sexta-feira, 27 de julho de 2012

Universidade de Berkeley cria laser de 1 quadrilhão de watts

Segundo os cientistas, o equipamento consome pouca energia, já que os pulsos são muito curtos. Foto: Lawrence Berkeley National Laboratory/Divulgação

Segundo os cientistas, o equipamento consome pouca energia, já que os pulsos são muito curtos
Foto: Lawrence Berkeley National Laboratory/Divulgação


O Acelerador de Laser do Laboratório Berkeley (Bella, na sigla em inglês) anunciou ter criado um pulso de laser com duração de apenas 1 quadrilionésimo de segundo, mas com energia de 1 petawatt (1 quadrilhão de watts) e uma frequência de 1 hertz - ou seja, um pulso disparado a cada segundo. Segundo a Universidade de Berkeley (EUA), é um recorde de energia para pulsos com frequência tão rápida.

"Isso representa um novo recorde mundial", diz Wim Leemans, pesquisador da Divisão de Pesquisa em Fusão e Aceleração do laboratório, que fez o anúncio nesta sexta-feira. "Esta vai ser uma ferramenta excepcional para o avanço da física de laser e de interações com a matéria. O pico de poder do laser vai nos dar acesso a novos regimes, como o desenvolvimento de aceleradores de partículas compactos para a física de alta energia".

Ao contrário dos aceleradores tradicionais, que usam campos de energia elétrica para aumentar a velocidade de partículas como prótons e elétrons, os aceleradores laser-plasma usam raios para capturar elétrons livres no plasma e acelerá-los a altas energias.

Os pesquisadores esperam que o Bella seja o primeiro acelerador laser-plasma a chegar a uma energia de 10 bilhões de elétron-volts (10 GeV) e isso com apenas 1 m de comprimento (além do sistema de laser), enquanto os aceleradores tradicionais precisam de túneis quilométricos.

Terra

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Há 41 anos, Apollo 15 levava o primeiro carro a chegar à Lua

O lunar roving era movido a eletricidade e chegava a no máximo 16 km/h . Foto: Nasa/Divulgação

O lunar roving era movido a eletricidade e chegava a no máximo 16 km/h
Foto: Nasa/Divulgação


Na manhã de 26 de julho de 1971, um foguete Saturn V (o mais poderoso já feito pelo homem) era lançado com os astronautas e o equipamento da missão Apollo 15. Na bagagem, a maior quantidade de equipamentos de pesquisa científica já levados pelas missões tripuladas à Lua. Curiosamente, no "porta-malas" do Saturn V ainda ia o primeiro carro a chegar ao nosso satélite natural.

O lunar roving era movido a eletricidade e servia para levar a tripulação e o equipamento pela superfície lunar. Ele chegava a no máximo 16 km/h e enfrentava inclinações de até 25 graus. Ao invés de um volante, um controle - parecido com aquele de aviões de caça - ficava entre os dois bancos e permitia que ele fosse dirigido tanto pela esquerda, quanto pela direita. Ele suportava até 696 kg (sendo que o próprio veículo pesava 206 kg), tinha 3 m de comprimento, 2,1 m de largura e 114 cm de altura.

Os astronautas pousaram no início da noite (no Brasil) de 30 de julho. Lá eles permaneceram até 3 de agosto - um deles permaneceu em órbita no módulo de comando. Outra curiosidade é que, na saída, eles deixaram um satélite para analisar a massa da Lua, mudanças gravitacionais e a interação com o campo magnético da Terra. A chegada ao planeta ocorreu em 7 de agosto.

Terra

ESA busca independência em lançamentos espaciais

A Agência Espacial Europeia (ESA) começou a investigar a viabilidade de uma nova abordagem para o acesso da Europa ao espaço, que visa à autossuficiência dos serviços de lançamento a longo prazo. A ideia do Novo Serviço de Lançamento Europeu (Nels, na sigla em inglês) é prover serviços a clientes governamentais e privados no continente. A ESA já conta com lançadores como Ariane 5, Vega e Soyuz, do Porto Espacial Europeu na Guiana Francesa.

Recentemente, a ESA realizou um concurso de apresentação de propostas para estudos de viabilidade para o Nels. A pesquisa, de 12 meses, vai definir o futuro do setor europeu de lançamentos, buscando atender às necessidades do mercado. Duas equipes industriais, formadas por entidades de diversos países da Europa, ganharam contratos de estudos na competição.

Os estudos paralelos começaram no início de julho. Os resultados preliminares devem ficar prontos ao fim de setembro, para fornecer conteúdos úteis para os Estados membros da ESA, que se preparam para tomar decisões sobre o futuro no desenvolvimento de lançadores em novembro no Conselho Ministerial.

