confirma que satélite Uars caiu no oceano Pacífico

Após as incertezas iniciais sobre o ponto exato do reingresso do satélite Uars à Terra, a Nasa, agência espacial americana, divulgou nesta terça-feira que o objeto atingiu a atmosfera terrestre, no sábado passado, ao sul do oceano Pacífico. "O satélite entrou na atmosfera sobre o Pacífico a 14,1 graus de latitude sul e 170,2 graus de longitude leste. Essa localização se situa em uma área remota e grande do oceano", informou em comunicado a agência espacial.

De acordo com os cientistas, o satélite caiu num local distante de terra firme. Os restos do equipamento devem estar agora entre 480 e 1,3 km de seu ponto de reentrada na atmosfera.

A Nasa também divulgou a hora exata em que o satélite, que pesa aproximadamente 6 toneladas, atingiu a Terra: 4h01 GMT (1h01 de Brasília).

Após concluir em 2005 sua vida científica, o Uars se despedaçou em 26 partes após a reentrada. O satélite foi construído por US$ 750 milhões, e sua finalidade era medir mudanças atmosféricas e os efeitos da poluição.

A queda do Uars foi marcada por grande ansiedade, e ele se tornou um dos protagonistas das redes sociais na semana passada. A probabilidade de algum dos pedaços do Uars atingir uma pessoa foi calculada em uma em 3,2 mil.

EFE
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Túnel sob os Andes estudará partícula mais rápida que a luz

Um grupo de cientistas vai estudar os segredos do universo em um laboratório subterrâneo de física de partículas que será instalado em um túnel na cordilheira do Andes em uma região entre a Argentina e o Chile. O projeto Andes envolve cientistas de Argentina, Brasil, Chile e México que receberam o apoio de colegas americanos e europeus em troca da cooperação no estudo da "matéria escura", os neutrinos e outras partículas subatômicas, explicou nesta terça-feira à agência Efe o coordenador da iniciativa, o físico franco-argentino Xavier Bertou.

Também "há grande interesse" em usar o laboratório para estudos de impacto dos raios cósmicos sobre o envelhecimento celular, de geofísica - para criar uma rede de sismógrafos entre a Argentina e o Chile - e de meio ambiente, com base em medições de baixíssima radioatividade, explicou o cientista.

A construção do laboratório custará US$ 15 milhões. O túnel que começará a ser construído no ano que vem, terá 14 km de extensão e um laboratório que será instalado a mais de 1,5 mil metros abaixo da superfície.

Segundo o site do projeto, em uma caverna principal serão feitos dois ou três experimentos maiores, enquanto uma cavidade secundária abrigará três ou quatro andares destinados a estudos variados, cortados por túneis de acesso que ocuparão 2,5 mil m² da superfície subterrânea. Possivelmente será construída uma terceira caverna em forma de poço, com 15 a 20 m de diâmetro e 20 de profundidade para experimentos maiores, informou.

Bertou afirmou ainda que faltam pelo menos US$ 5 milhões para equipar o laboratório para estudos de física de partículas. Segundo ele, "grande parte" desses estudos só pode ser feita em locais abaixo de rochas que protegem da interferência dos raios cósmicos (que produzem os neutrinos).

O s neutrinos são partículas subatômicas que, acredita-se, viajam mais rápido que a luz, segundo descobertas recentes. Entender seu comportamento "é fundamental" para o estudo da física, acrescentou Bertou. Os cientistas acreditam que 85% da matéria do universo é composta por "matéria escura", cujas características são totalmente desconhecidas.

O laboratório localizado no hemisfério sul permitirá que sejam feitos estudos cruzados dos neutrinos. "Devido ao movimento da Terra, alguns estudos ganhariam muito se fossem feitos nos dois hemisférios para que os eventos extrassolares possam ser triangulados", disse Bertou. O projeto Andes tem o potencial de incentivar a criação de empresas de alta tecnologia, como aconteceu nas regiões próximas aos laboratórios na Europa, disseram os cientistas.