Terra

ESO: estudo mostra detalhes sobre evolução das estrelas brilhantes

Na imagem divulgada pelo ESO, impressão artística de uma estrela vampira e da sua vítima. Nesse caso, a estrela menor suga matéria da superfície da .... Foto: ESO/Divulgação

Na imagem divulgada pelo ESO, impressão artística de uma "estrela vampira" e da sua vítima. Nesse caso, a estrela menor suga matéria da superfície da companheira maior
Foto: ESO/Divulgação


Um novo estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO), que utilizou o Very Large Telescope (VLT), mostrou que a maioria das estrelas brilhantes de elevada massa, responsáveis pela evolução das galáxias, não vivem isoladas, quase três quartos têm uma companheira próxima, muito mais do que o suposto anteriormente. Os resultados serão publicados na revistaScience.

"Surpreendentemente, a maior parte destes pares interagem de modo violento, ocorrendo, por exemplo, transferência de massa de uma estrela para a outra. Pensa-se que cerca de um terço destes pares acabará por se fundir, formando uma única estrela", diz o comunicado do ESO.

A equipe estudou estrelas do tipo O, que apresentam temperaturas, massas e luminosidades muito elevadas. Estas estrelas têm vidas curtas e violentas e estão também ligadas a fenômenos extremos, tais como "estrelas vampiras", onde a menor suga matéria da superfície da companheira maior.

"Estas estrelas são autênticos monstros," diz Hughes Sana, da Universidade de amsterdã, Holanda, autor principal do estudo. "Têm 15 ou mais vezes a massa do nosso Sol e podem ser até um milhão de vezes mais brilhantes. Estas estrelas são tão quentes que brilham com uma luz azul-esbranquiçada e têm temperaturas superficiais que excedem 30 mil graus Celsius."

Ao analisar a radiação emitida por estes objetos com um detalhamento inédito, a equipe descobriu que 75% de todas as estrelas do tipo O fazem parte de um sistema binário, uma proporção mais elevada do que a suposta até agora, e a primeira determinação precisa deste valor. Mais importante ainda, a equipe descobriu que a proporção destes pares onde as estrelas se encontram suficientemente próximas uma da outra para que haja interação entre elas (quer através de fusão estelar quer através de transferência de massa pelas chamadas estrelas vampiras) é muito mais elevada do que a esperada, resultado que tem implicações profundas na nossa compreensão da evolução de galáxias.

As estrelas do tipo O constituem apenas uma fração de 1% das estrelas no universo, mas os fenômenos violentos a que estão associadas significam que têm um efeito desproporcional em seu meio circundante. Os ventos e choques que vêm destas estrelas podem tanto dar origem como interromper a formação estelar, a sua radiação faz com que as nebulosas brilhem, as suas supernovas enriquecem as galáxias com elementos pesados essenciais à vida, estando ainda associadas às explosões de raios gama, as quais se contam entre os fenômenos mais energéticos no Universo. As estrelas de tipo O estão por isso implicadas em muitos dos mecanismos que fazem evoluir as galáxias.

"A vida de uma estrela é grandemente afetada pelo fato desta se encontrar próximo de outra," diz Selma de Mink, do Space Telescope Science Institute, EUA, co-autora do estudo. "Se duas estrelas orbitam muito próximas uma da outra, poderão eventualmente fundir-se. Mas mesmo que isso não aconteça, uma das estrelas normalmente retira matéria da superfície da outra".

Até agora, os astrônomos pensavam que os sistemas binários de estrelas de elevada massa, onde as componentes orbitam muito próximo uma da outra, eram uma exceção, algo apenas necessário para explicar fenômenos exóticos, tais como binárias de raios X, pulsares duplos ou buracos negros binários. Este novo estudo mostra que, para interpretar corretamente o Universo, não podemos fazer esta simplificação: estas estrelas duplas de elevada massa não são apenas comuns, as suas vidas são também fundamentalmente diferentes daquelas que existem enquanto estrelas isoladas.

"A única informação que os astrônomos têm das galáxias distantes é fornecida pela radiação que chega aos telescópios. Sem fazer suposições sobre o que é responsável por esta radiação, não podemos tirar conclusões sobre a galáxia, tais como quão massiva ou jovem ela é. Este estudo mostra que a suposição frequente de que a maioria das estrelas existe de forma isolada pode levar a tirar as conclusões erradas," conclui Hughes Sana.

Para compreender qual a proporção estes efeitos e como é que esta nova perspectiva afetará a nova visão da evolução galáctica, temos que trabalhar mais. Fazer a modelagem de estrelas binárias é algo complicado, por isso demorará algum tempo até que estas considerações sejam incluídas nos modelos de formação galáctica.

As informações são do Observatório Europeu do Sul

Terra

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Detector de partículas tentará encontrar 'universo negro invisível'

O detector AMS está instalado na Estação Espacial Internacional, sendo visível no centro da armação. Foto: Nasa/Divulgação

O detector AMS está instalado na Estação Espacial Internacional, sendo visível no centro da armação
Foto: Nasa/Divulgação


Um detector de partículas pesando 7 t instalado há mais de um ano na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) tentará estabelecer se existe um "universo negro" invisível entretecido no cosmos, disse nesta quarta-feira um cientista do projeto.

O detector, chamado Espectrômetro Magnético Alfa (AMS, na sigla em inglês), já quebrou todos os recordes ao registrar cerca de 17 bilhões de raios cósmicos, armazenando seus dados para análises, disse o físico Samuel Ting, ganhador do Prêmio Nobel, em entrevista coletiva. "A questão é: onde o universo é feito de antimatéria? Ela pode estar por aí, num lugar bem longe, produzindo partículas que poderíamos detectar com o AMS", afirmou.

Físicos dizem que o "Big Bang", explosão primordial que originou o universo há cerca de 13,7 bilhões de anos, deve ter criado quantidades iguais de matéria e de antimatéria. Mas então a antimatéria teria, praticamente, sumido. A razão disso é um dos grandes segredos do cosmos, investigado por meio do AMS e de estudos feitos no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), onde Ting falou.

Alguns pesquisadores acreditam que a "matéria invisível", uma forma que ocupa até 25% do universo conhecido, estaria ligada à antimatéria. Mas outros dizem que isso é altamente improvável. Esses cientistas argumentam que a antimatéria não poderia sobreviver muito perto de partes visíveis do cosmo onde, segundo as observações mais recentes, são ocupadas pela matéria escura, o que às vezes gera um "véu" entre planetas e estrelas.

A matéria e a antimatéria são quase idênticas, com a mesma massa, mas "spin" (rotação) e cargas energéticas opostas. Elas podem formar partes diferentes de algumas partículas elementares, mas, caso se misturem, se destroem instantaneamente.

Ting concedeu a entrevista coletiva junto a uma equipe de astronautas dos Estados Unidos que levou o detector - desenvolvido e construído pelo Cern - até a ISS em maio do ano passado, na última missão do ônibus espacial Endeavour.

Ele disse que até agora o detector de U$ 2 bilhões, com seus poderosos ímãs que distorcem as partículas com cargas negativas e positivas em direções diferentes, está funcionando perfeitamente e que nenhum dos sistemas reservas precisou ser acionado.

Reuters
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Em mensagem póstuma, 1ª americana no espaço revela ser gay

Sally foi a primeira mulher americana a ir ao espaço. Foto: Nasa/ Divulgação

Sally foi a primeira mulher americana a ir ao espaço
Foto: Nasa/ Divulgação


Sally Ride foi a primeira mulher americana no espaço e um exemplo para mulheres em toda parte. Mas um grupo teve que esperar até a sua morte esta semana para considerá-la um membro: a comunidade gay. Em uma declaração preparada antes de sua morte na segunda-feira, de câncer pancreático, Sally, 61 anos, admitiu publicamente pela primeira vez que tinha um relacionamento de longa data com uma mulher, Tam O'Shaughnessy, que era sua parceira nos negócios, na escrita da ciência e na vida.

O site da astronauta, Sally Ride Science, lista O'Shaughnessy, companheira dela por quase 30 anos, como uma sobrevivente. "A maioria das pessoas não sabia que Sally mantinha um relacionamento maravilhosamente amoroso com Tam O'Shaughnessy havia 27 anos", escreveu a irmã de Sally em uma homenagem publicada no MSNBC.com.

"Sally nunca escondeu seu relacionamento com Tam. Elas eram companheiras, parceiras de negócios na Sally Ride Science, escreveram livros em conjunto, e os amigos muito próximos de Sally, é claro, sabiam do amor de uma para a outra", afirmou Bear Ride. "Nós consideramos Tam um membro da nossa família", disse ela.

Sally voou na sétima missão do ônibus espacial em 1983, na primeira vez que uma mulher foi incluída como um membro da tripulação. Ela fez um segundo voo, um ano depois, e em seguida, participou do painel que investigou o desastre do Challenger em 1986. Ela deixou a NASA em 1987.

Reuters
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terça-feira, 24 de julho de 2012

Satélites detectam derretimento recorde na superfície da Groenlândia

A imagem divulgada pela Nasa compara imagens dos satélites de 8 (E) e 12 de julho. Na área em branco, não houve derretimento; o rosa claro representa .... Foto: Nasa/Divulgação

A imagem divulgada pela Nasa compara imagens dos satélites de 8 (E) e 12 de julho. Na área em branco, não houve derretimento; o rosa claro representa locais em que pelo menos um satélite apontou derretimento; nas áreas em rosa escuro, foi detectado derretimento por pelo menos dois satélites; os locais em cinza claro não apresentam gelo ou neve; e os em cinza escuro não possuem informações
Foto: Nasa/Divulgação


A cobertura de gelo da superfície da Groenlândia derreteu este mês em uma área superior à detectada em mais de 30 anos de observações de satélite, informou a Nasa nesta terça-feira. Segundo medições de três satélites diferentes analisadas por cientistas acadêmicos e da agência espacial americana, calcula-se que 97% da cobertura de gelo derreteram em algum ponto em meados de julho, reportou a fonte em um comunicado.