EFE
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Aposentadoria do Tevatron marca fim de uma era para a Física

Reprodução mostra o acelerador de partículas americano que será aposentado na sexta-feira. Foto: AFP

Reprodução mostra o acelerador de partículas americano que será aposentado na sexta-feira
Foto: AFP

A era dos grandes físicos americanos termina nesta sexta-feira, com a aposentadoria do acelerador de partículas Tevatron, que há 25 anos recria o Big Bang no subsolo do Illinois. O Tevatron ficou obsoleto após o aparecimento de um colisor de átomos mais poderoso - na verdade, o maior do mundo -, construído nos Alpes, na fronteira franco-suíça, pelo Centro Europeu de Pequisa Nuclear (Cern, na sigla em francês), um consórcio de 20 países-membros.

Parece improvável que os Estados Unidos, que já dominaram a área e colheram os louros de descobertas e inovações tecnológicas, sejam capazes de reunir os recursos necessários para construir o próximo grande projeto da física de partículas. A razão: simplesmente o financiamento de longo prazo parece muito difícil de aparecer.

Ao invés disso, físicos americanos se concentrarão em questões internas mais específicas - e menos caras - e trabalhar em conjunto com o Cern em projetos de alta energia, como a busca pela denominada "partícula de Deus".

"Na nossa área, não damos com a cabeça na parede se somos superados por outra máquina", declarou Pier Oddone, diretor do Laboratório Nacional Fermi (Fermilab), que opera o Tevatron. "A ideia é mudarmos para aquelas áreas nas quais podemos fazer as maiores contribuições para o conhecimento", disse Oddone.

"Às vezes, as maiores descobertas vêm de projetos menores", argumentou. A aposentadoria do Tevatron ocorre em um momento ruim para a ciência americana. A Nasa lançou seu último ônibus espacial em julho. O financiamento público está diminuindo devido a uma profunda crise econômica e a batalhas orçamentárias no Congresso. Além disso, a própria ciência se politizou, com a descrença na evolução e a contribuição humana ao aquecimento global posta em discussão pelos republicanos.

Os cientistas do Fermilab dizem não poder prever o que os Estados Unidos perderão cedendo o domínio da Física de alta energia para a Europa. Já os ganhos obtidos com o Tevatron são muito mais fáceis de quantificar. "O Tevatron deu contribuições fenomenais para a Física de partículas", explicou o diretor-geral do Cern, Rolf Heuer.

"No topo da lista deve aparecer a descoberta do quark top em 1995, mas há muito mais", acrescentou. Além de aprofundar nosso conhecimento sobre os mistérios fundamentais do universo, o Tevatron também levou a uma série de avanços mais concretos.

Entre eles está o uso generalizado da geração de imagens por ressonância magnética (MRI, na sigla em inglês) para diagnósticos médicos. Os supercondutores utilizados nos magnetos das máquinas de MRI eram raros e caros demais até que o Fermilab criou uma indústria com o Tevatron, gerando uma demanda de fios de supercondução suficientes para dar a volta na Terra 2,3 vezes.

Atualmente, os cientistas estão construindo uma câmera de energia escura, que será capaz de varrer a galáxia mais rápido do que qualquer outro telescópio. Sua função será descobrir porque a expansão do universo acelera ao invés de recuar.

Eles também trabalham na construção do feixe de neutrinos mais poderoso do mundo, que ajudará a explicar porque o universo tem mais matéria do que antimatéria e aprofundar nosso conhecimento sobre suas partículas mais abundantes.

O projeto X, caso seu financiamento seja assegurado, será o acelerador de prótons mais intenso do mundo. "Estamos em uma posição, aqui nos Estados Unidos, de realmente consolidar nosso papel de liderança na elucidação da fronteira de intensidade e o Projeto X realmente nos dá a plataforma para fazê-lo nos próximos 20 ou 30 anos", disse Henderson. "Se os Estados Unidos não o fizerem, estou certo de que alguém o fará por nós", concluiu.

AFP
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