"Isto foi tão extraordinário que a princípio questionei o resultado: seria real ou teria sido um erro nos dados?", disse Son Nghiem, da Nasa. O especialista lembrou ter notado que grande parte da superfície congelada da Groenlândia parecia ter derretido em 12 de julho, ao analisar dados do satélite Oceansat-2, da Organização de Pesquisas Espaciais Indiana.

Resultados de outros satélites confirmaram estas descobertas. Mapas do degelo demonstraram que em 8 de julho cerca de 40% da superfície congelada tinham derretido, uma área que aumentou para 97% quatro dias depois.

A notícia é divulgada dias depois de imagens de satélite da Nasa mostrarem que um enorme iceberg com o dobro do tamanho da ilha de Manhattan se soltou de uma geleira na Groenlândia.

Segundo a Nasa, no verão, cerca da metade da cobertura de gelo da Groenlândia derrete naturalmente. Normalmente, a maior parte desse gelo derretido volta a congelar rapidamente em altitudes mais elevadas, enquanto em áreas costeiras parte dele é retida pela cobertura de gelo, enquanto o resto vai para o oceano. "Mas este ano, a extensão do derretimento na/ou perto da superfície aumentou dramaticamente", acrescentou a agência.

Cientistas ainda precisam determinar se o degelo, que coincidiu com uma pouco habitual forte onda de ar quente sobre a Groenlândia, contribuirá com a elevação no nível do mar.

AFP
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Avião solar retorna à Suíça e completa 1º voo intercontinental

O avião solar Impulsione completou nesta terça-feira o primeiro voo intercontinental propulsado unicamente pela energia que capta do sol e armazena em suas asas. O protótipo capaz de voar sem combustível aterrissou às 20h30 locais (15h30 de Brasília) no aeroporto de Payerne, uma cidade localizada no noroeste da Suíça onde está seu hangar, após completar um voo de 6 mil km que o levou até Ouarzazate, no centro do Marrocos, com escalas em Madri e Toulouse (França).

O psiquiatra e aventureiro suíço Bernard Piccard e o ex-piloto militar André Borschberg, impulsores deste projeto, quiseram demonstrar o enorme potencial das fontes de energias renováveis e sua confiabilidade. Em Ouarzazate, o avião e a equipe por trás deste projeto participaram de uma série de atividades relacionadas com a promoção das energias renováveis a convite da Agência Marroquina de Energia Solar.

Ao aterrissar novamente na Suíça, o Impulsione completou a viagem sem utilizar nenhum tipo de combustível. Além disso, foi a conclusão de um périplo que pôs a toda prova mais que qualquer outro a capacidade técnica da aeronave de enfrentar condições meteorológicas e atmosféricas difíceis.

Esta foi uma das razões pelas quais a viagem de ida e volta do Marrocos foi realizada em oito períodos, com uma média de 750 quilômetros de voo contínuo. A parte mais difícil da travessia foi aterrissar em seu destino final, já que Ouarzazate, a 1.151 metros sobre o nível do mar, está localizada na cadeia montanhosa do Atlas, uma zona de frequentes tempestades elétricas, fortes ventos contrários, turbulências e correntes térmicas.

O Impulsione foi projetado inicialmente para provar sua capacidade de voar de dia e de noite, um desafio que superou no ano passado, com um voo contínuo de pouco mais de 26 horas. "Fomos além desse propósito para provar que sua tecnologia é confiável e a eficiência de seu consumo de energia", explicou a equipe do projeto, que considera a conclusão desta viagem ao norte da África como um teste bem-sucedido com vistas a uma volta ao mundo prevista para 2014.

No entanto, essa viagem ao redor do planeta não será realizada com o atual protótipo, mas com outro que atualmente está sendo construído na Suíça com a participação de várias empresas que estão inovando e apresentando tecnologias totalmente novas e exclusivamente pensadas para este projeto.

EFE
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Cargueiro russo Progress M-15M não consegue reacoplar-se à ISS

A nave de carga russa Progress M-15M não conseguiu nesta terça-feira reengatar-se à Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) durante o teste de um novo sistema de aproximação e acoplamento automático, informou o Centro de Controle de Voos Espaciais (CCVE) da Rússia.

"São desconhecidas as causas da falha", disse um porta-voz do CCVE citado pela agência Interfax. O porta-voz explicou que o novo sistema de aproximação e engate automático do cargueiro, que na véspera fora desenganchado da plataforma orbital, alertou do risco de uma avaria e abortou a manobra quando o Progress se encontrava a uma distância de 15 quilômetros da ISS.

Segundo a fonte do CCVE, os especialistas trabalham atualmente para esclarecer as causas da falha, enquanto a segunda tentativa de acoplamento foi programada para as 22h de 28 de julho (horário de Brasília).

Atualmente, a bordo da plataforma se encontra uma expedição integrada por seis tripulantes: os russos Yuri Malenchenko, Gennady Padalka e Sergei Revin, os americanos Sunita Williams e Joe Acaba e o japonês Akihiko Hoshide.

EFE
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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Primeira mulher americana a ir ao espaço morre aos 61 anos

Sally Ride lutava há 17 meses contra um câncer no pâncreas. Foto: Nasa/ Divulgação

Sally Ride lutava há 17 meses contra um câncer no pâncreas
Foto: Nasa/ Divulgação


A astronauta Sally K. Ride morreu aos 61 anos nesta segunda-feira em La Jolla, nos Estados Unidos, após lutar contra um câncer no pâncreas por 17 meses. Em 1983, Sally se tornou a primeira mulher americana no espaço, decolando a bordo do ônibus espacial Challenger na missão STS-7.

Após essa viagem histórica, Sally voltou ao espaço em 1984, na missão STS-41G. Ela deixou a Nasa em 1987, quando passou a integrar o Centro para Segurança e Controle de Armas na Universidade de Stanford. Dois anos depois, passou a dar aulas de física na Universidade da Califórnia e se tornou diretora do instituto espacial da instituição. Em 2001, ela fundou a própria companhia, a Sally Ride Science.

Trajetória
De acordo com informações da fundação da astronauta, a Sally Ride Science, em 1977 Sally já possuía formação em física e inglês pela Universidade de Stanford. Ela estava prestes a terminar seu Ph.D em física quando viu um anúncio em um jornal estudantil afirmando que a Nasa procurava por astronautas. Até então, os astronautas eram pilotos de teste e militares, todos homens. Na época, a Nasa começou a buscar cientistas e engenheiros e permitiu que mulheres se inscrevessem. Sally enviou seu currículo, junto a outras 8 mil pessoas. Desse grupo, foram escolhidos 35 astronautas, incluindo seis mulheres. Sally foi selecionada em janeiro 1978.

O treinamento de Sally para se tornar astronauta incluiu paraquedismo, aprender sobrevivência na água, comunicação por rádio e navegação. Ela gostou tanto do processo que ele se tornou um de seus hobbies. Durante o segundo e terceiro voo do ônibus espacial Columbia, ela trabalhou da Terra como oficial de comunicações, transmitindo mensagens do controle de missão para as tripulações. Ela fez parte, ainda, da equipe que desenvolveu o braço robótico utilizado pelas equipes dos ônibus para implantar e recuperar satélites.

Em agosto de 1979, após o treinamento de um ano e o período de avaliação, Sally se tornou elegível para ser astronauta em uma tripulação do ônibus espacial. Na viagem que a fez entrar para a história em 18 junho de 1983, Sally decolou acompanhada de quatro homens que integravam a tripulação. Durante essa missão, a equipe implantou satélites para Canadá e Indonésia, operou um braço robótico para realizar a primeira implantação e recuperação do Shuttle Pallet Satellite, entre outros feitos. A missão durou 147 horas, e a Challenger pousou na Califórnia no dia 24 de junho.

O segundo voo de Sally, em 5 de outubro de 1984, contou com uma tripulação de sete pessoas, a maior até o momento para uma missão do tipo. A viagem durou oito dias, implantando o Earth Radiation Budget Satellite e conduzindo observações científicas. Foram 197 horas de voo. Em 1985, Sally foi chamada para a missão STS 61-M, mas o treinamento foi interrompido um ano depois, quando a Challenger explodiu ao decolar. A astronauta participou da comissão que investigou a tragédia. Após a conclusão, ela foi designada para a sede da Nasa como assistente especial para planejamento estratégico de longo prazo. Lá, ela se tornou a primeira diretora do Escritório de Exploração da Nasa.

Ela se aposentou da agência em 1987, quando passou a integrar o Centro para Segurança e Controle de Armas na Universidade de Stanford. Em 1989, começou a lecionar física na Universidade da Califórnia, tornando-se diretora do instituto espacial da instituição.

Com informações da Nasa e da Sally Ride Science

Terra

A batalha dos cientistas: qual foi o maior gênio da humanidade?

Newton nos explicou o que é a gravidade e revolucionou a matemática. Pasteur explicou por que as pessoas ficam doentes. Mendeleev deu ordem à química. Marie Curie ajudou a descobrir e explicar a radioatividade. Einstein fez tantas contribuições à ciência que é difícil destacar apenas uma.

Mas qual foi o maior cientista de todos? Se pudéssemos colocar os grandes pesquisadores da história frente a frente, qual ganharia? Claro que uma disputa entre grandes mentes não é uma troca de socos, mas sim de ideias e argumentos. Vote no seu cientista preferido e veja quem ganha essas batalhas.

Terra

domingo, 22 de julho de 2012

Físicos chineses calculam a data para o fim do universo

No fim, nem os átomos vão resistir, aponta pesquisa. Foto: Nasa/ Divulgação

No fim, nem os átomos vão resistir, aponta pesquisa
Foto: Nasa/ Divulgação


Como tudo vai acabar? A descoberta de que a expansão do universo está em aceleração (o que garantiu o Nobel de Física de 2011 aos cientistas que descobriram) indica que existe uma energia escura que está impulsionando as galáxias para se afastarem cada vez mais umas das outras. E, ao analisarmos as propriedades dessa energia, vários cenários surgem para como o fim será. Físicos chineses lançaram neste domingo uma análise própria das possibilidades e afirmam que existe até data para isso acontecer: daqui a 16,7 bilhões de anos em um evento já teorizado e chamado de "Big Rip" (que em português geralmente recebe o nome de "Grande Ruptura").

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A pesquisa, das universidades de Ciência e Tecnologia da China, do Noroeste e de Pequim e do Instituto de Física Teórica da Academia Chinesa de Ciências, foi divulgada neste domingo para explicar como e quando o universo pode acabar. Os cientistas focaram principalmente no pior cenário possível, que é o Big Rip.

Os pesquisadores chineses criaram uma nova parametrização - que chamaram de Ma-Zhang - e a combinaram a um método (chamado de Monte Carlo via Cadeias de Markov) para chegar à conclusão de que, com o que sabemos da energia escura e no pior cenário possível, o universo ainda tem 16,7 bilhões de anos.

Seguindo o cenário do Big Rip, a força de repulsão da energia escura irá aos poucos superar as demais forças, como a gravidade. As estrelas e planetas iriam perder a ligação e acabariam por se afastar. Conforme os chineses, as estrelas da Via Láctea iriam se separar cerca de 32,9 milhões de anos antes do Big Rip. Dois meses antes do fim, a Terra perderia sua ligação com o Sol. Faltando cinco dias, a Lua nos deixaria. Somente 28 minutos antes de tudo acabar, o Sol seria destruído. Nos últimos minutos, quando faltarem apenas 16 para a Grande Ruptura, a Terra vai explodir. Por fim, as próprias ligações entre átomos e partículas não vão mais suportar e assim terá acabado o universo. Ainda bem que falta muito tempo.

Terra

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cientistas descobrem novo método de ligação atômica

Um grupo de cientistas da Universidade de Oslo, na Noruega, fez uma descoberta que demonstra a existência de um terceiro método no processo de ligação dos átomos. Na escola, o que todos aprendem é a teoria de que átomos podem se ligar de dois modos: cedendo (e recebendo) ou compartilhando elétrons. O estudo, agora, obriga a revisão dos livros didáticos. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

A nova forma de ligação atômica só acontece em ambientes submetidos a campos magnéticos extremos, em objetos muito densos, que produzem copiosa intensidade de magnetismo, como as anãs brancas e as estrelas de nêutrons. Simulando em computador o que aconteceria com átomos nas vizinhanças desses objetos, compondo sua atmosfera, a equipe liderada pelo norueguês Trygve Helgaker constatou que eles podem se ligar em moléculas. A ligação, segundo pesquisadores, ocorre quando os átomos estão posicionados perpendicularmente à direção do supercampo magnético.

Terra

China deve ir à Lua antes de 2020, crê astronauta brasileiro

China é país emergente na conquista espacial. Foto: AP

China é país "emergente" na conquista espacial
Foto: AP


Os avanços da ciência tornaram a aventura lunar muito mais fácil para quem pretende explorar o satélite nos dias de hoje. "Graças às pesquisas científicas no setor aeroespacial, desde 1969, a tecnologia aplicada às espaçonaves foi bastante desenvolvida", garante o cosmonauta Marcos Pontes, que viajou ao espaço em 2006, pela Missão Centenário. O brasileiro acredita que o retorno do homem ao corpo celeste ocorrerá antes de 2020, através dos chineses. Porém, mesmo com tecnologia mais avançada, ainda há riscos.

Conquista da Lua completa 43 anos

Embora o conhecimento adquirido naquela época ajude, muitas dificuldades da década de 1960 seguem existindo. São necessários foguetes potentes, controles precisos e uma infraestrutura completa, de água, ar, temperatura e comida, para manter os astronautas vivos. Marcelo Gleiser, professor de Física e Astronomia no Dartmouth College, nos Estados Unidos, acrescenta aos riscos as possíveis falhas mecânicas ou eletrônicas, exposição à radiação e a possibilidade de colisão com microgrãos de poeira cósmica.

A Apollo 13 é um exemplo de que nem todo o planejamento e toda a precaução podem garantir o sucesso de uma empreitada desse tipo. "As viagens espaciais nunca serão rotineiras, e o risco estará sempre presente", argumenta Rui Barbosa, historiador espacial e editor do site Boletim Em Órbita. A própria Apollo 11 teve problemas. Segundo o diretor da missão na época, Gene Kranz, em entrevista anterior concedida ao Terra, foi uma batalha chegar à superfície da Lua. "Tivemos problemas com comunicação, problemas com navegação, problemas com computador e pequenos problemas elétricos", relata.

Mas, é claro, muita coisa mudou para melhor. De acordo com Pontes, um astronauta hoje conta com melhores materiais (permitem menos peso, maior resistência mecânica e química), melhor eletrônica (maior fluxo de dados de comando e telemetria, menores circuitos, mais potência de sinal, maior clareza de sinal), melhores computadores e softwares (melhor navegação, melhor controle dos sistemas) e melhores motores (melhor rendimento). "Isso só foi possível graças ao acúmulo de conhecimento científico adquirido, e da coragem dos astronautas que se arriscaram para experimentar e melhorar os sistemas na condição de operação", afirma o astronauta brasileiro.

Quando voltaremos à Lua?
O Programa Apollo, originado após o objetivo traçado por Kennedy, teve missões anteriores à chegada do homem à Lua. Elas visavam incrementar a tecnologia, treinar os astronautas e solidificar o conhecimento para que finalmente a meta fosse cumprida, em 1969. Depois da vitória contra os soviéticos na contenda espacial, no entanto, os EUA cancelaram o projeto, em 1972. Doze astronautas pisaram no satélite natural da Terra. "Cientistas e tecnólogos que trabalharam no projeto, na época, ficaram muito descontentes. Foi uma desilusão para eles, pois o plano de estudar a Lua in loco estava apenas começando", argumenta José Monserrat Filho, chefe de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB) e professor de Direito Espacial.

Desde então, muito já se especulou a respeito de novas investidas. Montserrat defende esse retorno: "A Lua deverá ser uma plataforma para os voos espaciais no futuro. Ela é um laboratório. Tem muito que se fazer e descobrir, como, por exemplo, a sobrevivência em condições tão baixas de gravidade. É um centro de preparação para as viagens no futuro". Pontes também acredita nisso. "Ainda temos muito a aprender operando do 'posto avançado' da Terra em termos de observação astronômica, desenvolvimento de alternativas de energia, desenvolvimento de soluções de projeto de sistemas de exploração espacial", acredita.

Segundo Gleiser, contudo, um agravante para retornar à Lua são os enormes custos e uma falta de justificativa maior. "Se antigamente existia a Guerra Fria, no futuro imagino que a corrida espacial se torne algo privatizado, e será o capitalismo a mola propulsora, como já começa a ser o caso", projeta o professor.

O capitalismo pode até ser ainda a mola propulsora, porém, a aposta de Pontes para o futuro próximo da Lua reside em outro sistema de governo. O astronauta brasileiro não vê grandes chances de a Nasa arregimentar nova missão tripulada tão cedo. "Acredito que, na presente situação, os chineses são bons candidatos para 'pisar' na Lua antes de 2020", conclui.

GHX Comunicação
GHX Comunicação

Há 43 anos, homem chegava à Lua com computador de 2 kb de RAM

Computador da nave era pior que celulares atuais. Foto: Nasa/ Divulgação

Computador da nave era pior que celulares atuais
Foto: Nasa/ Divulgação


O salto que a humanidade deu há exatos 43 anos ocorreu no tempo previsto pela Nasa. Mas o pequeno passo para o homem, não. Eram 23h56 de 20 de julho de 1969 quando Neil Armstrong empreendeu o derradeiro movimento que o levou do último degrau da escada do módulo para a superfície da Lua. A transmissão das imagens do astronauta saltitando pelo satélite natural não representou apenas a soberania espacial dos Estados Unidos, a concretização da profecia de John F. Kennedy proferida oito anos antes e todos os avanços científicos resultantes do programa Apollo. Os registros daqueles momentos mostraram a todos quão longe o ser humano poderia chegar com computadores inferiores ao celular que você tem no bolso hoje. Armstrong e Buzz Aldrin sabiam disso. E não puderam nem pensar em cumprir a programação, de tão extasiados que estavam por terem pousado em segurança. Em vez de dormirem após a aterrissagem e deixarem a nave apenas às 3h16 do dia 21, eles resolveram iniciar logo a próxima fase da missão.

Conquista da Lua completa 43 anos

Assassinado em 1963, o presidente americano John F. Kennedy não pode acompanhar a conquista da Lua. Mas todos sabiam que o impulso inicial daquela viagem partiu dele. Em plena Guerra Fria, os Estados Unidos estavam perdendo em importante batalha para a União Soviética: a corrida espacial. Em 1957, os soviéticos chocaram o resto do mundo ao mandar ao espaço o primeiro satélite artificial, Sputnik 1, e a cadelinha Laika. No dia 12 de abril de 1961, mais um revés para os americanos: o cosmonauta russo Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem a orbitar a Terra. Por isso, quando Kennedy anunciou o objetivo de enviar uma missão tripulada à Lua até o fim da década de 1960, poucos acreditaram que o intento se confirmaria - e que os soviéticos não chegariam lá antes.

"A chegada do homem à Lua representou um esforço científico e tecnológico que, na época, ninguém imaginava possível", relata José Monserrat Filho, chefe de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB) e professor de Direito Espacial.

Em uma mensagem especial ao congresso americano no dia 25 de maio de 1961, Kennedy expôs a relação entre os avanços soviéticos e o novo objetivo de seu país. "Se nós queremos vencer a batalha que está acontecendo ao redor do mundo entre a liberdade e a tirania, as dramáticas conquistas no espaço nas últimas semanas devem deixar claro para todos nós, assim como o fez Sputnik em 1957, o impacto dessa aventura nas mentes de homens de todos os lugares que estão decidindo que caminho eles devem seguir", alertou o presidente.

"Eu acredito que esta nação deva se comprometer em atingir o objetivo, antes que esta década termine, de pousar um homem na Lua e trazê-lo de volta a salvo para a Terra. Nenhum projeto espacial será mais impressionante para a humanidade ou mais importante para a exploração do espaço a longo termo; e nenhum será tão difícil e caro para realizar. Não será apenas um homem indo para a Lua - se isto se confirmar, será uma nação inteira. Porque todos nós precisamos trabalhar para colocar ele lá".

Oito anos depois do discurso, Armstrong fincou a bandeira americana na superfície lunar, em uma missão chamada Apollo 11. Esse desfecho só foi possível devido à disputa com os russos, que incrementou o investimento e o empenho dos EUA para alcançar tal feito. "O objetivo principal não era estudar a Lua, e sim mostrar seu poderio tecnológico e político e provar para a União Soviética a sua liderança na corrida espacial", explica Monserrat.

Calculadora científica
O poderio tecnológico dos EUA naquela época não impressionaria um soviético hoje. A chegada do homem à Lua ocorreu com uma tecnologia bastante rudimentar quando cotejada com a atual. É até difícil comparar o computador da Apollo 11, o Apollo Guidance Computer (AGC), com os PCs e Macs que qualquer criança maneja em 2012. Um tablet ou smartphone de última geração, seja dotado de iOS ou de Android, seria tecnologia extraterrestre para aquela época. De acordo com Rui Barbosa, historiador espacial e editor do site Boletim Em Órbita, o processador 8088, concorrente mais próximo, fabricado em 1981, possuía oito vezes mais memória do que o computador utilizado na Apollo.

Lançada de um foguete Saturn V do Kennedy Space Center, na Flórida, a espaçonave Apollo tinha três partes: o módulo de comando, a única parte que voltou à Terra; o módulo de serviço, que continha propulsor, sistema elétrico, oxigênio e água; e o módulo lunar, utilizado para pousar na Lua. Apesar de ser tripulada por três astronautas, a missão foi dividida de forma que Michael Collins permanecesse no módulo de comando, na órbita lunar, enquanto Buzz Aldrin e Neil Armstrong pousassem na Lua com o Módulo Lunar.

Esse módulo também tinha um AGC, a fim de que os astronautas pudessem se orientar e pousar no satélite. Ele pesava 32kg, tinha 2 kb de memória RAM e não ostentava disco rígido, além de oferecer um poder de processamento de 2.048 MHz (o equivalente a uma calculadora científica atual) - um iPhone 4s, por exemplo, pesa 140g e possui 64gb de armazenamento, 512 mb de memória RAM e processamento de 800 MHz dual-core.

Não por acaso, nos momentos que antecederam o pouso o computador começou a emitir sinais de erro e a reiniciar. Isso ocorreu devido a uma sobrecarga de informações computadas pelos astronautas naqueles minutos decisivos.

Assim, com a tecnologia daquela época, o fator humano contava ainda mais. Os astronautas eram submetidos a baterias intensivas de testes e simulações, nas quais se tentavam prever todos os problemas que poderiam ocorrer durante as missões. E eles de fato ocorriam. "Se hoje o treino dos astronautas é um treino intensivo, naqueles dias os astronautas eram verdadeiros super-homens; os melhores escolhidos entre os melhores", acrescenta o historiador espacial Rui Barbosa.

Avanço científico
O retorno à Terra rendeu diversos avanços científicos. Segundo Barbosa, muitas áreas se beneficiaram das tecnologias desenvolvidas para o programa Apollo. "A corrida à Lua levou a avanços tecnológicos ímpares na nossa história recente", afirma.

Um dos exemplos é a eletrônica. "Ela não era tão miniaturizada como hoje em dia. Na verdade, a eletrônica moderna nasceu juntamente com a era espacial", diz Naelton Mendes de Araújo, astrônomo da Fundação Planetário do Rio de Janeiro. Além dela, outros avanços foram possíveis a partir da conquista da Lua. Diversos materiais modernos, como as espumas sintéticas, metais, plásticos, entre outros, foram elaborados para as missões lunares.

Áreas como a aeronáutica e a engenharia foram algumas das que se beneficiaram com os avanços tecnológicos, com novos mecanismos de propulsão de foguetes, controles mecânicos e eletrônicos na ausência de gravidade, além dos estudos sobre fisiologia humana no espaço, reciclagem de fluídos, equipamentos da manutenção física, materiais isoladores, sistemas de filtragem, refeições desidratadas, sensores de medição de gases, computação e software, comunicação a grandes distâncias etc. "A comunicação via satélite foi uma das maiores heranças da era da corrida espacial", completa Araújo.

GHX Comunicação
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